terça-feira, 12 de agosto de 2014

Te cuida!

Cena 1:

- Alguém está dando uma carona para outra pessoa. Ao chegar na frente do local de destino, o caroneiro abre a porta e agradece. O motorista - ou até mesmo o caroneiro - olha para a outra pessoa e fala: "Te cuida!"

Cena 2:

- Ei, vou viajar!
- Sério! Que ótimo! Para onde vais?
- Ainda não tenho nada decidido, mas quero desbravar o mundo!
- Que ideia legal! Te cuida!


O motivo

São duas cenas bastante simples, quiçá corriqueiras, que ilustram uma faceta da frase "Te cuida!"

Gramaticalmente inapropriada, a expressão "Te cuida!" revela mais que um simples aviso, sinal de carinho ou um pequeno gesto de gratidão.

"Te cuida!" é o maior aprendizado que alguém pode ter.

Talvez não tão simplória quanto essa frase, "Te cuida!" torna-se um imperativo em tempos como os de hoje. "Te cuida!" é um mar de ensinamentos em duas palavras, um desafio para qualquer um e a redenção para problemas que limitam a evolução do homem. Como? Assim...


O significado

"Te cuida!", por mais simples, generalista e subjetivo que possa parecer, é um convite para que nós, seres humanos - e, portanto, propensos a erros - façamos a conexão com nosso interior. Ou, melhor dizendo, uma reconexão.

Quando crianças somos puros, sinceros e livres de quaisquer preconceitos. Não julgamos e a vida nos conduz pelos caminhos que devemos trilhar. Quando amadurecemos o resultado é outro, diferente. O oposto.

O medo que adquirimos de perder aquilo que nos é caro, os fracassos e as pedras no caminho fazem com que a pureza e liberdade infantil (e verdadeira) seja tolhida.

Carregamos estigmas que nos fazem desconfiar dos outros, de nós mesmos e que nos prendem a um estado de torpor, limitador e enganoso.

Enganamo-nos acerca do que nos faz bem, tornamo-nos cegos e não percebemos o que verdadeiramente nos limita, cedemos a pressões externas, deixando de viver no que acreditamos (e queremos) e tentamos conduzir aquilo que, naturalmente, nos conduz. O quê?

Nós mesmos.

Nós somos nossa prisão, nosso algoz e nosso limite. Culpamos outros por erros que nós mesmos cometemos ou, em alguns casos, permitimos que aconteça. Esquecemos que somos livres para ser e viver plenamente, e que somos o chefe de nossas decisões.

Não é fácil, por óbvio, abrir os olhos sobre a realidade (que é dura e nos amedronta). A vida, muitas vezes, se transforma em uma fuga inexplicável, um medo incontrolável e um limitador ao processo evolutivo. Epícuro já ensinou que o grande navegador deve sua ótima reputação aos temporais e às tempestades, o que serve de aprendizado e motivação para esta descoberta.

Menos fácil ainda é aprender a domar nosso eu sabotador e limitante. Evoluir e crescer é uma arte, fruto da determinação, força de vontade e disciplina.

A boa notícia é que nunca é tarde para que o despertar aconteça.

Nunca é tarde para reconectarmos às nossas raízes e cuidarmos de nós mesmos. 


O desafio

"Te cuida!" é um convite. Uma proposta da vida para que cada um de nós perceba a realidade e assuma o papel de responsável pela nossa própria felicidade e bonança.


Um chamado para que cada um de nós cuide de si e, por conseguinte, cuide do próximo.

Uma ordem para que despertemos em busca de nosso verdadeiro amadurecimento espiritual, emocional e, também, racional.

Fugir é fácil, projetar é cômodo, culpar e fechar os olhos para a realidade é automático.

Agora, o desafio é olhar para si mesmo, aprender e crescer. Arrisque-se a sair da zona de conforto. Seja gentil consigo mesmo. A estrada é longa e, certamente, trilhá-la recompensa.


A proposta é que a cada dia e a cada vez que um "Te cuida!" cruze nosso caminho, cada um de nós olhe para si mesmo, agradeça pelas oportunidades que a vida oferece, questione nossa conduta e assuma o controle de nossa felicidade. E, ao assim fazer e conquistar a paz consigo mesmo, cuidar dos outros.

