"Roupas"

É possível sermos várias pessoas, e ao mesmo tempo ser uma só?
Não é de hoje que se discute a correlação entre as duas palavras acima referente à “balada”. Ser eficiente ou eficaz traduz duas características muito distintas para aquele assíduo freqüentador do meio noturno, do ambiente que envolve negociações, em sua maior parte, ganha ganha. Claro, nesse post não citaremos o tipo ganha-perde, pudera, todos ganhamos SEMPRE (ironia)! Ser eficiente na festa nem sempre produz excelentes resultados, é claro, dependendo do ponto de vista. A eficiência tem uma forte ligação com a zona de conforto. Sair do seu aconchegante canto, regado de álcool e companhias não é fácil, porém necessário! Um dia todos tivemos uma eficiência 100%, na época em que beijávamos somente laranjas ou espelhos (para as meninas). Em uma equação que se multiplica por zero, seria lógico que o resultado seria positivo. Pois bem, cresceríamos e enfrentaríamos o temido “toco”, o “fora”, o carão, como diria meu pai. A eficiência foi baixando até que todos nós emplacamos algum resultado positivo, mas atenção estamos falando em eficiência! A eficácia engloba um outro universo, o universo do “galo cinza”. 10 foras x 2 pegadas, 8 x 2 pegadas, 5 x 5 ... yeah man! 50% de efetividade. Mas e aí? Arrastou (como dizem os “meus amigos”)? Você passou por um estágio porém não pelo chefão da fase (relembrando o célebre Mario Bros). De que adianta aquela desenvoltura na pista de dança se o cara não emplaca uma fêmea? De que adianta aquele corpanzil se o cara gosta não gosta da fruta? Vamos direto ao assunto. O bala é a eficácia, o legal mesmo é o objetivo, o modo de como você vai atingir não importa. Esse final de semana na praia estava mirabolando o desenrolar desse post. Estava dando uma volta pelo centro e verifiquei uma dupla de meninas que esbanjava sensualidade em trajes minúsculos, atraía olhares de muita gente ao mesmo tempo em que esnobava times e mais grupos de rapazotes que ali investiam alguns minutos. Pensei em qual a estratégia delas, qual seria a intenção de atrair olhares e não conversas ou pessoas atraentes. Não consegui conclusões visto a confusão que elas fizeram em minha cabeça. Bom, não imaginava que mais tarde as veria na beira da praia circulando sem êxito. É lógico, de biquíni o cenário muda, e como! A concorrência era muito maior. A eficiência dos caras que chegaram nelas na beira da praia era muito superior daqueles que deram a cara à tapa na calada da noite. Espertas, aproveitadoras, malandras? Sei lá... só sei que a estratégia dos que esperaram um encontro à luz do dia foi muito mais bem bolada. Se rolou somente a obtenção da eficiência? Não sei... Se concluíram a eficácia? Duvido muito... agora, se fosse eu..... Viva o calor!

Batista, cadê você?

Tudo em nome da ciência

Qualidade de Vida Que Criamos

Texto fantástico do Dalai Lama que quis compartilhar com o povo do blog. Se gostarem sugiro esse blog: www.samsara.blog.br. Se o primeiro fato verdadeiro é que a vida em geral não é fácil, certamente não devemos esperar que ver a natureza de nossa mente será algo simples. A natureza da mente de fato, em qualquer nível, não é muito óbvia. Até identificar e reconhecer corretamente o que é a mente é extremamente difícil. Só para começar a tentar ver já precisamos de forte motivação. Devemos ser claros sobre porque gostaríamos de ver a natureza de nossa mente.A fundação para qualquer nível de motivação espiritual é levar a sério nós mesmos e nossa qualidade de vida. A maioria das pessoas acorda de manhã e vai para o trabalho ou escola, ou fica no lar cuidando da casa e das crianças. No final do dia, estão cansados e tentam relaxar: talvez bebendo uma cerveja ou vendo televisão. Uma hora vão dormir e, no dia seguinte, repetem a sequência. Gastam toda a vida tentando ganhar dinheiro, sustentar a família e ter qualquer diversão e prazer que consigam.Embora a maioria das pessoas não possa alterar a estrutura de suas vidas, elas sentem que também não podem mudar a qualidade de como vivenciam essa estrutura. A vida tem seus altos, mas também muitos baixos, todos bem estressantes. Sentem que são uma pequenina parte de um mecanismo sólido gigante, do qual não podem fazer nada. Então vão pela vida de modo mecânico, passivo, como passageiros de uma montanha russa que dura a vida toda, indo pra cima e pra baixo, assumindo que não apenas os trilhos, mas também a tensão e o estresse vivenciados nesse ciclo são partes inevitáveis dessa volta sem fim.Já que tal experiência na vida de alguém pode ser bastante deprimente, apesar dos prazeres, é essencialmente vital fazer algo a respeito. Apenas beber até o esquecimento toda noite, ou procurar constantemente entretenimento e distração com música e televisão o tempo todo, ou jogar jogos de computador incessantemente para nunca ter de pensar na vida, nada disso vai eliminar o problema. Devemos nos levar a sério. Isso significa ter respeito por nós mesmos como seres humanos. Não somos apenas peças de uma máquina ou passageiros impotentes de uma volta pela vida -- às vezes suave, às vezes turbulenta. Precisamos, então, examinar mais de perto o que estamos vivenciando cada dia. E se percebermos que estamos estressados pela tensão de nossa cidade, casa ou escritório, não devemos apenas aceitar isso como algo inevitável.Nossos ambientes de vida, trabalho e lar, incluindo as atitudes e comportamentos dos outros, apenas fornecem as circunstâncias com as quais vivemos nossas vidas. A qualidade de nossa vida, o que nós mesmos estamos vivenciando agora mesmo, contudo, é resultado direto de nossas próprias atitudes -- de ninguém mais -- e do comportamento que elas geram. Dalai Lama (Tibete, 1935 ~) e

2010

Viver é ter experiências. Vivo dizendo aqui que sou/somos resultado das experiências que vivenciamos.

