quarta-feira, 4 de junho de 2008

A vida sem vida

Nostalgia é a palavra de ordem dos últimos tempos.

Ora, as festas que mais fazem sucesso são aquelas que repetem músicas do passado (anos 70, 80). Os filmes de antigamente são regravados ou ainda continuados (Rocky VI, Rambo 29, Indiana Jones 75). A Literatura e outras formas de Arte estão cada vez mais decadentes. Os quadros mais valorizados não são os atuais e o livros mais vendidos são os de auto-ajuda.

Preliminarmente: não sou contra a auto-ajuda ou a nostalgia. Mas essa "febre" me leva a refletir.

O que faz com que se valorize hoje o que foi criado ontem? Onde está o valor do que é criado hoje?

Remixar músicas é um modo de dizer: "-Olha, eu não sou bom o suficiente para criar um hit como o que estou tocando, portanto "adaptá-lo-ei" a uma nova realidade!".

Às favas com a nova realidade. A nova realidade é fútil e pobre em criação?

Clássico é clássico e isso não se discute. Agora, utilizar-se do clássico para criar uma nova realidade é inferioridade intelectual.

Dizer que é "cult" porque lê, vê, ouve e veste o que era moda antigamente é um ode à incapacidade intelecto-cultural de atualmente.

Não vemos mais ninguém criando (leia-se: fazendo algo verdadeiramente novo). Vemos releituras e adaptações do que foi criado em outra época.

A sociedade carece de uma identificação própria destes tempos. E não me venha com essa ladainha de que a tecnologia e a Internet são o nosso legado. Ipod é a mesma merd@ que um walkman, que é a mesma coisa que um tocador de vinil, só com uma certa portabilidade e algumas outras funções. A Internet, se for um legado, é maldita. Ninguém mais conversa com um bom olho-no-olho.

A sociedade vive sem viver. Não contempla mais as belezas que outrora contemplava. Não admira o simples que outrora a destacava. Esquece o quanto é bom o contato com outras pessoas. Não valoriza o próximo, o novo, o criativo, o natural.

Quem quiser entender o texto de hoje adicione ao mesmo um pouco de conservante, algum suco em pó de sua preferência, peça para um amigo seu remixar e outro colocar no seu profile do Orkut como "about me". Se você achar que é mais uma bosta jogada na Internet, completamente sem sentido, lhe digo: muito obrigado por provar minha teoria que existem pessoas completamente alienadas e sem um pingo de personalidade.

7 comentários:

Beto disse...

Peter...ótimo post!
Quanto à nostalgia, belo assunto! ´
Há muito o que se repensar... Sem dúvida há muita incompetência em se criar o novo.

Estamos fzdo nossa parte.. o pagobem é totalmente "novo". Palmas pro trio!

Abraço

teuso disse...

Hmmm, meio radical peter! Há coisas boas e novas, mas é mais fácil continuar no que já deu certo uma vez. Arriscar anda fora de moda.
Quanto ao olho no olho concordo plenamente!

Abraço

Liz disse...

Discordo. Partiu-se de um princípio muito óbvio, desconsiderando-se que a população aumentou consideravelmente multiplicada pela facilitação dos meios de informação. Consequentemente há muito mais produto sendo oferecido. Isto é, com a grande gama de fontes de informação é preciso uma maior seleção. M* cagou-se hoje, cagou-se ontem, em menores proporções logicamente. O que conta atualmente é a capacidade do individuo em discernir a cópia do autêntico, existe muita coisa nova boa, existe muita coisa velha ruim e vice-versa.

Peter disse...

Liz: Insisto: a nova realidade é fútil e pobre em criação.

Por óbvio que concordo contigo que existe muita coisa boa sendo criada, afinal, se assim não pensasse o aliendado seria eu.

Agora, como mesmo escreveste: "a população aumentou consideravelmente multiplicada pela facilitação dos meios de informação. Consequentemente há muito mais produto sendo oferecido...". Não ignoro isto, e até uso isso para basear minhas conclusões.

Há muita coisa sendo oferecida (e muito facilmente), mas muita coisa PÉSSIMA. Existe pouquíssimas coisas boas e novas, e estas poucas coisas são restritas à uma parcela da população que já tem personalidade própria e idéias concretas.

A maior parte do que é oferecido é ruim e pobre.

A nostalgia (re)cria muita coisa boa, mas é o que eu disse, é de outro tempo.

Quando alguém vai me mostrar algo NOVO, BOM e que seja oferecido para todos?

Gostaria que as pessoas vivessem vivendo. Chega de simplesmente passear por sua vida. Crie. Seja exemplo.

Se tudo der certo no futuro o mundo vai ser melhor, e você vai ser apenas uma coisa boa que foi criada no passado.

Peter disse...

Teuso:
Há coisas boas novas SIM. O que me irrita é essa dificuldade de fazer o mais fácil.

Quem não arrisca não inova.

Por fazer o mais fácil não descobrimos o novo que pode ser melhor. É como a economia.

Às favas com a moda.

Liz disse...

Peter sobre o teu comentário: Talvez a lógica esteja sendo má utilizada nesse raciocínio. Existe claramente uma parcela de pessoas interessadas em notícias e críticas razoáveis. Além disso, esta seleção esta mascarada por outros fins, certamente pecuniários. A mídia pode ceder, mas nunca entregará os pontos de vez. Não são burros de dar o jogo de mão beijada quando se pode apenas amenizar e ter o controle em mãos. E isto é bom, muito bom. Por último, eles não falam o que querem, óbvio que não! Com certeza, existem mais motivos para tudo isso, mas não é de se generalizar.

Sobre a tua resposta: Concordo, o que é novo e bom é oferecido a poucos. O que provavelmente seja em grande parte o resultado dos valores distorcidos e da falta de desenvolvimento itelectual da grande massa, ou seja o processo emburrecedor que parcela da sociedade passa.

Beto disse...

peter... trabalhe mais... descanse menos!
guarde essa energia pra postar

abraço

 
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