A proposta é construir, individualmente, um coletivo harmônico, livre e feliz, afinal, como diria Sulco, ninguém dá o que não tem.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Algo novo

Silêncio.
 
Escuridão.
 
Solidão.
 
E um pouco de apreensão.
 
A apreensão em deixar o sol iluminar o ambiente, a música que tocava desapercebida virar trilha sonora e a solidão dar lugar à sensação.
 
Sensação de que dois são mais do que um, podendo construir. Construir.
 
Construir passado, construir presente e construir futuro.
 
A apreensão que foi cedendo ao jeito, ao primeiro passo, a aquela condução de quem sabia pegar pela mão e levar de um lugar inseguro para o local mais protegido do mundo: dentro de nós mesmos.
 
 
A apreensão que já não mais tinha razões de existir, que foi cedendo para cada acorde, cada toque, cada olhar.
 
E um novo mundo surgiu.
 
A caverna de Platão, o caminho astrológico percorrido e os lugares já explorados. Tudo novo, passível de ser compreendido e experimentado, pela primeira vez ou novamente.
 
Música.
 
Luz.
 
Companheirismo.
 
E muita certeza.
 
Certeza de que quem tem medo tem coragem, e quem tem coragem vive.
 
Quem vive lida melhor com anseios e medos. Supera desafios. Segue o caminho da iluminação.
 
Quem vive cativa, descobre novas sensações e descobre o prazer de caminhar, de construir. De abraçar, beijar e cuidar.
 
Quem vive constrói, reconstrói e experimenta.
 
Quem vive se liberta das amarras que nos prendem a nossos medos e anseios, e livre é plenamente feliz.
 
(trilha: Clocks - Coldplay)

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Nossas estradas

 "Eram pés. Simplesmente pés.

Já haviam caminhado muito, mas muito mesmo.
 
Já haviam dançado. Já tinham estado sujos e limpos.
 
Já haviam sido pisoteados e já mudaram por causa de alguns tropeços.
 
E continuavam naquele lugar. Continuavam sendo simplesmente pés."

 
A estória
 
Há quem diga que os olhos são a janela da alma. Há os defensores da emoção e da razão.
 
A verdade é que nossa coragem e nosso medo, nossa energia ou nossa apatia, nossa vontade ou nosso receio são mais influenciadas pelos nossos pés.
 
Nossos pés não são simplesmente pés.
 
Pés com medo ficam parados. Pés corajosos dão o primeiro passo.
 
Pés receosos deixam sempre um pé atrás e pés ousados pulam para o próximo passo.
 
Nossos pés nos movem na direção dos nossos sonhos, mas também nos deixam parados pensando no que fazer.
 
São pés que abrem portas e pés que nos impedem de perceber o que poderíamos estar vivenciando...
 
Pés agem, e da ação há sempre uma reação.

 
A proposta é uma estrada
 
Pare e escolha um momento importante de sua vida. Uma estrada que tiveste que caminhar.
 
Feche seus olhos e visualize a cena com todos os detalhes possíveis: quem estava junto, quais eram os perfumes, as músicas, as sensações.
 
O que este momento significava para você? Como este momento completava o seu ser, único, especial?
 
Explore este momento como se ainda estivesse nele. Quando estiveres no ápice da experiência tente parar o momento. Congele esta imagem mental e tente perceber o que seus pés queriam dizer...
 
Seguramente nossos pés acompanham nossas emoções, servindo de termômetro ou como algum sinal de nossos anseios e desejos.
 
Certamente nossas maiores vitórias começaram com um pé que dava uma passada segura e persistente. Certamente nossas decepções e derrotas tinham pés tremulantes. Nossos pés falam mais do que somos capazes de verbalizar...
 
É como uma dança.
 
O parceiro tenta explorar o infinito de possibilidades que tem de conduzir sua parceira, mas ela, receosa, deixa seus pés não serem guiados.
 
São pés que parados impedem com que o casal explore a energia da dança, que construam um momento pleno.
 
Quando, por algum motivo único e especial, ela deixa seus pés serem guiados, eles se conectam, o parceiro a tira do chão e a conduz para um movimento inesperado e envolvente. A dança flui.
 
Os pés agradecem a doação.
 
A alma é presenteada.

 
O desafio
 
Esqueça seus pés.
 
Deixe eles andarem naturalmente.
 