Agora, o que faz com que nós sejamos nós mesmos? Nossas experiências? Nosso corpo? Nossas idéias?

Se eu tirar as experiências que tive, ainda continuarei existindo, ainda serei eu. Se tirar um braço, uma perna ou um pulmão, continuarei sendo eu mesmo. Se não tiver idéias, continuarei existindo.

Sozinhas as experiências não são nada além de memórias. Um braço sem um corpo não faz uma pessoa. Uma idéia sem uma ação não faz uma reação. Agora, quando misturados, os elementos criam um novo elemento: eu.

Sei que existo. Sei quem eu sou. Estou certo disso.

Da certeza há a dúvida. E sem dúvida não há certeza.

Há momentos em que somos certeza, e não sabemos que somos dúvida.

Há momentos em que somos dúvida, desejando que fôssemos certeza.

Da dúvida, o anseio pela certeza. Da certeza, o medo da dúvida.

A bem da verdade não sabemos quem somos. O que nos contrói.

Somos o resultado de muitos fatores. Somos um corpo, resultado de uma atividade biológica, ao mesmo tempo em que somos sonhos. Irreais, imaginários.

Ouvi dizer que “o todo é a soma das partes”. É mesmo. De quantas partes? Para que saber?

Continuarei sendo o todo, o resultado das partes.

Viver é somar. É ir juntando pedaços de coisas que vão, aos poucos, construindo quem você é. Somos arquitetos da nossa existência.

Se estou vivendo uma dúvida, junto um pedaço de experiência, com um pouco de reflexão. Aos poucos vou adicionando o tempo necessário, e, no final, junto a situação. Viverei a certeza.

Somos objeto de nós mesmos. Construímos o que estiver pronto para ser construído, e, pode ter certeza, nossa vida está pronta para ser construída. Por nós mesmos.

Quem realmente somos? Somos o todo. A soma das partes. Impermanentes. Presentes.

Abstinência de Emoções

Se soubesse, realmente, o que lhe faz feliz, de repente faria tudo diferente... Não compraria outra carteira de cigarro sem sequer ter terminado a antiga, ainda reclusa no bolso de seu terno.

Estar abstinente de emoções era sua maior vontade. A vontade de se isolar e acreditar que poderia ser completo na sua solidão. Pudera, seus momentos de maior compreensão do interior estavam presentes nessas lacunas, as velhas lacunas do seu quarto.

Sentado na janela, crendo que seu violão era seu maior parceiro desligou o rádio e trancafiou a mente na tela widescreen, tentando decifrar os mais de mil códigos que seu cérebro codificava acerca de seus anseios.

A véspera de datas como a presente faz com que uma reflexão macro faça parte de nosso oceano de lamúrias. Confesso que as datas de fim de ano nunca me alegraram, também confesso que o espírito de união familiar tem estado muito distante de mim.

Atualmente me contento com pequenas coisas, pequenos gestos onde a finalidade de ficar sozinho tem por foco o simples ato de entender o que me estufa o peito. Ainda hoje fiz um retrocesso de alguns pensamentos e vi que muitas coisas em minha vida ainda estavam vagas, que muitas decisões poderiam ter sido diferentes, que muitas respostas mereciam a escolha de novas alternativas.

Mesmo que a intenção de fazer tudo diferente esteja muito presente em mim, sei que a prévia de uma virada de calendário sempre exalta as falhas do ego e os buracos de nossa auto confiança, afinal é o momento da reciclagem... o momento de reiniciar a busca do ápice em nossos pilares, a eterna busca da satisfação.

Estar abstinente de emoções facilita, e muito, a tomada de novas decisões, de escolher as novas metas para o ano que seguirá, de realizar previsões sobre o que poderá acontecer e traçar alternativas... um determinado contorno para esses riscos calculados.

Meu maior desejo no momento é passar uma virada de ano sozinho... sem deixar de ser levado pelas emoções alheias... o falso desejo de feliz ano novo daquelas pessoas que você nem conhece, daquele abraço vazio, sem graça nem calor humano suficiente para te animar.

Não é tristeza, não é depressão... muito longe disso. Acredito que quando estamos bem podemos ser felizes sozinhos. E é o que sinto! O que gera minha felicidade está ao meu alcance o tempo todo. Seja a oportunidade de tocar um a bela música ou ler um bom livro, costumes que lavam a alma.

Sei que não é a melhor escolha tendo em vista a realidade de família que vivemos, face ao cumprimento de agenda a que estamos submetidos. Para alguns pode ser egoísmo, para outros até uma angústia mal resolvida, porém para outros a felicidade quando encontrada, pode estar a um simples gesto, um gesto de descanso. Sigo por aqui. Sozinho... até quando? Não sei! Longe do stress e do barulho, sigo minha celebração, a festa da minha alma, o conhecimento aprofundado daquilo que me diz respeito à realização pessoal.

FELIZ 2010!!!

Star Wars Blues

Administração de expectativas (1)

Tema já falado aqui.

Essa idéia eu venho digerindo desde o início do ano, e acho que agora é o momento.

Como administrar uma expectativa?

