sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Josephine

Black Crowes no rádio. Josephine tocando ao fundo. Essa era a melodia que ele gostava de acordar.
Todo dia seu despertador tocava, impetuosamente, às 7:30 da manhã, ao som de guitarras elaboradas, e a letra arrastada de um amor que ficou para trás.
Aquela sensação de bem-estar, a meia-luz proporcionada pela persiana entreaberta, que deixavam com que o sol da manhã emoldurasse as formas de sua amada.
O despertador tocava, seus olhos abriam-se, lentamente, e as curvas de sua amada iam se revelando. Ela dormia ao seu lado. Olhos cerrados, respiração lenta e profunda, boca semi-curvada, em um quase sorriso, que lembrava ele de todos os momentos felizes que haviam passado juntos.
Abraçava-a. Sentia o corpo dela chegar mais perto do seu, como se procurasse o conforto e segurança do seu abraço. Nessa hora seu meio sorriso abria-se por completo. Seu belo olhar ia aos poucos se mostrando, indo ao encontro do dele.
Nada atrapalhava este momento. A melodia ao fundo fechava com este momento.
Cada nota parecia estar carregada de sentimento. Cada segundo que se passava trazia a sensação que mais nada havia no mundo. O olhar não dizia nada, mas ao mesmo tempo dizia coisas que nenhum dos dois saberia traduzir.
Era o momento deles.
Quem tivesse a oportunidade de contemplar este momento acharia apenas mais um minuto perdido.
Para eles um dia inteiro passara naqueles segundos.
Na música um amor que ficou para trás. Na vida real um amor que jamais acabaria.
Eram 7:35. Josephine encaminhava-se ao seu fim. Sinal de que um dia repleto de obrigações vinha pela frente. Sinal de que tinham que se separar por algumas horas. Beijavam-se e levantavam. Completos.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O que te faz feliz?

Semana passada, envolto por algumas doses de álcool (sim, existe a lei seca... mas chovia pacas!), indagamo-nos, um amigo, minha namorada e eu. O que te faz feliz? Certa feita esse amigo comentou que a felicidade era seus amigos, e fazer o que bem queria com destreza e simplicidade. Támbém veio à tona a opinião de que ser feliz é estar ao lado da família. Eu, arrojado como um hatch esportivo, comentei que ser feliz é ter dinheiro, estar ao lado de quem se gosta e ter saúde. Pronto! não sei brincar, pensei no interior do meu silêncio. Às vezes me pergunto, sou feliz? Por incrível que pareça, não sou. Ou acredito não o ser. Sinto que ainda falta algo para que eu complete algumas páginas do meu álbum de figurinhas. Como é difícil a auto realização, como é cansativa a rotina de buscar e buscar sem ao menos tocar no que se quer. O que consola é que "step by step" vamos levando adianta o conceito de que ser feliz é ter algum objetivo, é não se sentir só... é não acostumar com a rotina da mesmice ou sequer moldar-se no melhor estilo estagnado. E quem não é pego de surpresa quando essa pergunta cai feito uma luva na sua vida? Melhor que saber a resposta, é saber diferentes maneiras de responder a essa pergunta. Ser feliz é um estado de espírito, é isso! será? Concordo que a melancolia tenta abordar esse post para que o universo da lamúria se esbalde em palavras tensas, ou até sem uma definição alegre. Porém escrever me faz feliz, me faz despertar o fato de que após uma lida, um passeio sobre parágrafos, ser feliz é poder ver aonde se melhorar, aonde buscar o diferente, e, assim, poder se reiventar nos moldes da paz e da confiança.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Quanto tempo leva para se formar um campeão olímpico? Segundo especialistas 10 anos, de treinamento árduo e planejado. Mas é muito além disso, um campeão olímpico renuncia à muitas coisas e sem dúvida tem uma força mental gigantesca. É tempo de olímpiadas, os olhos do mundo estão voltados à Pequim, eu, como um amante de esportes em geral, fico fascinado com a quantidade de informações esportivas que chegam através dos meios de comunicação. A pouco estava vendo o filme oficial das olimpíadas de Moscou de 1980 (para quem gosta de imagens bonitas e esporte esses filmes são imperdíveis), e me chamou muito a atenção os levantadores de peso. Todos eles fortes feito touros, com a aparência de ogro, mas o impressionante mesmo é a expressão facial deles no momento em que conseguem levantar a barra com infindáveis anilhas, parecem crianças quando ganham aquele brinquedo tão sonhado, uma fisionomia serena mas feliz, a felicidade plena em pessoa! Somente cada um sabe das dificuldades que enfrentou para alcançar seus objetivos, imagino quantas vezes o medalista de ouro teve que levantar uma barra com mais de 100kgs, quantas abdicações, quantas vezes pensou em desistir de tudo, quanta disciplina foi necessária, quanta dor se passou. Mas naquele momento ficou claro que aquilo tudo não foi nada, aquele momento duraria pra sempre, os anos de treinamento não significavam mais nada. Tudo valeu a pena! Com certeza o objetivo de vida dele era aquele, e como já diria Gandhi: "Renuncie a uma coisa, somente quando desejar tanto alguma outra, que a coisa renunciada nenhuma atração mais exerça". O desejo desse ogro era enorme com certeza, muitas coisas foram renunciadas por ele... Outra particularidade das olimpíadas é que elas ocorrem de quatro em quatro anos, é o ciclo olímpico, o tempo entre uma e outra é longo, muitos atletas estão chegando ao ápice de suas formas nos próximos dias, um trabalho que durou muito mais tempo que 4 anos, talvez uma vida inteira. Já fui atleta, nunca nem perto de um nível olímpico, mas sigo vivendo no meio da competição. Vejo em muitos jovens atletas semelhanças comigo. As mesmas dificuldades, os mesmos objetivos, as mesmas dúvidas. O amadurecimento me fez ver que somente o tempo é capaz de consolidar os objetivos e o amadurecimento só vem com o tempo...
 
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