Deixe eles serem levantados do chão.
 
alguns dos melhores momentos são aqueles que nossos pés não estão sendo controlados por nós
 
Pés que voam podem chegar em lugares que nem nossa mente e nosso coração conseguem imaginar.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Que presente dou de Dia dos Namorados?

"- Ai meu Deus..."

"- O que que foi?"

"- Não sei o que dar de presente para minha namorada!"

"- Hmmm..."

"- Cara, certo que ela vai me dar uma camisa do meu time, estilo retrô! É bacana e assim posso sair com o símbolo no peito sem ela reclamar!

"- Hmmm..."

"- Acho que vou comer uma coisinha e depois um motelzinho bacana!"

"- Isso cara! Baita ideia!"

"- Ela vai curtir!"



"- Ai guria!"

"- O que que foi?"

"- Não sei o que dar de presente para meu namorado!"

"- Hmmm..."

"- Ai, certo que ele vai me levar ela para jantar em um restaurante bom, luz de velas e todo o teatrinho. Dar alguma jóia ou sapato da moda e bebermos um bom vinho!"

"- Hmmm..."

"- Acho que vou dar uma dessas camisas xadrez que estão tão na moda!"

"- Sensacional, guria!"

"- Ele vai amar!"


A crônica

Todo Dia dos Namorados é assim. Assim como nos aniversários de casamento, aniversários dos parceiros ou outras datas comemorativas dos casais. Assim como no cotidiano da vida a dois.

Casais desencontrados (preste atenção nessa definição) acabam por desencontrar-se ainda mais e consolidar uma relação já batida (ou em vias de ficar batida).

Relacionamentos cheios de vazio.


O motivo

Relacionamentos sem propósito ou com atores despropositados.

A estória fictícia do início (nem tão fictícia assim) acontece por um motivo simples: as pessoas não sabem quais são os seus propósitos.

Pessoas que não sabem o seu papel, que não sabem os motivos pelos quais se relacionam e que não sabem viver. Pessoas desconectadas de suas realidades, que vagam pelo mundo assim como vagam pelos seus relacionamentos: namoro sim, conexão não.

Pessoas que não sabem de onde vem, aonde estão e muito menos para onde vão


A sugestão de presente


Conecte-se em você mesmo. Saiba quem você é, o que você tem e o que você pode oferecer.

O melhor presente está logo depois do auto-conhecimento. Ao conhecermos as nossas virtudes e limites, abrimos espaço para explorar as mais diversas formas de crescimento: sei aonde posso ir, e posso trabalhar e construir meios de ir mais longe ainda...

É um processo de constante doação.

Dou todas as minhas energias para construir um eu melhor, mais capaz, mais preparado, mais consciente.

É quando somos mais conscientes de nós mesmos que estamos mais aptos a oferecer o mundo àquela pessoa que está do nosso lado.


É quando conhecemos nossas virtudes que somos verdadeiramente capazes de conectar ao próximo.


A proposta

Dê valores, planos, sonhos e dedicação. Dê capacidade, medos e vontade de superá-los. Dê energia, criatividade e alegria. Permita-se e dê aquilo que é mais importante: o infinito.

Dê você.


É um simples desafio que torna o relacionamento bem mais verdadeiro.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Grupos sem massa

Reclamações no facebook e a necessidade de reclamar da vida para parecer cool e ser parte de um grupo.

A popularidade nunca esteve tão em alta... As redes sociais colaboram para que a auto estima de certas pessoas esteja em alta através da quantidade de seguidores, elevado cliques de “curtir”, compartilhamentos e demais artifícios que vem de carona com essa onda “social”.

A passos largos, juntamente a isso, chega a inclusão digital. Movimento que, ao mesmo tempo, integra cidadãos de pouco conhecimento, desintegra recursos de mobilidade e tecnologia recheando a internet com pensamentos vazios.

 
Pode parecer um tanto crítico, mas nada além da realidade tratam essas linhas...

Diante dessa comoção por fazer parte de um grupo seleto, onde tudo “necessita ser compartilhado”, existem grupos que se salientam pela falta de criatividade, lamúria, necessidade de auto-afirmação, inverdades ou futilidades.

Espanta-se quem acha que nada além do óbvio vira assunto.