Devo deixar claro que a ótica do texto não é voltada para as expectativas que temos em relação aos nossos planos, e sim as expectativas que os outros tem em relação a gente.

Não vou ser hipócrita ou demagogo de dizer que vivo apenas conforme as minhas expectativas. Sinceramente, na minha humilde opinião, quem vive assim é irresponsável e imaturo.

Não vamos esquecer que temos parentes que contam com a gente, um chefe que nos contratou por algum motivo e paga nosso salário, um amigo que espera o nosso ombro em um momento ruim ou um parceiro(a) que aguarda o momento em que chegamos em casa para "fazer um programa a dois".

Aliás, vale a reflexão: o homem só cresce (no sentido de amadurecer) quando percebe as expectativas que os outros tem sobre ele e as administra, assumindo a responsabilidade pelos seus atos.

Uma vida em sociedade pressupõe que as pessoas tenham expectativas umas sobre as outras. O pedestre tem expectativa de que o motorista do carro irá parar no sinal vermelho, para que ele possa atravessar.

É assim e ponto. Se alguém não concorda tente me convencer.

Viver é uma arte complexa e enriquecedora. Enriquecedora do ponto de vista em que sempre poderemos aprender com alguma situação. Complexa pois vivemos equilibrando as nossas expectativas e anseios com as expectativas, anseios e atitudes dos outros (para informações complementares sobre o diálogo interno do cidadão, leia Equilíbrio).

Acontece que em diversos momentos, somos surpreendidos com atitudes hostis em relação ao nosso posicionamento.

Isso acontece quando a nossa própria atitude vai contra a expectativa de alguém.

Nesse momento é que surge o dilema: como administrar expectativas?

Minhas atitudes serão 100% assertivas a partir do momento em que eu souber o que o outro espera de mim.

Exemplo: em um relacionamento o cara manda mil mensagens para o celular da namorada, o dia inteiro. Ele acha que está demonstrando carinho. Ela acha que ele está demonstrando insegurança. A expectativa dele é querer agradar. A expectativa dela é se sentir segura. A atração vai aos poucos desaparecendo.

Se um soubesse da expectativa do outro, certamente o desenrolar da história seria diferente.

Se eu sei o que alguém está esperando de mim, a atitude ecologicamente correta é:

  1. analisar se sou capaz de fazer;
  2. ponderar se eu vou fazer algo que não vá ferir meus princípios; e
  3. dar a essa pessoa o que ela espera.

Se meu chefe espera que eu entregue um relatório dentro de uma semana, e eu sei disso, irei fazer o relatório dentro do prazo, pois sei qual a expectativa que o outro tem. Se eu não souber a expectativa de meu chefe, poderei entregar o relatório daqui a um mês, bem melhor elaborado, mas de nada servirá.

Nem sempre as pessoas dirão as expectativas que tem sobre a gente. Faz parte da vida.

Nesse momento é que devemos ficar atentos ao ambiente ao nosso redor. Ficar atentos às nossas raízes históricas.

Se olharmos para o ambiente, ou prestarmos atenção no outro, poderemos ter uma breve idéia de qual é a expectativa que o outro tem sobre a gente.

Se olharmos as raízes históricas, poderemos saber qual a expectativa dos outros. Exemplo: filhos buscam a aprovação dos pais. Mulheres buscam segurança. Homens buscam aceitação no grupo.

É histórico, e vem desde os primórdios da evolução humana. Está enraizado em nossas atitudes e permeiam nossos atos.

Um pouco de análise crítica pode ajudar. Pare. Observe. Estude as reações dos outros.

Mesmo sem sabermos a expectativa do outro, poderemos ter uma noção do que está nos esperando. E teremos campo para trabalhar.

Moral da história: transparência. Se as pessoas fossem transparentes quanto as expectativas que possuem, certamente elas seriam cumpridas.

Se eu tenho uma expectativa, devo deixar ela clara, devo ser transparente, e dizer o que quero. Assim as pessoas envolvidas podem administrar a situação.

Fale para seu parceiro(a) o que você espera dele(a)... quais as atitudes... fale para seus empregados o que você espera deles... seu rendimento... fale para seus amigos... fale com seus parentes... fale com desconhecidos...

Quando alguém falar com você, tente satisfazer a expectativa do outro... e crie um círculo virtuoso.

Agora, há um problema: e quando a pessoa não sabe qual é a sua expectativa? Para quem não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve?

Aguardem outro post sobre o tema.

Abraço!

