quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Abstinência de Emoções

Se soubesse, realmente, o que lhe faz feliz, de repente faria tudo diferente... Não compraria outra carteira de cigarro sem sequer ter terminado a antiga, ainda reclusa no bolso de seu terno.

Estar abstinente de emoções era sua maior vontade. A vontade de se isolar e acreditar que poderia ser completo na sua solidão. Pudera, seus momentos de maior compreensão do interior estavam presentes nessas lacunas, as velhas lacunas do seu quarto.

Sentado na janela, crendo que seu violão era seu maior parceiro desligou o rádio e trancafiou a mente na tela widescreen, tentando decifrar os mais de mil códigos que seu cérebro codificava acerca de seus anseios.

A véspera de datas como a presente faz com que uma reflexão macro faça parte de nosso oceano de lamúrias. Confesso que as datas de fim de ano nunca me alegraram, também confesso que o espírito de união familiar tem estado muito distante de mim.

Atualmente me contento com pequenas coisas, pequenos gestos onde a finalidade de ficar sozinho tem por foco o simples ato de entender o que me estufa o peito. Ainda hoje fiz um retrocesso de alguns pensamentos e vi que muitas coisas em minha vida ainda estavam vagas, que muitas decisões poderiam ter sido diferentes, que muitas respostas mereciam a escolha de novas alternativas.

Mesmo que a intenção de fazer tudo diferente esteja muito presente em mim, sei que a prévia de uma virada de calendário sempre exalta as falhas do ego e os buracos de nossa auto confiança, afinal é o momento da reciclagem... o momento de reiniciar a busca do ápice em nossos pilares, a eterna busca da satisfação.

Estar abstinente de emoções facilita, e muito, a tomada de novas decisões, de escolher as novas metas para o ano que seguirá, de realizar previsões sobre o que poderá acontecer e traçar alternativas... um determinado contorno para esses riscos calculados.

Meu maior desejo no momento é passar uma virada de ano sozinho... sem deixar de ser levado pelas emoções alheias... o falso desejo de feliz ano novo daquelas pessoas que você nem conhece, daquele abraço vazio, sem graça nem calor humano suficiente para te animar.

Não é tristeza, não é depressão... muito longe disso. Acredito que quando estamos bem podemos ser felizes sozinhos. E é o que sinto! O que gera minha felicidade está ao meu alcance o tempo todo. Seja a oportunidade de tocar um a bela música ou ler um bom livro, costumes que lavam a alma.

Sei que não é a melhor escolha tendo em vista a realidade de família que vivemos, face ao cumprimento de agenda a que estamos submetidos. Para alguns pode ser egoísmo, para outros até uma angústia mal resolvida, porém para outros a felicidade quando encontrada, pode estar a um simples gesto, um gesto de descanso. Sigo por aqui. Sozinho... até quando? Não sei! Longe do stress e do barulho, sigo minha celebração, a festa da minha alma, o conhecimento aprofundado daquilo que me diz respeito à realização pessoal.

FELIZ 2010!!!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Star Wars Blues

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Administração de expectativas (1)

Tema já falado aqui.

Essa idéia eu venho digerindo desde o início do ano, e acho que agora é o momento.

Como administrar uma expectativa?

Devo deixar claro que a ótica do texto não é voltada para as expectativas que temos em relação aos nossos planos, e sim as expectativas que os outros tem em relação a gente.

Não vou ser hipócrita ou demagogo de dizer que vivo apenas conforme as minhas expectativas. Sinceramente, na minha humilde opinião, quem vive assim é irresponsável e imaturo.

Não vamos esquecer que temos parentes que contam com a gente, um chefe que nos contratou por algum motivo e paga nosso salário, um amigo que espera o nosso ombro em um momento ruim ou um parceiro(a) que aguarda o momento em que chegamos em casa para "fazer um programa a dois".

Aliás, vale a reflexão: o homem só cresce (no sentido de amadurecer) quando percebe as expectativas que os outros tem sobre ele e as administra, assumindo a responsabilidade pelos seus atos.

Uma vida em sociedade pressupõe que as pessoas tenham expectativas umas sobre as outras. O pedestre tem expectativa de que o motorista do carro irá parar no sinal vermelho, para que ele possa atravessar.

É assim e ponto. Se alguém não concorda tente me convencer.

Viver é uma arte complexa e enriquecedora. Enriquecedora do ponto de vista em que sempre poderemos aprender com alguma situação. Complexa pois vivemos equilibrando as nossas expectativas e anseios com as expectativas, anseios e atitudes dos outros (para informações complementares sobre o diálogo interno do cidadão, leia Equilíbrio).

Acontece que em diversos momentos, somos surpreendidos com atitudes hostis em relação ao nosso posicionamento.

Isso acontece quando a nossa própria atitude vai contra a expectativa de alguém.

Nesse momento é que surge o dilema: como administrar expectativas?

Minhas atitudes serão 100% assertivas a partir do momento em que eu souber o que o outro espera de mim.

