quarta-feira, 19 de março de 2008

Vicente e Janaína III - as coisas vão encaixando

Extravasar foi a melhor coisa que acontecera na vida de Janaína. De rica e careta, ela passou à rica com consciência social. Vicente, que já estava cansado de tantas ressacas e prejuízos financeiros por apostas mal feitas, resolveu visitar “aqueles malucos que usam calça comprida, gel no cabelo e carregam um livro embaixo do braço”. Caricatamente, a religião mudou sua vida. As verdades contidas na Bíblia, e a triste história de Nosso Senhor Jesus Cristo fizeram com que ele se comovesse, e atingisse a paz interior que há muito buscava. Janaína passou a freqüentar ONGs, fazer trabalhos sociais e inscreveu-se no Greenpeace. Há quem diga que ela quase derrubou Mrs. Bündchen em um desfile da Victoria's Secret, pois piamente acreditava que seus cremes eram testados em animais. Depois de lutar pelos pobres e indefesos animais desse mundo, resolveu que gente era mais importante. Foi ao cinema e assistiu Hotel Rwanda. Ao pesquisar sobre o assunto, descobriu sua vocação: lutar pelos rebeldes e oprimidos. Vicente virou pastor. Janaína virou guerrilheira. Janaína estudou “A Arte da Guerra” em oito línguas diferentes. Não queria perder nenhum detalhe que pudesse ser omitido por uma tradução mal feita. Tornou-se especialista em estratégia. Aprendeu Kung-Fu, Muay-Thai, Jiu-Jitsu e Luta Greco-Romana (que virou sua paixão). Lutava tão bem e era tão disciplinada que em dois toques virou uma lenda no mundo das artes marciais. Tarantino ouviu falar dela e prestou uma homenagem em seu filme “Kill Bill” (não, ela não era o personagem de Uma, e sim Pai Mei, o mestre). “The Five Touching Points That Kill” era o nome de um golpe que Janaína desenvolveu, treinando com uma venda nos olhos no movimentado distrito de Marrakesh. Vicente entrou em todas as igrejas possíveis. Como era um cara que viveu na noite, tinha um dom para a conversa, fato que fazia com que ele rapidamente fosse admirado por todos ao seu redor. Usava suas palavras para transmitir a palavra do Senhor. Muitos pastores mal-intencionados usaram sua habilidade para angariar fundos, mas Vicente, vivo como era, percebia e saia do negócio, afinal, para ele isso não era um negócio. De tanto perambular pelas religiões e doutrinas desse mundo, Vicente cansou. Formou sua própria igreja: Deus me quer, e quer você também!

sexta-feira, 14 de março de 2008

Growth

Parece auto ajuda, mas nada passa da voraz intenção de crescer. Crescer, evoluir, decolar... Palavras que tinham muito mais significado na geração dos meus pais, quando se tinha um belo emprego e o esforço praticado era facilmente reconhecido pela escassez de pessoas comprometidas ou qualificadas. Uma época em que o sucesso era só uma questão de tempo, de empenho e lógica; 1+1=2 logo trabalho+empenho= sucesso. Hoje a situação se alterou, vivemos em uma época que trabalho e qualidade já não garantem uma boa oportunidade de futuro. O que aconteceu de lá pra cá? Se soubesse com certeza não expressaria esse texto, escolheria nascer há 20 anos, em um tempo que se encarava com naturalidade o aclive de pessoas ainda muito jovens. Mas os tempos mudam e as dificuldades dobram, de acordo com a multiplicação da concorrência. Todos meus amigos são graduados, todos que conheço lutam pelo mesmo objetivo, o de vencer. Ah! Se fosse somente a concorrência acirrada... A questão é que nem me espanto mais com as oportunidades encomendadas. Sim, aquelas direcionadas aos “apadrinhados”. Aí é que mora o desgosto, de que vale investir tanto, se esforçar ao máximo se o sucesso não depende 100% de você? Em suma, morte aos puxa-sacos!

segunda-feira, 10 de março de 2008

Vicente e Janaína - a continuação (parte II)

Janaína, muito embora fosse milionária, era simples. Humildade era sua maior característica. Sempre planejava tudo, era organizada e toda certinha, até demais. Quando voltou de sua especialização, seus amigos e parentes organizaram um happy-hour para ela. Por alguma coisa inexplicável, ela errou o endereço e foi parar em uma festa de góticos. Loira e chique (como sempre), ao adentrar o recinto, a festa parou (como aquele velho clichê de filmes da Sessão da Tarde). Aí tudo mudou, a casa caiu. Como constantemente bebia, Vicente eventualmente perdia na mesa de jogo, o que fez com sua carreira profissional acabasse precocemente (o que para ele foi bom, pois assim tinha mais tempo para suas festanças e suas mulheres). Mas o jogo estava no rapaz e, mesmo fora do circuito profissional, jogava por diversão. Nessas ocasiões, pelo hábito de jogar bêbado, perdia muito, e furtava dos outros jogadores, achando que assim conseguiria recuperar-se. Certa feita, foi surpreendido e tomou uma surra, acabando preso (sim, o jogador que o flagrou era policial). Janaína ficou chocada com o que viu. Toda de rosa, com batom com brilho e jóias chamativas, claramente se destacava naquela festa onde todos vestiam preto. Drogados, os freqüentadores da festa impediram que ela saísse. Depois de gritar, espernear e gritar por socorro, acabou desmaiando. Os góticos, então, deram-lhe LSD. Quando Janaína acordou, a festa tinha um elefante, alguns duendes circulando e cores chamativas, fora o som, que tinha sido substituído por um funk pegado! Não preciso dizer que a moça extravasou. Quando entrou na cadeia, após inúmeras incursões noturnas e cheias de amor dos presos mais antigos, Vicente começou a repensar a sua vida.

domingo, 2 de março de 2008

Inve boa, inveja ruim, inveja....

Em tempo, invejar é algo tão comum e derradeiro que quase é confundido com a entusiasta forma de admirar! Mas não é, invejar o distante até é bem aceito. Mas quanto ao próximo? Aí é que está, o próximo a alguém pertence? Esse alguém surte objeto de exemplo ou essa inveja é fruto da tua pura safadeza? Ser safado e invejar ao mesmo tempo pode render muitas penitências. Mas o que se fazer quando não se tem o que se quer, e quem tem o que se deseja não é bem aceito pela pessoa que venera, deseja e inveja? não fui claro? Tentarei simplificar... e se aquele fdp do teu vizinho que cria galinhas no pátio, corta a grama domingo de manhã e tem filhas maloqueiras que armam barraco toda santa noite, comprar um carro zero? Aquele carro que você tá namorando há tempos pela tv? Invejar por quê? Você deve ter um martelo na sua casa, tem? Pois bem, a igreja pune a inveja sim! todos sabemos... Mas ninguém falou nada sobre marteladas do além em plena madrugada como modo de libertação da fúria intrínsica ou oportunidade de vingança acumulada e em excesso... Não fui claro novamente? Pois bem, quebre o carro do teu vizinho.. Te garanto que não cometerás um pecado capital! Boa sorte.
 
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