quarta-feira, 2 de abril de 2008

O CAROÇO DA AZEITONA

Já dizia o poeta Mário Quintana, “...eles passarão eu passarinho” ... E daí? Eu passarinho, você urubu, ela ave-de-rapina. Mas o que se leva disso tudo? Quem realmente alguma vez compreendeu o que se passava na mente de Quintana? Concordo que ele tenha sido um bom poeta, um ícone gaúcho. Mas emocionar-se com essa frase? Pudera!!! Assim como o caroço da azeitona, o excedente não excede, só complementa aquilo que já era previsto exceder. Em uma população aonde a cultura não é valorizada, já não me espanto com a quantidade de areia que deposita-se mensalmente nos meus olhos. É creu pra cá, é agachadinha pra lá e o brasileiro continua a culpar o caroço da azeitona. Em um ambiente que valoriza a falta de moral e a ausência de conteúdo não surpreende o encontro com uma geração vazia, sem poder de argumentação ou sequer capaz de escrever um singelo texto desprovido de erros de português. O que seria do Brasil sem as modalidades depravadas? Certamente seria o país de Gales, abençoado pelo lado cultural e provido de gente culta. Mas não, o Brasil não pode viver sem a baixaria dominical, sem a falta de pudor diária ou sem a glória ao desconhecido. Fato que me surpreende é a notícia de que dois deputados brasileiros entraram com uma ação contra a Rede Globo pedindo uma revisão nos critérios na votação de eliminação do BBB. Efetuei um minuto de silencio por conta da minha ira e pensei: “-Um deputado eleito pela democracia (a tão suada democracia) importa-se com o BBB?”. Já cansei de discutir, já cansei de tentar mudar a mentalidade das pessoas que compram o pay-per-view desse programa, e adivinha o que ouvi de uma analista de marketing? “-Assistir ao BBB é bom para entender o que se passa na mente das pessoas!”. Movi mais um minuto de silêncio por conta dos graduados de papel. Mas remar contra a maré não adianta. Recolhi meus remos, guardei a vela e todos os artifícios que supostamente me tirariam desse mar “morto”. Pois bem, notei que eu estava fora de moda. E um terceiro minuto de silêncio foi em vão. Afinal são poucos (e parabenizados) aqueles que criticam essa mídia “baixa”. Depois não adianta reclamar. Profissionais fracos, autoridades despreparadas, pais alienados, filhos mal educados... Todos juntos constituem uma parcela do caroço da azeitona, fruto do transbordo da salada da ignorância.

4 comentários:

Peter disse...

Concordo e discordo (só para variar).

1. Ver BBB é bom para entender a população. Ouvir isso de um analista de marketing é ainda melhor. Mostra que alguém que lida com público se preocupa em entendê-lo. Se trabalhasse com vendas de produtos com apelo popular, certamente iria me basear em MUITAS informações que podem ser tiradas de programas como o BBB, afinal, é o teu público alvo.

2. Sim, o Brasil é o país que privilegia o abaixo do medíocre.

3. Um deputado assistir BBB é a mais pura demonstração que a democracia funciona. Em um país que a maior parte da população é pobre e mal informada, um deputado eleito por ela dever ser no mínimo semelhante. O povo escolhe seus pares, ou que mais se pareça com eles (vide o nosso presidente). Pouco importa se depois de eleito ele muda e mostra a verdadeira face, mas não lembro de políticos com alto grau de conhecimento, que só faziam propaganda junto àqueles que são formadores de opinião.

4. Se não gosto critico, e não tiro as velas. Arrumo um motor mais potente e toco por cima. Tirar as velas qualquer um tira (e por isso que tá essa suruba absurda).

5. Erros de português são compreensíveis. Ou não. Tudo tem a ver com o contexto.

Juliane Blue disse...

aaiaiaia... eu não fui a analista de marketing que disse isto? hehe. Acho que não, mas concordo com o Peterson.

Quanto a frase de Quintana, de que "tudo passará, passarinho," tb nunca vi nenhuma genealidade nela...

de resto, acho que tu não gostas da plebe (risos, eu apenas não costumo gostar das coisas que a plebe gosta). Mas, na minha opinião, a grande maioria que tem tostões no bolso é mais medíocre que a plebe

deputado assistindo BBB?
hummmmmmmmm, você queria que ele assistisse o quê?

aiiaia, acho que tu andas muito cult, devia ter ido assistir ontem Lisa lin- Lund no Santander Cultural no fim de tarde de domingo...

da próxima vez eu te convido e depois vamos na Padoca discutir o que significa ir do útil ao fútil, sem ser inútil... very cool (hahaha)

agora não reclamas que nunca postei aqui...

ah... e compra azeitonas sem caroço para descomplicar....



bjsssssss


Xavière

Peter disse...

Afora o Peterson, muito obrigado por concordar comigo...

eu sempre digo pro beto fazer isso, já que eu estou 100% certo o tempo inteiro, mas ele insiste em querer contrariar-me... hehehe


gostei do útil ao fútil, sem ser inútil...


quanto ao quintana: literatura é uma conversa entre o escrito pelo autor e a compreensão feita pelo leitor... na minha opinião quintana metaforicamente expressou que enquanto a maior parte das pessoas simplesmente existe despreocupadamente, ele vive ao seu tempo, através da beleza existente em certas coisas simples e que muitas vezes não são percebidas...

essa é uma leitura que faço da frase dele, e considero fantástica (ok, não GENIAL)...

agora, se pensarmos nesse sentido, podemos dizer que quintana tb não gostava da plebe?

seria o beto o novo quintana??

acho que tá mais pra quitanda...

Beto disse...

declaro aqui, o marco que finaliza a participação do peter"son" no blog.. e o comunicado de demissao da Xaviere ao Rh hehe

valeu pessoal.. adoro polemicas.

em breve teremos mais

abração

 
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