Melodia

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O Umbiguismo

Acredito que a maioria dos problemas que existem hoje em dia na nossa sociedade consumista e capitalista gira em torno de um grande problema, que é fruto de nossa ignorância, o egoísmo. Somos criados sendo consumistas, os pais acostumam seus filhos a terem coisas, mimam seus filhos, os protegem como se estivessem dentro de uma bolha. Nada pode sair errado pro filhotinho , muitos crescem sem ouvir a palavra não. Claro que isso cria um comportamento totalmente voltado para as necessidades pessoais. O mundo do lado de fora pouco importa, desde que “os meus interesses” não sejam afetados. O resultado disso são políticos que entram em cargos com objetivos pessoais, relacionamentos fracassados e pessoas infelizes, e que se tornam cada vez mais infelizes por esperarem que tudo gire ao seu redor. No âmbito da política, não é difícil de perceber que o que mais importa para os nossos gloriosos, deputados, ministros, presidentes e afins, é a imagem pessoal, as próximas eleições, as diárias, o aumento nos honorários. A maioria deles nunca se deu conta (por ignorância ou falta de caráter), que eles, mais do que ninguém, são capazes de transformar a vida das pessoas de seu país, estado ou cidade. E por ignorância também, acham que existem coisas mais importantes do que trabalhar pela melhora da sociedade que eles representam. Já nos relacionamentos o problema se repete, é costume esperar muitas coisas dos outros, fazer alguma boa ação para o seu companheiro pensando em receber algo em troca. Não são raros os casos que conheço de relacionamentos que desmoronam pelo simples fato das pessoas só pensarem em si, “no que é bom pra mim”. O que vou ganhar, os relacionamentos parecem ser cada vez mais um contra o outro. Quem trai mais, quem consegue controlar mais o outro, eu quero isso, tem que ser assim... O que gera são pessoas infelizes, insatisfeitas com o relacionamento, com o emprego com seu corpo. Com o MEU namoro, MEU emprego, MEU corpo. E o resto? O que temos feito para as outras pessoas serem felizes? Pra mim a sociedade funcionaria melhor se as pessoas focassem menos em si mesmos, e olhasse o eu como um todo. Utopia? Talvez... Parafraseando Natiruts “cantando mando um alô, para você que acreditou, que podia ser mais feliz, vendo o outro ser feliz”. Acho que é por ai!!

Celebrar

Já fiz isso antes, e vou fazer novamente. Nem sequer é minha vez, só que a oportunidade e a data são únicas.

Não por pouco eu divido este espaço com dois grandes amigos: Beto e Teuso.

O aniversário de um já passou, e agora chega o aniversário do outro. E, mais uma vez, quem ganha o presente sou eu.

Existem muitas pessoas neste mundo. Algumas são nossas conhecidas, outras são nossos parentes e alguns poucos podemos chamar de amigo.

Amigo.

Palavra que é banalizada no dia-a-dia, em um mundo que as pessoas vivem de favores e criam "amigos" por mero interesse...

Agora, amigo de verdade, ahhh.... esses são poucos. Que bom. Há quem diga que o que é pouco é mais valorizado.

Não sei. Sei que valorizo enormemente os amigos que me cercam.

Hoje um grande amigo faz 25 anos. Um quarto de século de histórias, que devem ser guardadas dentro dos corações de quem as viveu.

25 anos de vitórias e derrotas. De títulos conquistados (e não estou falando apenas de 2006). De superação. De amadureccimento. De crescimento.

Muitos foram os churrascos, as conversas, as gargalhadas. Também foram alguns momentos de desabafo, de confissões e de ajuda.

É assim que uma amizade é feita. É construída aos poucos, com momentos bons e ruins, assim como as coisas que acontecem em nossa vida. É isso que amizade é: vida. Verdadeira. Inspiradora.

É Teuso... mais de uma década se passou desde que viramos amigos. Muito aprendi contigo e tenho certeza que tenho muito mais para aprender.

Esse teu jeito verdadeiro, único, determinado, maduro, consciente, livre e presente servem de inspiração para mim e muitas das pessoas que te cercam...

Como já disse, amigo não deve ser descrito em palavras... e bem que eu tentei.

Parabéns amigo e obrigado pelo presente que é essa amizade.

A Europa será pequena!

A reengenharia do namoro

Fazer tudo do zero, criar o novo, esquecer vícios, adotar novas perspectivas... TODO DIA! Efetuar a reengenharia dentro de si (e do outro) em uma relação a dois é nada fácil, porém é essencial para galgar novas celebrações de datas e quiçá algo duradouro.

Fácil não é, porém poucos estão dispostos a fazerem sacrifícios (fora da rotina) em prol do benefício do(a) amado(a). Atitudes simples podem fornecer a combustão necessária para que a rotina não tome forma e vire um agregado, assim com sogra, cunhado, cachorro...

Sexta feira , ao realizar de carro um trajeto pessoal, me deparei com um roteiro que usualmente faço. Pensei que, assim como a rota que meu cérebro traçou, fazemos coisas muito mais automáticas e delicadas com o outro (amante). A forma de atender ao telefone, o jeito de receber um agrado, a maneira de como elogiar o seu cabelo, o tino de perceber como ela se arrumou para você. Podemos não notar, mas elas NOTAM! Se o piloto automático é mode ON, a cegueira necessita ser mode OFF. Para preservar algo, a reengenharia precisa estar presente do mesmo modo que lugares e programas precisam ser editados (pouco repetidos).

A mesmice, comumente falada, afeta todos os namoros, desde os sub até os desenvolvidos. É uma questão de tempo, de assimilar, de entender as diferenças temporais bem como os picos de humor.

Sexta feira presenciei uma cena em que um casal (faixa dos 34 anos), aparentemente apaixonados, discutiram (explicitamenmte) por besteira. Levantaram-se pagaram a conta (palavrões no ar) e foram embora distanciados um do outro, de modo que no meio de ambos houvesse espaço para o início de um novo casal. Discussões como essas infelizmente são normais, problemas de compreensão são inevitáveis, o que não pode ocorrer é a abstenção da reengenharia.

Flores em plena segunda-feira, uma ligação fora do horário comum, um e-mail dedicado, uma carta escrita à mão, um bombom escondido na gaveta, um post it na porta do closet, um alarme no celular. Diversas formar de começar do zero estão evidentes aos praticamente de um namoro antigo-atual.

Quem está disposto a conceder esses novos sentimentos certamente terá pela frente uma tranqüilidade maior se houver o interesse de amar infinitamente. Presentes como esses não custam, são fáceis de encontrar e estão a disposição de qualquer um.