Pois bem, reclamar de uma situação de desvantagem me parece justo, reivindicar direitos para tornar o mundo mais democrático é natural, identificar alternativas para pessoas com pouco acesso à informação soa solidário...

Mas... reclamar de fatores climáticos para parecer “cool”e tornar-se parte de um grupo criativo onde apenas reclama da vida faz sentido? De antemão reclamar do frio, clamar pelo verão e, todo dia, desabafar online pelo ódio ao calor me parece controverso. E é! Ao mesmo tempo, trata-se de uma ferramenta de popularidade. Pura verdade...

Quem desenvolver uma frase mais criativa ganha mais visibilidade, quem ganha mais visibilidade é mais popular, quem é mais popular ganha... ganha... NADA!

Homens e mulheres utilizam erroneamente as funcionais ferramentas de navegação para incluir em sua vida uma parcela do que não tem. Dinheiro, fama, status, sex appeal, enfim, uma vida dúbia de sentimentos e ações que não os pertencem.


Por trás dessa relação criam-se indivíduos sem personalidade, que gozam da insistência para serem vistos.

Através de discursos vazios, baseiam-se na falsidade para agregar valor à sua imagem. Atitudes de inclusão não são novidades no mundo atual. Os hippies, cujo comportamento adotava um modo de vida comunitário, tendendo a uma espécie de socialismo-libertário ou estilo de vida nômade, arrecadavam jovens com um pensamento em comum onde havia o real entendimento do desapego.

O que espanta é que esse grupo “reclamão” não possui uma identificação em comum, apenas reclamam sem querer reclamar... Reivindicam direitos sentados em uma bela cadeira estofada... Denunciam políticos e praticam os mesmos votos ou votam sem conhecer seus candidatos. Tudo para sobrar mais tempo para navegar, reclamar, postar, náo pensar e tornar-se popular.

Enquanto o governo cria políticas de educação em massa, grupos totalmente criativos e “evoluídos” utilizam da rede online para burlar leis anti consumo de álcool.

Até onde iremos com a fantasia de que realmente fazemos algo para melhorar o local que vivemos?

Até quando pensaremos utilizar corretamente as ferramentas online para agregar valor ou exercitar o raciocínio lógico?

Quem ainda pensa que reclamar muda o mundo?

As respostas? Jovens ranzinzas demais com atitudes de menos!

Pago bem, mas para quem não reclama... apenas faz!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Ação e reação

Trilha sonora para uma crônica sobre como há mais para o menos:

Cleaning my gun - Chris Cornell

Assim como há dia para a noite, sol para a lua e calor para o frio. Velho para o novo.

Assim como há doce para o salgado, comida para a fome e água para a sede.

Carinho para a tristeza. Guerra para a paz. Sorriso para a lágrima e inverno para o verão.

Alto para baixo. Homem para mulher.

Música para o silêncio.

Liberdade para a prisão. Resposta para a dúvida.

Tempo para o tempo.

Assim como há curvas nas estradas, há obstáculos no caminho.

Foi em um destes obstáculos que o contraponto da confiança, da calma, da admiração e do carinho passou de uma posição passiva para uma posição ativa.

Algo como apagar a luz: um coração iluminado viu-se no escuro.

E, seres complexos que são, eles não conseguiam mais dialogar. Aquele diálogo que era feito com palavras, com olhares, com gestos e com energia passou a ficar desorientado.

Ficou perdido.

Ficou sem referências.

Um mundo onde as coisas eram certas e calmas deu lugar a outro mundo onde o incerto reinava e a tensão transbordava.

E foi assim, transbordando, que eles tentavam se encontrar.

Como dois corpos que dependem da correnteza, eram duas pessoas em meio a uma guerra. As palavras que antes eram de carinho, causavam dor. O brilho no olhar ficou opaco. O respeito ficou como a energia, perdido.

As construções sólidas que fizeram foram substituídas por experiências vazias.

E o que antes curava, agora machucava.

E como toda ação tem uma reação, todo tempo tem um tempo, e aí a conclusão é lógica:

Um tempo ruim tem um tempo bom. E um tempo bom deixa a poeira baixar. A poeira baixa deixa o sol entrar. O sol entrando deixa a visão mais clara. A visão mais clara deixa o horizonte definido.

