quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Como transformar uma vida em filme

Já nadei, corri, joguei futebol e surfei.
Já estudei, trabalhei, colei e acertei.
Já errei. Já me arrependi de muita coisa e fiz muita coisa que não me arrependi.
Já gargalhei, já solucei, já bebi e já chorei.
Já andei descalço, já viajei, já telefonei e ligações recebi.
Tomei café na cama, beijei, abracei e sozinho me senti.
Já arrisquei-me no trapézio. Já excedi o limite de velocidade.
Já senti fome e comi. Já senti sede e não bebi. Já tomei banho gelado, de chuva, quente, morno, de mar, de piscina e de cerveja.
Já apostei e já ganhei. Muitas apostas eu perdi. Já blefei, já menti, já contei a verdade e nela me perdi.
Muito conversei, mais ainda pensei e muitas vezes não pensei e agi.
Já fiz planos, já sonhei. Já atingi metas, já chorei de emoção e já me atrasei para o futebol entre amigos.
Já cozinhei e já coloquei sal demais. Já fiz doações e carinho eu recebi. Já dormi demais, onde não podia, ou onde não era confortável. Já contei histórias, já fui motivo de histórias e já participei de muitas.
Já fui um herói. Já tive heróis. Ainda tenho heróis, e já tentei ser como eles.
Já pulei, já gritei, já cantei e louco me senti.
Já reuni amigos, já vi amigos casando. Já ajudei amigos chorando. Já torci por uma vitória. Já torci por uma derrota, já torci por um empate. Já escrevi textos, crônicas, músicas, melodias, piadas, deboches, resenhas e uma infinidade de bobagens.
Já tive vergonha e já fui cara de pau. Já motivei e fui motivado. Já troquei de emprego. Já fui promovido. Já passei a noite em claro. Já me apaixonei, e já me iludi. Já tombei e tropecei, mas todas as vezes acabei levantando. Já fui ao circo, ao cinema, ao bordel, ao boteco da esquina, à igreja, para o exterior, o interior, o shopping, para a livraria, a farmácia, ao supermercado e ao centro espírita. Já andei de montanha russa e tive medo. Já andei de montanha russa e achei sem graça.
Já me senti como uma criança. Já me senti como um velho. Já amadureci. Reuni amigos para chorar o leite derramado, comer um churrasco, olhar um jogo de futebol, comentar uma festa e fazer uma boa ação.
Já tive prazer e já fui feliz. Continuo feliz. Acredito que sempre serei feliz. 
Já fiz o que queria e muito queria o que não fiz.
Tudo me leva a crer que minha vida é um filme. Sempre com um final feliz.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Diário de uma garota de Bailão

Era uma tarde de domingo, um calor de derreter e Vânia teimava em permanecer ao lado do telefone. Uma ligação, um simples toque a cobrar... não importava o modo, e sim o quê! Vânia aguardava ansiosamente a ligação to sujeito que outrora havia conhecido. Como não era uma garota de se jogar fora, Vã, como era conhecida pelas boas línguas de seu bairro, vestia decotes e abusava de sua forma cilíndrica de ser. Por mais que sua silhueta não lhe favorecesse, insistia nas suas calças de suplex. Vaninha para o pessoal do bar, Vanão para os garotos da “obra” e Vaninha língua na virilha para os vizinhos da COHAB. Por mais que a pizza embaixo do braço teimasse em perdurar, Vânia insistia em ouvir ensaios do toque de seu celular, o famoso ‘ring ring’ que traria a felicidade ao paradeiro de Vânia, seu JK embolorado pelo suor exacerbado. Dez, onze, meia noite... Vânia acabara de devorar mais um pacote de milhopã e dois litros de fruki cola quando seu telefone toca. Milhopã no ouvido, fruki na mão... celular na boca! Alguns contratempos e um ALÔ? ... Não era Uéslei, era engano! Vânia irrita-se e joga seu celular na parede, termina o milhopã com refrigerante, afinal concretar o estômago lhe traria mais satisfação que esperar um pobre ordinário disposto a brincar com seus sinceros sentimentos. Valorização, pensou ela! Foi em um instante que se arrumou, a produção tomou conta de sua pessoa. Lingerie? Que nada, estava disposta a ser clicada ao vento ... Sandália? Que nada, um salto 15 lhe favoreceria o glúteo avantajado... Soutien? Que nada... Estava disposta a participar do concurso gata molhada. Pois bem, Vaninha decidiu construir seu castelo com as pedras alheias, utilizar a senha / catraca / fila ... enfim, aflorou seu espírito orkuteiro e decidiu sair à caçada. Adentrando o baile, Uéslei .... ninguém menos que Uéslei atinge a íris de Vânia em um sorrateiro vislumbre repentino. A desilusão toma conta de Vã... meia volta, jogo de cabelos, e um pragmático humpf! Nossa protagonista atravessou a rua e adentrou o drink da Débora, aonde até hoje atende como Marcinha Britadeira, cobrando a bagatela de R$ 30,00 por meia hora de desejo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Faça Por Merecer!