Exemplo: em um relacionamento o cara manda mil mensagens para o celular da namorada, o dia inteiro. Ele acha que está demonstrando carinho. Ela acha que ele está demonstrando insegurança. A expectativa dele é querer agradar. A expectativa dela é se sentir segura. A atração vai aos poucos desaparecendo.

Se um soubesse da expectativa do outro, certamente o desenrolar da história seria diferente.

Se eu sei o que alguém está esperando de mim, a atitude ecologicamente correta é:

  1. analisar se sou capaz de fazer;
  2. ponderar se eu vou fazer algo que não vá ferir meus princípios; e
  3. dar a essa pessoa o que ela espera.

Se meu chefe espera que eu entregue um relatório dentro de uma semana, e eu sei disso, irei fazer o relatório dentro do prazo, pois sei qual a expectativa que o outro tem. Se eu não souber a expectativa de meu chefe, poderei entregar o relatório daqui a um mês, bem melhor elaborado, mas de nada servirá.

Nem sempre as pessoas dirão as expectativas que tem sobre a gente. Faz parte da vida.

Nesse momento é que devemos ficar atentos ao ambiente ao nosso redor. Ficar atentos às nossas raízes históricas.

Se olharmos para o ambiente, ou prestarmos atenção no outro, poderemos ter uma breve idéia de qual é a expectativa que o outro tem sobre a gente.

Se olharmos as raízes históricas, poderemos saber qual a expectativa dos outros. Exemplo: filhos buscam a aprovação dos pais. Mulheres buscam segurança. Homens buscam aceitação no grupo.

É histórico, e vem desde os primórdios da evolução humana. Está enraizado em nossas atitudes e permeiam nossos atos.

Um pouco de análise crítica pode ajudar. Pare. Observe. Estude as reações dos outros.

Mesmo sem sabermos a expectativa do outro, poderemos ter uma noção do que está nos esperando. E teremos campo para trabalhar.

Moral da história: transparência. Se as pessoas fossem transparentes quanto as expectativas que possuem, certamente elas seriam cumpridas.

Se eu tenho uma expectativa, devo deixar ela clara, devo ser transparente, e dizer o que quero. Assim as pessoas envolvidas podem administrar a situação.

Fale para seu parceiro(a) o que você espera dele(a)... quais as atitudes... fale para seus empregados o que você espera deles... seu rendimento... fale para seus amigos... fale com seus parentes... fale com desconhecidos...

Quando alguém falar com você, tente satisfazer a expectativa do outro... e crie um círculo virtuoso.

Agora, há um problema: e quando a pessoa não sabe qual é a sua expectativa? Para quem não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve?

Aguardem outro post sobre o tema.

Abraço!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Melodia

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O Umbiguismo

Acredito que a maioria dos problemas que existem hoje em dia na nossa sociedade consumista e capitalista gira em torno de um grande problema, que é fruto de nossa ignorância, o egoísmo. Somos criados sendo consumistas, os pais acostumam seus filhos a terem coisas, mimam seus filhos, os protegem como se estivessem dentro de uma bolha. Nada pode sair errado pro filhotinho , muitos crescem sem ouvir a palavra não. Claro que isso cria um comportamento totalmente voltado para as necessidades pessoais. O mundo do lado de fora pouco importa, desde que “os meus interesses” não sejam afetados. O resultado disso são políticos que entram em cargos com objetivos pessoais, relacionamentos fracassados e pessoas infelizes, e que se tornam cada vez mais infelizes por esperarem que tudo gire ao seu redor. No âmbito da política, não é difícil de perceber que o que mais importa para os nossos gloriosos, deputados, ministros, presidentes e afins, é a imagem pessoal, as próximas eleições, as diárias, o aumento nos honorários. A maioria deles nunca se deu conta (por ignorância ou falta de caráter), que eles, mais do que ninguém, são capazes de transformar a vida das pessoas de seu país, estado ou cidade. E por ignorância também, acham que existem coisas mais importantes do que trabalhar pela melhora da sociedade que eles representam. Já nos relacionamentos o problema se repete, é costume esperar muitas coisas dos outros, fazer alguma boa ação para o seu companheiro pensando em receber algo em troca. Não são raros os casos que conheço de relacionamentos que desmoronam pelo simples fato das pessoas só pensarem em si, “no que é bom pra mim”. O que vou ganhar, os relacionamentos parecem ser cada vez mais um contra o outro. Quem trai mais, quem consegue controlar mais o outro, eu quero isso, tem que ser assim... O que gera são pessoas infelizes, insatisfeitas com o relacionamento, com o emprego com seu corpo. Com o MEU namoro, MEU emprego, MEU corpo. E o resto? O que temos feito para as outras pessoas serem felizes? Pra mim a sociedade funcionaria melhor se as pessoas focassem menos em si mesmos, e olhasse o eu como um todo. Utopia? Talvez... Parafraseando Natiruts “cantando mando um alô, para você que acreditou, que podia ser mais feliz, vendo o outro ser feliz”. Acho que é por ai!!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Celebrar

Já fiz isso antes, e vou fazer novamente. Nem sequer é minha vez, só que a oportunidade e a data são únicas.