Assim como o certo para o incerto e o aberto para o fechado, o mundo ideal, verdadeiro e reconfortante sempre esteve ali. Era justamente a escuridão que impedia que eles enxergassem. Os gritos que impediam que ouvissem. A tensão que impedia que sentissem.

E o tempo deixa a luz, aos poucos, mostrar que aquela estrada para a evolução sempre esteve ali.



E que caminhar por esta estrada é só uma questão de opção.

E de tempo.

sábado, 15 de outubro de 2011

Da simbiose, do infinito ou do ciclo interminável

Redonda, como a lua que insiste em penetrar pela janela, que clama por uma persiana. A persiana seria ideal para tapar aqueles raios de um sol, que vem aos poucos, desbravando as fronteiras de um quarto vazio, iluminando os resquícios de uma noite cheia (de sentimentos). Sol Redondo, que insiste em dizer para eles que mais uma dia os espera.

Redondamente circular, como aquela sensação clichê: aquilo que não tem explicações, explicado está.

A lua - imponente, impotente e redonda - é testemunha dos crimes que ele comete. Mais comparsa ainda, também é testemunha dos crimes que ela comete. É onipresente nos devaneios de cada um dos dois, sem que ele saiba o que se passa com ela, e ela com ele. A lua, redondamente impotente, tampouco.

Crime. Violação de alguma regra. Mas qual?

A lei natural, que diz que nascemos sozinhos, vivemos sozinhos, morremos sozinhos. Que somos únicos e que nossa natureza é lutar pela independência. Que aprendemos com nossas experiências.

Sós por vários momentos, mas juntos quando juntos. A perfeita expressão do "eu mais você é igual a nós". Não aquele ele 'nós' da primeira pessoa do plural, mas o o 'nós' que é o plural de nó, de enlaçamento, que entrosamento. De simbiose. Assim como dois círculos que, lado a lado, formam um infinito.

Dilaçeram, destroçam, usurpam e violam as leis naturais da solidão e da independência.

Quando juntos criam tratados capazes de ganhar o Prêmio Nobel: explicam o inexplicável, que explicado estava, de uma maneira simples, com nós. 

Aquele da primeira pessoal do plural. Aquele que, quando juntos, significa um infinito de questionamentos, experimentos, sensações e paradoxos. Os minutos que viram horas, as luas que viram sóis, as músicas que viram silêncio, o vazio que vira cheio e o desequilíbrio equilibrado.

Milhares de nós, aqueles do entrosamento, resultantes de uma simbiose especial.

Quem disse que ele não aprende com as experiências dela? Quem disse que ela está sozinha quando ele está longe? Quem disse que existe algo chamado solidão?

A energia que flui em cada toque, a maneira como os corpos se encaixam e a sensação de que em um abraço cabe um universo.

São extremamente felizes quando estão cometendo o crime de desafiar as leis naturais que dizem: deixem a coisa acontecer. Eles deixam a coisa acontecer. Eles fazem a coisa acontecer. E a lua, redonda, vira aquela lua crescente, que mais parece um sorriso.

E o raio do sol, redondo, dança, imponente, impotente, para iluminar aquele dia que está para começar.


E aquele dia iluminado pelo sol virará noite. E o ciclo de aprendizado, evolução e iluminação começará novamente.

Infinitamente.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Ensaio sobre a cegueira

Para ser lido ouvindo a trilha sonora da cegueira:

 
Pink Floyd - Lost for Words

Somos cegos.


Além de sermos cegos, somos ignorantes. Nossa cegueira nos deixa limitados.

Na verdade não somos cegos completos, e sim cegos funcionais. O pior tipo.

Cego funcional é aquele que enxerga, mas enxerga uma visão limitada. É aquele cego que não enxerga por opção.

Todos nós somos cegos funcionais.

Enxergamos o mundo da nossa maneira, da maneira como o mundo se apresenta para nós. Única e exclusivamente

Somos escravos de uma limitação que impede com que enxergamos o mundo com tudo que ele nos oferece. Sabemos disso e continuamos a enxergar apenas a nossa realidade.

Fracassamos constantemente, já que não enxergamos com os olhos do outro, daquele que está em nosso lado.

Quando enxergamos o mundo apenas com nossos olhos, deixamos de enxergar o mundo com os olhos dos outros, e perdemos a chance de expandir aquilo que é realidade apenas para nós para aquilo que é realidade também para os outros.