Me considero uma pessoa sensata, mas quando o assunto é futebol ou melhor quando o assunto é o meu Colorado das glórias orgulho do Brasil a situação muda... Nunca chorei ao ver filme nenhum, mas todas as vezes que vejo o filme Gigante, que conta a maior das glórias coloradas, desato a chorar! É incrível, simplesmente é maior que eu!Minha história como colorado é longa, me considero da geração mais genuína de colorados, na minha opinião existem três: A primeira é composta por torcedores como o meu pai, viu todos os títulos possíveis do Inter na década de 70, acompanhou a supremacia gaúcha e nacional, viu bons times nos anos 80 e sofreu para conseguir que eu fosse colorado, me acompanhando no estádio em jogos sofríveis nos anos 90 e início dos 2000 até eu começar a ir sozinho em alguns jogos. Hoje em dia ele frequenta eventualmente o estádio, nos jogos mais importantes e é um colorado rabugento, pudera ele viu vários times de super-craques como Falcão, Figueroa, Carpeggiani, Lula, Valdomiro... Por essa geração tenho profunda admiração pois alavancou o Inter como o grande clube que é. A segunda é a minha geração, frequento Beira-Rio desde os 4 anos de idade, e durante minha infância e adolescência vi meu time penar, foram raros os títulos gaúchos que acompanhei, e campanhas sofríveis em competições nacionais (calma, não chegamos ao ponto de ir à série B). Para completar o Grêmio ganhava tudo, ouvi muita gozação de gremista, mas nada que afetasse minha escolha, muito pelo contrário, cada vez ela se fortalecia mais. Passei a ser sócio e defensor do colorado, nada me separou, nos piores momentos eu estava junto, posso relatar inúmeros jogos que sofri dentro do estádio, mas me mantive firme. Até que veio a recompensa, vi o Inter ser campeão dos maiores títulos possíveis. A terceira é a geração de novos colorados, fazem parte dela aqueles colorados que se mantiveram passivos durante os anos de agrura e como um estalar de dedos após os títulos da libertadores e mundial se tornaram colorados "fanáticos". Respeito e acho importantíssimos esses torcedores, mas eles ainda tem muito o que provar...(sem citar nomes). Mas tento não ser um colorado radical, sei que existem outros times que também conquistaram títulos importantes, tanto quanto o Inter, respeito esses times. Atualmente estou me educando até para diminuir o ódio que é plantado de geração em geração para com o nosso co-irmão Grêmio, time campeão intercontinental toyota, título equivalente ao Mundial de Clubes Fifa conquistado pelo Colorado em 2006. Mas o fato é que Domingo último ocorreu um fato extraordinário, eu um colorado genuíno fui acompanhado por outros dois colorados, um pertencente à primeira geração e outro da terceira. A atmosfera estava excelente, o estádio cheio, e era um gre-nal, não um simples gre-nal, mas um jogo que valia a permanência do Grêmio na liderança do campeonato. Muitos os chamavam de Grenal do século (deste século, pois o do século passado já haviamos ganho). A atmosfera no estádio, lembrando a libertadores de 2006, estádio cheio, torcida animada, festa armada. O que se viu foi algo raro, o Inter goleou, amassou e aniquilou seu arqui-rival, o resultado foi 4 a 1, mas cabia muito mais, o estádio em polvorosa! Realmente tem coisas que simplesmente tem que ser... O Inter tinha que ser campeão mundial enfrentando o time de Ronaldinho Gaúcho, eu tinha que ter exorcizado os meus fantasmas colorados indo ver o jogo mais tenso da campanha da Libertadores sozinho, contra o Libertad, foi uma das experiências mais emocionante da minha vida! E o Grêmio tinha que sair da liderança do campeonato brasileiro após 13 rodadas perdendo para o Inter. Mas não com uma simples derrota sendo goleado pelo Inter! Mas ao mesmo tempo fico preocupado com o que vem pelo futuro. Sei que existem muitos jovens gremistas que, assim como eu na minha tenra idade, só presenciam infortúnios de seu time, e glórias do rival. Mas os infortúnios são muito maiores, como a queda para a série B e as glórias do rival são muito maiores, como o título mundial do Inter e a mais recente goleada. Fico imaginando que o que eles passam é muito mais difícil que passei, mas parece que ninguém do outro lado aprende, seguem com atitudes ruins, como a tentativa de invasão da torcida gremista na área destinada aos colorados. E com declarações pífias dos seus dirigentes, como a de um que disse : "podemos ter até ter perdido o grenal mas na hora da briga vinte mil colorados fugiram de 2 mil gremistas". Sem comentários, pensamento pequeníssimo! Nós colorados fizemos por merecer, tanto torcedores como dirigentes e jogadores. Aprendemos pela dor mas muito mais pelo amor! Mas o lado contrário parece que gosta da dor, são sucessivas quedas e tropeços, parece que algo maior quer os ensinar. Se quiserem fisgar a lição o momento é agora o título brasileiro está à disposição, um pouco mais de humildade talvez e o título pode aparecer. Resta saber se farão por merecer... OBS: se quiserem alguma explicação para saber como se faz existem inúmeros colorados que podem ajudar. Boa parte se encontrava no estádio Domingo festejando mais triunfo histórico.
 
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