O romantismo está presente, as oportunidades de ser feliz idem, resta a você saber utilizar as ferramentas para provocar suspiros, elaborar surpresas e o melhor, alimentar a saudade!

A Verdade Nua e Crua

De quando em vez nos deparamos com a seguinte situação: a verdade.

O que é a verdade? É a "iluminação". É a solidez das idéias. A clareza do pensamento. A resposta definitiva aos questionamentos. É a conclusão.

Nem sempre a verdade é bonita e limpa. Há momentos em que a verdade é tão suja que não a vemos como verdade. Negamos a verdade insconscientemente.

Somos seres humanos, portanto, pensantes (supostamente). Deliciosamente vivemos nossa vida escolhendo caminhos e buscando pelo prazer. Seja um bem novo, uma idéia que nos complete, um ideal, um sonho. Uma festa, um hábito, um padrão de vida. Um sorriso. Amigos. Vivemos buscando preenchimento.

E a velha máxima: pessoas são pessoas. Somos completamente incompletos. Buscamos a verdade em nossa vida pois nossa vida é incompleta.

É ou não é? Sempre há algo novo para buscarmos. Sempre há um novo sonho esperando para ser realizado.

E pessoas incompletas vivem. Vivem buscando ser/ficar/estar completas.

Algumas pessoas (e por que não todas) acabam completando a si mesmo nos olhos de outras pessoas.

Amigos com interesses comuns completam. Um(a) parceiro(a) completamente diferente completa. Uma torcida completa.

Moral da história: completamos uns aos outros.

Até aí tudo muito bonito e simples.

Questão: e se o outro que nos completa não está na mesma sintonia que a gente? E se a peça que falta para fechar nosso quebra cabeça tiver formas diferentes do espaço que falta no tabuleiro?

É meus caros. A vida não é facil.

Quando tratamos de relacionamentos geralmente nos deparamos com essa questão. Duas pessoas em situações completamente diferentes.

O que os homens querem? O que as mulheres querem?

Homens querem companheirismo. Como? Através de mulheres bem resolvidas.

Mulheres querem segurança e estabilidade. Como? Através de homens profundos, livres e presentes.

Se o casal não se dá conta do que um ou outro precisa, a língua falada pelos amantes será completamente indecifrável.

As palavras poderão ser parecidas. O sexo poderá ser interessante. A presença do outro poderá trazer conforto.

Temporariamente.

Algo estará faltando.

Conexão.

Atração.

Aquela coisa que faz com que os relacionamentos sejam sentidos/vividos, e não explicados.

Homens e mulheres que não se entendem podem até estar felizes. Agora, o mais importante: ELES NÃO SERÃO FELIZES.

É meus amigos, essa é a verdade nua e crua. Dificilmente percebida por muitos, mas sentida por quase todos nós.

Quem nunca sentiu estar em um relacionamento em que a conexão estava fraca? O elo estava rompido? Que em alguns momentos era bom, mas em outros não?

Homens precisam ser homens. Mulheres precisam ser mulheres.

Homens precisam ser estáveis, seguros, produndos, livres. Precisam conduzir as mulheres em todas as suas formas. Precisam saber trabalhar com suas expressões. Precisam entender sua energia.

Mulheres precisam ser companheiras. Precisam liberar seu feminino sem medos. Precisam ocupar o lugar que só cabe a elas em uma relação. Precisam ser a explosão que são, sem limites.

A mulher dá o gás. O homem dá a condução.

Relacionamentos assim preenchem os amantes.

Amantes preenchidos acabam por preencher as pessoas que os cercam... e o mundo cresce.

Evolui.

(In) Comum

Há tempos ele colocava em xeque sua felicidade, sua eficácia no quesito ser notado ou presenciado no que diz respeito sua ausência. Havia momentos em que julgava-se incapaz de contornar suas lamúrias e pensava, por inúmeros e inacabáveis breves instantes, que sua fuga poderia ser o além, o lugar aonde tudo se encontra e jamais se regressa. Contudo nunca teve coragem para tal, considerava-se um fraco por facilmente desistir de fáceis estágios, aonde compunham sua integridade física e emocional, ao passo que se denominava forte pelas façanhas, caminhadas e jornadas que até ali, teriam lhe guiado... O sujeito? Sem nome. Seu predicado? Descontente. Conteúdo? Ora vazio, ora cheio... tal amigo teimava em querer acreditar que certas batalhas seriam sofridas sem suor ou sem a ardência de uma lágrima em um rosto calejado, calejado pelo tempo que o mantinha corroído pelas tentativas nada prósperas. Porém como a oscilação de seu temperamento, sempre hesitou a cada tentativa ou pensamento drástico, aonde consolidada desistência e abstinência... afinal abster-se era a palavra predileta, por vezes, afinal não encaixava-se no grupo dos frágeis. Forte, porém nada resistente... chorava fácil e apavorava-se por pouco, a vida mostrou-lhe que o medo era superado a cada nó em sua garganta.. Passado o tempo, seu exemplo, quando seguido por alguns, tornava a vida um pouco menos sinuosa, beneficiando sua flexibilidade com as diferenças de momento e sua capacidade de aceitar as duas pontas da gangorra. Não distante do correto, mantinha sua integridade atrelada ao modo de pensar, contudo sabia que as vezes sua intenção, por mais que fosse boa, não seria a mais adequada. Sempre sólido, jamais mudara de lado. Todos esses anos contribuíram para que essa personalidade oculta fosse transmitida em lágrimas, nem sempre de tristeza, algumas vezes de alívio, outras de ansiedade... ansiedade composta pelo Sim otimista e do Talvez, resistente... porém nunca pessimista. Essa reflexão tem, por base, a face oculta de alguém que, como muitos, não contenta-se diariamente, não satisfaz-se com pouco nem muito, apenas tenta levar a vida adiante utilizando as ferramentas que à sua mão estão por perto. A consciência? Leve. A personalidade? Forte? A resistência? Porosa... Ora fraca, ora imersa em um movimento de altos e baixos... afinal ser de ferro enferrujaria sua bela e grandiosa alma.