Tornamo-nos mestres apenas de uma única coisa: nosso mundo. Somos tudo que precisamos para apenas uma coisa: enxergar apenas o nosso mundo.

Somos ignorantes pois desconhecemos os outros mundos que existem.

Cada pessoa enxerga o mundo com os seus olhos. Cada pessoa possui a sua realidade.

E se experimentássemos enxergar o mundo com os olhos dos outros?

E se exterminássemos nossa cegueira funcional, enxergando o mundo com os nossos olhos, os seus olhos, os olhos daquele que está ao seu lado, do seu parceiro ou parceira, dos seus parentes, amigos, vizinhos ou com os olhos daquele estranho que acabou de atravessar a rua?

Deixaríamos nossa ignorância egoísta de lado, e conheceríamos a realidade de cada pessoa com que nos relacionamos (ou ainda aquelas que ainda não nos relacionamos)

Enxergamos o mundo com os nossos olhos e todos os demais olhos existentes, e seremos livres. Seremos capazes de viver a vida de forma plena, curtindo todas as infinitas nuances existentes, capazes de trazer a felicidade da forma mais simples, e ao mesmo tempo mais complexa.

Como já disse Lynyrd Skynrd: "se eu partir amanhã, você ainda irá lembrar de mim?"

Aquilo que olhos treinados e abertos veem, seu dono nunca esquece...

E aquilo que não é eterno, eterno será.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Carta para o jovem eu

Já fiz um exercício parecido: escrevi uma carta para mim mesmo, dizendo onde queria estar daqui a um ano.

Passado o ano, recebi a carta e percebi como a vida flui.

Isso só é percebido depois que o tempo passa: no futuro, quando o tempo já passou.

Hoje vou escrever uma carta no futuro. 

Vou escrever uma carta de alguém que já aprendeu a perceber como o tempo e a vida passam, e deixar essa percepção para alguém que ainda terá a oportunidade de vivenciar o tempo. 

Como se eu deixasse a carta para que eu mesmo pudesse ler em meu passado.

Carta para o jovem eu:

"Caríssimo, bom dia.

É exatamente assim que os dias devem ser: bons.

Pouco importa se estiver chovendo ou se estiver sol na rua. Acorde e diga que o dia será bom. Aos poucos você vai aprender que bons dias são excelentes. E que dias excelentes são maravilhosos. E que dias maravilhosos são inesquecíveis.

Em um dia inesquecível eu ouvi que o tempo é senhor da razão.

E é.

Entendo a ansiedade de querer tudo o quanto antes. Entendo a falta de paciência. Entendo que queiras tudo para ontem. Entendo todas as dúvidas que te assolam. Entendo tudo isso. Sabe como eu entendo?

Eu já vivi isso e posso te contar o que aprendi.

Aprendi que a ansiedade e a pressa tapam nossa visão do hoje. Aprendi que ficava cansado apenas por esperar. E cansado meu corpo não percebia que o que eu queria sempre estava logo ali, do meu lado, na minha frente, dentro de mim.

Viva o hoje e as coisas que desejas chegarão sempre mais rápido. Verás que o tempo estará do teu lado. E terás tempo para fazer o que queres.

Aprenda a agir com a razão.

Aprenda a agir com o coração.

Aprenda que o segredo não é o equilíbrio entre a razão e a emoção, e sim saber em que momentos deves agir com razão ou com o coração.

Seja duro. Somente quando for preciso.

Seja forte com sua moral, seus valores, suas ideias e sonhos. Seja dedicado, que é assim que se constroem os sonhos.

Teus erros o tornarão sábio e cada vez mais preparado. Agora, por mais preparado que estejas, errar sempre será uma possibilidade e por isso deves saber lidar com teus erros. 

Errar significa aprender, e aprender significa sabedoria. Se ficares sendo duro contigo jamais perceberá que erraste, e perderás uma bela oportunidade.

Errar é ter a chance mais linda que um homem pode ter: a de aprender e ter algo para ensinar.

Seja leve contigo mesmo. Tente. O que tens a perder?

Relaxe.

Sabemos muita coisa e depois aprendemos que nada sabemos.

A vida é uma estrada com infinitos caminhos. Todos saberão ser difíceis, e cabe a gente escolher aproveitar a beleza e a felicidade existentes em cada um deles.

