segunda-feira, 16 de junho de 2008

Uma crônica anunciada (e não publicada)

Cotidiano.
É a nova doença que assola a humanidade? É resultado do capitalismo globalizado? É o ode à falta de criatividade?
Quem sabe...
Maria, Cristina e Paula. Mãe, filha e neta. As duas primeiras são esposas, a última será. Quer queira, quer não queira. O destino da pequena Paula está escrito. Muito antes de Cristina nascer.
O cotidiano foi quem escreveu.
Paulo, Renato e José. Neto, filho e pai, respectivamente. Independentes, burgueses e comuns.
Por mais que hoje em dia personalidade seja a cereja no bolo, o dinheiro determine sua história social, o padrão comum da família Silva sobrepunha-se.
Todos eram (ou ao menos pareciam) ser quem eles queriam. Cada um deles tinha seu papel na sociedade, claramente definido. Ninguém dentro ou fora da família duvidada disso.
O cotidiano estava para a família Silva assim como a filosofia "Let it be" estava para os Beatles.
Não havia novo. Não havia surpresa.
Sua vida era como beijo sem vontade. Vida sem amizade. Amadurecimento sem saudade.
Sempre foi fácil acordar e fazer a mesma coisa de sempre. Mesmo a pequena Paula sentia isso. Se choro ganho o que preciso. Se mudo posso não conseguir o que quero, não? Por isso fazer sempre as mesmas coisas pelos mesmos resultados.
Era o cotidiano. Reinava sobre os Silva. Quando José e Maria casaram, sabiam que uma hora teriam filhos. Sabiam que uma hora trabalhariam. Nunca sabiam quando, mas sabiam que as coisas aconteceriam, mesmo sem saber o que seriam essas coisas. Mesmo sem falar um com o outro.
O cotidiano pegou José, Maria, seus filhos e seus netos no colo no momento que nasceram. Assoprou as velas no primeiro aniversário. Fez com que a noite caísse. O sol raiasse. O tempo passasse. A beleza da vida se fosse. Junto com o tempo.
Triste?
Imagine que sempre teve gente que invejou os Silva.

3 comentários:

teuso disse...

Me fez pensar! Boa peter!

Re Berni disse...

Muito bom!! Acontece com todo mundo e ninguem se dah conta.... e a vida passa e ninguem aproveita realmente. Todos fazem o que tem que fazer, nao o que gostariam de fazer, se parassem pra refletir...qdo voces vao comecar a escrever em ingles??? : )

Peter disse...

se procurares bem verás que temos algumas publicações em inglês... hehehe

;)

 
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