Do Nada Veio o Vento

Do nada veio o vento. Eu tava na quadra de tênis hoje, tava quente, abafado, tá certo que uma tempestade tava se formando, mas um segundo antes de bater a maior ventania que eu já presenciei, a velocidade do vento era perto de 0 km/h, não tinha nada de vento! Daí do nada veio uma ventania que fez tudo levantar vôo, o mais magrinho da quadra quando eu vi tava agarrado no poste de iluminação! Era bolinha voando, mesa saindo rolando, saibro no olho, um tufão ou alguma coisa do tipo... Eu nunca tinha visto isso antes. O vento era tão forte que não deu mais pra treinar por causa dele. Nos meus vários anos de tênis eu nunca tinha passado por isso. Duas coisas importantes me vieram na cabeça. O aquecimento global está começando a afetar a minha vida, como eu nunca tinha percebido antes. Há quem diga que tudo isso é cíclico e talvez não exista tanta influência dos seres humanos para que isso aconteça. Sei lá, parece que o aquecimento global é mais lógico (Dêem uma olhada no filme “Uma verdade inconveniente”). Mais do que nunca é hora de fazermos alguma coisa, pegar e dar mais carona, ir de ônibus, banhos mais curtos, xixi no banho... enfim, mudanças de hábitos. A outra coisa que me veio na cabeça, e que ta nela há alguns dias é a impermanência (Detalhe que o word não reconhece essa palavra). Assim como num segundo não tinha nada de vento e no próximo havia o vento mais forte que eu já presenciei, todas as coisas mudam, podendo ser pra melhor ou pra pior. Isso é impermanência. Por começar pelo universo que nós estamos, ele não existia, um dia aconteceu o big bang e tudo começou, o universo ta envelhecendo e um dia vai acabar. Nos darmos conta da impermanência é sabermos que nada é pra sempre, que um dia a gente vai morrer, e sim, pode ser agora, o temporal que ta caindo pode fazer com que o telhado da tua casa caia na tua cabeça e tu morra. Que venha um tsunami e destrua tudo! É saber que todas as pessoas que a gente mais ama também vão morrer, ou podem se tornar as pessoas que a gente mais odeia, ou nós podemos amá-las pro resto da vida. Que amanhã tu seja despedido e que no sábado tu pode ganhar na loteria. Que tu pode se matar estudando e não passar no vestibular, ou passar em primeiro lugar e ser o médico mais bem sucedido do país até tu descobrir que tu tem a doença que tu sempre curou e não a curar, ou se curar e se tornar o melhor médico do mundo. Que tu pode sofrer e fazer os outros sofrerem, ser feliz e fazer os outros felizes. Não se consegui passar algo sobre impermanência, mas pra mim ela é o melhor meio pra conseguirmos a liberdade, de vermos as pessoas com mais compaixão, de valorizar o que temos e que vivemos. E principalmente de evitar o sofrimento, pois se sabemos que tudo pode acontecer, além de vivermos mais intensamente o momento, aproveitaremos melhor os momentos felizes e não morrermos sofrendo porque estamos com câncer ou porque a pessoa que tu se casou e montou uma família descobriu, depois de 20 anos de casado, que tu não era o amor da vida dela, ou tu pode descobrir isso... Simplesmente saberemos lidar com isso. Saber da impermanência é ser livre. OBS: Vejam o filme Paris, é espetacular.

Orientação x Virtudes

Orientação.

Por que cargas d'água (e nos últimos dias houve muita chuva) eu resolvi falar sobre isso pouco ou nada importa.

Leiam como uma continuação dos últimos tópicos recorrentes aqui do site (que anda um pouco parado).

Falta de orientação. Eis o algoz da atualidade.

Em um mundo marcado por redes sociais, infinitas oportunidades, milhares de distrações e velocidade nas escolhas, o que realmente tem imperado é um senso comum de falta de orientação.

Sim, posso até definir com um resultado cármico coletivo. E como todo carma é passível de mudança (afinal, nada neste mundo é permanente - muito menos o permanente dos cabelos!).

Pois bem, aleijado o efeito negativo, regozijemos-nos com a benece que uma mudança de foco nos propicia.

Percebo a maior parte do mundo como pessoas/sociedades/grupos sem orientação. Por orientação digo "o caminho para um objetivo".

Tenho visto um caminhão de gente que simplesmente vive suas vidas sem a menor preocupação com os seus objetivos. Mas tche, olhe para dentro de ti mesmo!

Quando eu não tenho um objetivo, ou não sei quem eu sou, qualquer lugar serve, qualquer idéia é boa, qualquer conselho é aceito. É como deixar um barco com o motor desligado à simples mercê das marés!

O homem (e a mulher também) precisa ter objetivos. Ter sonhos. E precisa ter orientação para seguir os seus sonhos.

Aquele que sabe onde quer chegar saberá qual caminho escolher. E com certeza será feliz no caminho.

Vejo muitas pessoas infelizes sem saberem o por quê (e não critiquem se o uso gramatical do por quê está incorreto - não ligo a mínima!). Sofrem por motivos algumas vezes fúteis e inúmeras vezes bobos.

