domingo, 28 de outubro de 2007

O tempo

O tempo como tempo real, o tempo como tempo ilusório .. jamais eh transmitido como um tempo aleatório, sem querer, sem saber, sem futuro ou mesmo um passado. Tudo há seu tempo, tudo há sua hora e tudo vai embora. Culpa do tempo, o mesmo que não deu aviso, que nao permitiu tempo ou que jamais avisou que o tempo era curto. Mas porquê? Quem sabe esse tempo já havia sido programado, caso tenha sido o mesmo deveria ter sido imaginado, pois se curtido teria seu tempo dobrado ou quem sabe triplicado. A questão é simples, jamais saberemos quando um tempo significa algo passageiro, quando ele sairá à francesa. Só nos resta fazer desse tempo algo duradouro ao mesmo tempo que seja lembrado e relembrado .. Definitivamente acredito que o tempo seja algo mais complexo que entender o universo feminino, tão complexo quanto mas muuuuuito mais coerente, afinal é possivel cronometrá-lo. Queria eu que meu tempo fosse retomado, fosse melhor cronometrado outrora melhor planejado. Desse modo eu seria mais paciente, deveras independente do tempo que um dia me deixou ansioso e com muita destreza para fazê-lo voar. A partir de hoje um novo tempo deve ser vivido, deve ser zerado e contado do neutro novamente, para que cada tempo seja vivido com uma quantidade real de segundos, para que cada tempo surreal seja vivido com uma quantidade infinita de anos, para que ninguém esqueça que o tempo pode ser postergado e tão bem qualificado como tempo que não volta, mas que dá voltas .. e regressa à estaca zero a cada influência do desejo de aproveitar o tempo certo.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

... (2)

Doce é o vento que bate no rosto. Mais doce ainda é a sensação trazida pela roupa. Leve. Confortável. Os sons que outrora atormentavam uma mente inquieta, concentrada no trabalho e no que tinha que fazer, são puramente substituídos por uma melodia calma, mas com um ritmo envolvente. Ah esse ritmo! Não fosse pela batida compassada, ainda restaria um pingo de preocupação em sua mente. Agora só o que vem é a leveza do ar que respira. A beleza da paisagem que o inspira. Inspira a ir adiante. Em tempos primórdios alguém lhe disse: “O limite serve para ser quebrado. Você só sabe onde está seu limite porque o vê, entretanto, sempre quer ir alem. Se desejas isso, olhe além do limite, ou seja, quebre-o.” Engraçado não? Todas as sensações trazidas pelo vento, pelo som, pela luz do Sol que pela manhã maltrata, agora fazem dele uma pessoa melhor, mas, melhor em que sentido? O caos interno é passado. O presente é o bem-estar. E o futuro? Para uns incerto. A paisagem inspiradora mostra o futuro. O limite da sua visão é o futuro. Ou melhor, além de onde ele consegue enxergar, lá sim é o futuro. O que ficou para trás ficou, mas deixou ele mais consciente. Como agir. Como pensar. Como fazer. Como errar. O aprender a errar é lindo. Deus errou, com certeza, quando fez o céu pela primeira vez. Só por isso que o que ele vê hoje é perfeito. E ele, “dentro” dele como está, consegue enxergar o que precisa. E o que ele precisa, é só dele. Individualmente.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

...

Quinta-feira, véspera de feriado. No trabalho ele só pensa em ir para casa, ou melhor, comer um bolo-de-chuva, já que toda vez que ele olha para a janela, o clima fica mais e mais bucólico. Em dias assim não são poucas vezes que o olhar se perde. Cada detalhe da vista de sua janela é observado. Na cabeça, preocupações. Ao lado, uma imensidão, que por um momento não importa. No ouvido, um Coltrane inebria cada segundo que passa. Segundos que se vão, ou melhor, iam passando lentamente, agora, passam um pouco melhor aproveitados. E amanhã? O que me espera? Programação ele tem, mas certezas, essas fugiram. Neste mesmo momento, em algum lugar, ela está. Fazendo não-se-sabe-o-quê. Exatamente do jeito que está escrito, sem pausas. Enquanto neste momento a vida dele é lenta e despreocupada, a dela não o é. Acasos da vida os separam. Uma ligação, uma objeção, um desejo, uma coisa qualquer, que não-se-sabe-o-que. Maldito desconhecimento. Se por uma vez na vida ele tivesse uma certeza (e essa não fosse sobre seu trabalho), talvez as coisas fossem diferentes. Se apenas ele soubesse aonde ir, que horas fazer, como falar ou o que sentir... o continente que separa ele e ela sumiria. A tarde passa, o descontentamento aumenta, mas a motivação continua. Ou seria vontade? Mais uma vez a incerteza ocupa a cabeça dele. Ela é decidida, a imagem perfeita dele quando se vê no espelho. Talvez por isso, um dia, eles se encontrem, e se amem, pois alguma coisa servirá para se complementarem. Já não sabe mais que hora são. Quantas batidas do Jazz passaram pelo seu ouvido? Quantas vezes ele se remexeu na cadeira, procurando o conforto que insistia em parecer que estava na posição, quando na verdade era em sua cabeça? Mas e ela? Quem será? Como é? O que faz? Do que gosta? Não importa... importa saber o que será que ela faz agora. Enquanto, em casa, alguns assistem Sessão da Tarde, ele enrola. Ela, não sabe. Tanto pode estar lindamente deitada em sua cama, quanto pode estar correndo estressada no Centro lotado, pois o Feriado acaba com os prazos... Mas e se ela estiver sofrendo também? Assim como ele, ela pode estar procurando distração. Ela não ouve um som cadenciado e com sentimento, mas faz uma melodia que gostaria de estar ouvindo. O ritmo dela é diferente. Sensual. Triste. Estranhamente descompassado. Enquanto ele se distrai com letras e notas musicais, ela pensa. Enquanto ele pensa, ela se distrai. E a dúvida dos dois é comum. Como será que ele/ela é?

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Caia (e fique) na real...

Esse texto vai ser curto. E grosso. Tudo é rótulo, sem exceções. Conhecemos os rótulos e não as pessoas. Não só pessoas, eu digo, mas sim tudo que conhecemos. As pessoas, as coisas, os acontecimentos, são todos os rótulos. O importante é saber quem rotula. Somos nós (leia-se: sou eu) ou são os outros? Os rótulos que colocamos são difíceis de tirar, pois na maior parte das vezes os colocamos sem saber. Tão ou mais difíceis são os dos outros, pois sobre estes não sabemos muito. Sabemos o que sabemos, ou seja, o que aprendemos com experiências passadas. Mas esse saber é relativo, pelo fato que aprendemos com um rótulo. E esse rótulo, queria tapar o que? Um sincero parabéns àqueles que caíram na real. Um emocionado parabéns àqueles que caíram na real e lá permaneceram. Eu já caí, mas voltei. Quiçá eu caísse de novo. Ou melhor, caí, e na real estou. Por qual razão não te vejo por aqui?

 
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