Por isso, meu caro, aprenda apenas estas duas lições: evolução é uma constante e as respostas para todas tuas dúvidas estão por aí, ao doce sabor do vento.

Acabando, sem acabar: jamais te esqueça de que és uma pessoa só, jamais só.

Por isso, aprenda o que significa humildade. Saiba aprender contigo e, mais importante, com todos os outros. Agradeça todo aprendizado e ensine. Sempre.

Torna-te um multiplicador: aprenda a aprender, aprenda a ensinar. Ensine.

Desejo-te todo um infinito de oportunidades, para que possas a aprender o que fazer com elas.

Eternamente,

Tua alma professora/aprendiz"

Observação: 
A ideia surgiu de algumas conversas sobre a beleza da vida, em 2009. Parada por todo este tempo, amadureceu e foi concluída após uma celebração de aniversário da maneira mais completa que um homem pode desejar: com admiração pelas pessoas que tu admira. Obrigado.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Entre o medo e o nada...

Entre o medo e o nada, o que você prefere? 

Foi com um eco desses que percebi que prefiro a dor. A dor, que ao mesmo tempo "dói", ensina, empurra para frente, traz algo, sobretudo, de bom. 

Seria muito confortável sentir nada, mas e aí? Onde me sinto desafiado? Posso dizer que vivo esse momento sem desafios... Me sinto um "nada". O dia, com 50 horas, passa a ser meu maior desafio, o de vencer o tédio. Mas o que isso tem a ver? Tudo! Há algum tempo não sinto o medo, o frio na barriga... aquela sensação de tentar segurar em alguém antes de dar o próximo passo.

Falando bem a verdade? Aquela velha sensação da conquista.

Embora haja duas vertentes para esse medo, o de ser repelido e o de ser aceito, é uma sensação desafiadora.

O medo

De quê? De sentir medo? Não faz sentido. 

Nascemos prontos para o crescimento, e não há crescimento sem dor. Anéis se vão, amores vem, e o que resta? O medo de tudo ocorrer de novo. Entender o medo, educar o receio é a melhor arma de estar preparado para esse jogo onde todo mundo perde, cedo ou tarde. Uns mais, outros menos, mas perdem.

O nada
 
Eu poderia desenvolver um parágrafo escrevendo nada. Nada melhor traduziria o sentimento do "nada". 


Um xingamento, um comparativo baixo... nada adiantaria se é "nada". E isso traduz-se ao substantivo. Sentir nada é passar batido pela vida, sem amores, sem anéis. Não amar alguém sobrepõe-se a amar o nada, pois quem ama um dia terá ou tem o medo. Amar o nada ou ninguém, nada se tem, nada se sente, é um jogo de ilusão, o vácuo literal. 

É o abismo humano em sua falta de perspectiva de crescimento. 

E quem não espera crescer? Como pessoa? Como homem/mulher? Parar no tempo não dói, muito pelo contrário... é confortável demais. Tão confortável quanto teu sofá. E pasme (embora tu saibas disso), ficar sentado nele não te agrega em nada. 

O projeto
 
Faça algo de novo, pule de asa delta/de base jump/da sacada até a piscina. 

Sinta o frio na barriga/conheça uma nova montanha russa/faça uma declaração de amor ao vivo. 

Recomece algo do zero com os olhos vendados/desvie o trajeto/conquiste algo novo. 

Escreva uma poesia e declame para alguém/mude de emprego/comece um curso mais difícil mas sinta medo, medo suficiente para poder olhar para trás e ver que foi muito melhor que ter feito simplesmente "nada". 

Essa foi uma singela reflexão acerca de uma das centenas frases de Carlos Drummond de Andrade, no dia do aniversário de sua perda. 

E você, vai fazer nada? Tenha medo de comentar, mas comente esse post!

Fatos


Do cheiro a lembrança.
Do olhar a esperança.
Do abraço a segurança.
E para o inesperado ele se lança.

Do carinho o calafrio.
Do beijo o arrepio.
Da ausência o vazio.
E seu coração ele abriu.

E que bela mudança.

Daquele outro surgiu.

De tudo a beleza.
Do dançar a leveza.
Do jeito a destreza.
E das dúvidas enfim a clareza.

E em seu pensamento restou a certeza.
 
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