O sofrimento (infelicidade) dá-se devido ao fato de que estas mesmas pessoas esqueceram quem elas são: quem sou eu? Quais são meus objetivos? Quais são meus sonhos? O que me faz bem? Como eu sou? Como eu me percebo?

Quando elas esquecem quem são, qualquer olhar gera insegurança, insatisfação, medo, angústia, tristeza e pesar.

O mundo de fora vale mais do que o mundo de dentro.

Ainda bem que isso é MENTIRA!

Essas mesmas pessoas tristes são completa e irradiantemente felizes. Como?

Elas podem mudar sua situação. Podem mudar o foco. Podem substituir a lágrima por um sorriso.

Como?

Olhando para dentro de si mesmas! Claro, a tarefa é difícil. Veja bem: DIFÍCIL, E LONGE DE SER IMPOSSÍVEL.

Estou triste? Infeliz? Com dúvidas? Simples. Deixo de olhar para fora e olho para mim mesmo. Olho-me no espelho.

Vejo que tenho um mundo de oportunidades, e sou feliz por poder aproveitá-las. Sou feliz pois tenho liberdade de escolhas.

Sou alegre pois tenho pessoas que gostam de mim do jeito que eu sou (nem que essa pessoa seja eu mesmo).

Tenho a certeza de que poderei escolher fazer o que me dá/traz liberdade. E terei escolhido o certo.

Isso é orientação. É seguir aquilo que tu espera/deseja/quer/sonha.

Basta mudar o foco e veremos que podemos escolher ser felizes com aquilo que realmente queremos. Com aqueles que realmente nos fazem bem. Com nossa liberdade. Com nós mesmos.

E sendo felizes (seguindo nossas orientaçãoes) estaremos criando um estoque de virtudes que mudarão o carma coletivo: sigo meu caminho e tu estará sendo beneficiado.

Se não conseguires fazer isso, relaxe. Eu estarei seguindo o meu caminho, e em algum momento tu será beneficiado.

Abração.

Escolhas

Texto de um leitor. Que merece ser publicado.

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É possível afirmar, sem medo de errar, que o dilema entre fazer o que é certo e fazer o que é bom é o problema mais antigo e, ainda assim, mais atual que uma pessoa pode enfrentar. A situação é comum a todos e acontece das mais variadas formas. Imagine que eu estou caminhando na calçada e vejo cair do bolso da pessoa à minha frente uma nota de cinqüenta reais. Eu pego a nota e guardo para mim, ou devolvo para a pessoa? O “certo” seria devolver para a pessoa. O "bom” seria ficar com o dinheiro para mim. É um dilema. Mas e se eu sou uma pessoa muito pobre e minha família passa fome, e a pessoa na minha frente é um rico empresário prestes a entrar na sua mercedez-benz? O fato de eu ficar com o dinheiro torna-se "menos errado” nesses casos?

Ao admitir que sim, estou relativizando o que é “certo” e o que é “errado”, isto é, afirmando que somente podemos dizer se algo é "certo” ou “errado” diante de um caso concreto. É justamente com base nesse argumento que dizem por aí, como se fosse uma verdade por anos escondida na obviedade, e sempre manifestada em um tom de voz que sussura um "relaxa, cara!", que "não existe certo e errado", que essa idéia de "seguir as convenções da sociedade” é coisa do passado, que “a nova moral é ser feliz".

O problema é que, não saber o que é certo ou errado em determinada situação, ou não querer fazer o que é certo, não significa que não haja uma coisa certa a ser feita. Mas isso não quer dizer que devemos nos curvar aos padrões morais da sociedade e sujeitar nossa felicidade a isso. A vida não é fácil, mas, por outro lado, ninguém disse que seria. Contudo, fazer essas escolhas não é o mais difícil. A sacanagem da vida (e do livre-arbítrio) está justamente em fazer escolhas e conseguir conviver com elas.

É justamente aí que a coisa toda começa a fazer sentido. Certo e errado existem, sim. Sinto muito, engula o choro e aceite! Mas o que é “certo” e o que é “errado” é formado dentro de nós mesmos, e não algo que vem de fora. O nome disso é caráter. Nossa bússola moral, que aponta pro certo e pro errado em todas as situações, não importa sua complexidade. Por isso eu digo: em qualquer situação, seja você mesmo.

“Ah, mas eu só me fodo sendo assim!” Paciência. Assim como não é coragem quando não se tem medo, não é virtude quando é fácil ou bom.

Fazer a coisa certa é saber abrir mão do que é bom agora para ter o que é melhor depois. Fazer o certo, não porque os outros dizem que é, mas porque acreditamos que seja mesmo. Verdade que a nossa recompensa não se revela com a mesma facilidade e rapidez com que se consegue fazendo o que é “bom agora”, mas, lá na frente, o efeito é multiplicado e o reconhecimento por ter escolhido o caminho mais difícil invariavelmente ocorre. Ou pelo menos é assim que eu prefiro acreditar que seja.

Repolho ou Alface Crespa?

Faminto, corroído pela ansiedade de apenas abrir a geladeira, rumei para a escura cozinha. Acendi as lâmpadas fluorescentes que ainda clareavam as úmidas paredes. Apalpei, no balcão, uma faca. Peguei-a sem preocupar-me com o teor de sua higiene, coisa que pouco importava tamanha era a fome que sentia. Uma geladeira imensamente variada com laticínios e bebidas. Sim, essa somente poderia ser a do vizinho, pois a minha sussurrava por um rodízio de datas, nem que fosse uma simples troca de lugares, ou até mesmo a o preenchimento da jarra d´água. Abri a gaveta, e no meio de tanta verdura, as calejadas mãos ergueram um legume? Uma verdura? .. o verde ocre confundia o tom saudável que o alimento traduzia em uma fotossíntese já inexistente. Repolho ou alface crespa? Sanduíche ou refogado? A dúvida tomou conta dominando a fome que se fez presente do mesmo modo que a lâmpada com seu impetuoso piscar.

