quinta-feira, 11 de outubro de 2007

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Quinta-feira, véspera de feriado. No trabalho ele só pensa em ir para casa, ou melhor, comer um bolo-de-chuva, já que toda vez que ele olha para a janela, o clima fica mais e mais bucólico. Em dias assim não são poucas vezes que o olhar se perde. Cada detalhe da vista de sua janela é observado. Na cabeça, preocupações. Ao lado, uma imensidão, que por um momento não importa. No ouvido, um Coltrane inebria cada segundo que passa. Segundos que se vão, ou melhor, iam passando lentamente, agora, passam um pouco melhor aproveitados. E amanhã? O que me espera? Programação ele tem, mas certezas, essas fugiram. Neste mesmo momento, em algum lugar, ela está. Fazendo não-se-sabe-o-quê. Exatamente do jeito que está escrito, sem pausas. Enquanto neste momento a vida dele é lenta e despreocupada, a dela não o é. Acasos da vida os separam. Uma ligação, uma objeção, um desejo, uma coisa qualquer, que não-se-sabe-o-que. Maldito desconhecimento. Se por uma vez na vida ele tivesse uma certeza (e essa não fosse sobre seu trabalho), talvez as coisas fossem diferentes. Se apenas ele soubesse aonde ir, que horas fazer, como falar ou o que sentir... o continente que separa ele e ela sumiria. A tarde passa, o descontentamento aumenta, mas a motivação continua. Ou seria vontade? Mais uma vez a incerteza ocupa a cabeça dele. Ela é decidida, a imagem perfeita dele quando se vê no espelho. Talvez por isso, um dia, eles se encontrem, e se amem, pois alguma coisa servirá para se complementarem. Já não sabe mais que hora são. Quantas batidas do Jazz passaram pelo seu ouvido? Quantas vezes ele se remexeu na cadeira, procurando o conforto que insistia em parecer que estava na posição, quando na verdade era em sua cabeça? Mas e ela? Quem será? Como é? O que faz? Do que gosta? Não importa... importa saber o que será que ela faz agora. Enquanto, em casa, alguns assistem Sessão da Tarde, ele enrola. Ela, não sabe. Tanto pode estar lindamente deitada em sua cama, quanto pode estar correndo estressada no Centro lotado, pois o Feriado acaba com os prazos... Mas e se ela estiver sofrendo também? Assim como ele, ela pode estar procurando distração. Ela não ouve um som cadenciado e com sentimento, mas faz uma melodia que gostaria de estar ouvindo. O ritmo dela é diferente. Sensual. Triste. Estranhamente descompassado. Enquanto ele se distrai com letras e notas musicais, ela pensa. Enquanto ele pensa, ela se distrai. E a dúvida dos dois é comum. Como será que ele/ela é?

4 comentários:

Beto disse...

esse eh o meu peter..abracos chilenos ..

bj

Cláudia disse...

Grandes coisa !
Abracos Gregos ...huahuauha

Bjux

Anônimo disse...

genialll!!! muito musical

Peter disse...

obrigado anônimo!

 
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