Muitas vezes me deparo com dúvidas simples, mas de grande resultado caso não calculadas ou quem sabe pesadas. Minhas dúvidas não são mais duvidosas que as de ninguém, mas sei que somente eu poderei resolvê-las. Chega a um ponto aonde conselhos não revertem tanto, afinal não se bate o martelo em terceira pessoa.

Um simples apoio na pia e, entre dois ou três manuseios notei a diferença entre as texturas envolvidas. Um viscoso, outro crocante, um verde ocre, o outro verde saudável. Certa ironia tomou conta do momento tendo em vista a fome que eu sentia, e o mais racional seria comer antes de pensar, afinal ambos me satisfariam.

As dúvidas, de certo modo, servem como um apoio para encontrarmos uma boa solução, ou até boas soluções. O que não gera dúvida não intriga, o que não intriga não é lembrado e o que não se lembra não tem valor. Certo que nem sempre é assim, porém diversas vezes me deparei com dúvidas banais, aonde de nada me adiantaria perder tanto tempo, tempo que outrora foi crucial para evitar tais dúvidas.

Meu paladar, alterado pela intensidade do jejum apreciou cada pedaço da folha, tornando-a saborosa, ao ponto de misturar sabores ou imaginar alimentos, sedento por uma degustação.

Alternar respostas sempre vale para imaginar um futuro no caso de cada escolha. Calcular o custo benefício geralmente é viável, porém nem sempre praticado. Sim, o coração toma conta e as dúvidas são sanadas de forma apressada. Com a proposta de acertar, nem sempre usamos todas as ferramentas, e desse jeito mudamos o rumo ou postura na tentativa e erro. Tudo bem, não é o certo, mas pensando pelo lado reacional, há um sentido lógico.

Gosto insosso, sabor desconhecido, nem bom nem ruim, apenas “gosto”. Lábios divididos, maxilar unido à mandíbula e saliva em circulação. Nesse momento sinto que um desejo toma conta de mim, fazendo jus ao ato de decidir o que fazer, ao que preparar para comer. Sim, sanduíche. Porém sem alface. O repolho? Guardei novamente, junto às minhas dúvidas não resolvidas, apenas ciente de que posteriormente será útil, tanto quanto sempre duvidar.

O Árduo Caminho

A vida de um atleta de alto nível não pode ser comparada com qualquer outra profissão, sem dúvida, ontem cometi o erro de tentar o fazer com alguns amigos e a discussão foi grande, porém produtiva. Como já tentei ser um, e hoje em dia tento fazer com que o sejam, me sinto no dever de tentar esclarecer como funciona a vida de alguém que escolhe esse caminho. Primeiramente acho importante explicar um pouco do treinamento necessário para se atingir o alto nível. Se fala em 8 a 10 anos de treinamento para atingir a alta performance. Sendo que existem capacidades físicas que devem ser treinadas, prioritariamente em idades baixas, caso contrário dificilmente o atleta alcançará a sua máxima capacidade nessas habilidades. Em esportes como ginástica e saltos ornamentais a especialização deve iniciar entre 9 e 11 anos. Tentem lembrar o que vocês faziam com essa idade... É alarmante pensar que existem crianças que com essa idade já estão treinando. Vou falar do tênis, que é o esporte que tenho experiência, no tênis o início da especialização deve ser entre 12 e 14 anos. Com essa idade já se deve treinar todos os dias, os melhores já viajam para torneios nacionais, sofrem pressão interna e, muitas vezes, externa, devem ter uma grande disciplina, ir bem nos estudos e achar algum tempo para brincar. Cinema de tarde, reunião dançante? Sim, mas às vezes. Com o passar do tempo as obrigações vão aumentando, a carga de treinamento passa a ser maior, o tempo fora de casa também, o contato com pessoas, a não ser as do meio esportivo, diminuem. Com 16, 17 anos passa-se a disputar torneios profissionais, e como já diz o nome já diz, exige um alto profissionalismo. Os torneios passam a ficar cada vez mais duros, o diferencial passa a ser a vontade de vencer, o que acarreta abdicar de família, amigos, festas, namoradas, prazeres gastronômicos muitas vezes. O que é muito duro, porque, com essa idade o que se espera das pessoas? Que comecem a pensar na sua carreira profissional. Que saiam com os amigos, que comecem a trabalhar. É difícil fugir disso, pois, com exceção de alguns atletas que já tem um nível mais elevado de tênis, por terem um conjunto de fatores que desde os primeiros anos de prática os fizeram ser “craques” no esporte e já conseguem bons resultados desde os primeiros torneios disputados. A grande maioria sofre nos primeiros torneios, enfileiram derrotas, não são raros os exemplos de atletas que passaram meses sem ter sequer uma vitória. O que os faz continuar? Ter um objetivo que seja maior do que tudo, amar vencer, ter apoio familiar, de treinadores, arranjar dinheiro, disciplina, enfim, querer mesmo!! E o que é mais fácil? Largar tudo e fazer faculdade, ter uma namorada ou ir para a noite e viver de prazeres superficiais que conseguem substituir o prazer maior.