Não por pouco eu divido este espaço com dois grandes amigos: Beto e Teuso.

O aniversário de um já passou, e agora chega o aniversário do outro. E, mais uma vez, quem ganha o presente sou eu.

Existem muitas pessoas neste mundo. Algumas são nossas conhecidas, outras são nossos parentes e alguns poucos podemos chamar de amigo.

Amigo.

Palavra que é banalizada no dia-a-dia, em um mundo que as pessoas vivem de favores e criam "amigos" por mero interesse...

Agora, amigo de verdade, ahhh.... esses são poucos. Que bom. Há quem diga que o que é pouco é mais valorizado.

Não sei. Sei que valorizo enormemente os amigos que me cercam.

Hoje um grande amigo faz 25 anos. Um quarto de século de histórias, que devem ser guardadas dentro dos corações de quem as viveu.

25 anos de vitórias e derrotas. De títulos conquistados (e não estou falando apenas de 2006). De superação. De amadureccimento. De crescimento.

Muitos foram os churrascos, as conversas, as gargalhadas. Também foram alguns momentos de desabafo, de confissões e de ajuda.

É assim que uma amizade é feita. É construída aos poucos, com momentos bons e ruins, assim como as coisas que acontecem em nossa vida. É isso que amizade é: vida. Verdadeira. Inspiradora.

É Teuso... mais de uma década se passou desde que viramos amigos. Muito aprendi contigo e tenho certeza que tenho muito mais para aprender.

Esse teu jeito verdadeiro, único, determinado, maduro, consciente, livre e presente servem de inspiração para mim e muitas das pessoas que te cercam...

Como já disse, amigo não deve ser descrito em palavras... e bem que eu tentei.

Parabéns amigo e obrigado pelo presente que é essa amizade.

A Europa será pequena!

domingo, 22 de novembro de 2009

A reengenharia do namoro

Fazer tudo do zero, criar o novo, esquecer vícios, adotar novas perspectivas... TODO DIA! Efetuar a reengenharia dentro de si (e do outro) em uma relação a dois é nada fácil, porém é essencial para galgar novas celebrações de datas e quiçá algo duradouro.

Fácil não é, porém poucos estão dispostos a fazerem sacrifícios (fora da rotina) em prol do benefício do(a) amado(a). Atitudes simples podem fornecer a combustão necessária para que a rotina não tome forma e vire um agregado, assim com sogra, cunhado, cachorro...

Sexta feira , ao realizar de carro um trajeto pessoal, me deparei com um roteiro que usualmente faço. Pensei que, assim como a rota que meu cérebro traçou, fazemos coisas muito mais automáticas e delicadas com o outro (amante). A forma de atender ao telefone, o jeito de receber um agrado, a maneira de como elogiar o seu cabelo, o tino de perceber como ela se arrumou para você. Podemos não notar, mas elas NOTAM! Se o piloto automático é mode ON, a cegueira necessita ser mode OFF. Para preservar algo, a reengenharia precisa estar presente do mesmo modo que lugares e programas precisam ser editados (pouco repetidos).

A mesmice, comumente falada, afeta todos os namoros, desde os sub até os desenvolvidos. É uma questão de tempo, de assimilar, de entender as diferenças temporais bem como os picos de humor.

Sexta feira presenciei uma cena em que um casal (faixa dos 34 anos), aparentemente apaixonados, discutiram (explicitamenmte) por besteira. Levantaram-se pagaram a conta (palavrões no ar) e foram embora distanciados um do outro, de modo que no meio de ambos houvesse espaço para o início de um novo casal. Discussões como essas infelizmente são normais, problemas de compreensão são inevitáveis, o que não pode ocorrer é a abstenção da reengenharia.

Flores em plena segunda-feira, uma ligação fora do horário comum, um e-mail dedicado, uma carta escrita à mão, um bombom escondido na gaveta, um post it na porta do closet, um alarme no celular. Diversas formar de começar do zero estão evidentes aos praticamente de um namoro antigo-atual.

Quem está disposto a conceder esses novos sentimentos certamente terá pela frente uma tranqüilidade maior se houver o interesse de amar infinitamente. Presentes como esses não custam, são fáceis de encontrar e estão a disposição de qualquer um.

O romantismo está presente, as oportunidades de ser feliz idem, resta a você saber utilizar as ferramentas para provocar suspiros, elaborar surpresas e o melhor, alimentar a saudade!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A Verdade Nua e Crua

De quando em vez nos deparamos com a seguinte situação: a verdade.

O que é a verdade? É a "iluminação". É a solidez das idéias. A clareza do pensamento. A resposta definitiva aos questionamentos. É a conclusão.

Nem sempre a verdade é bonita e limpa. Há momentos em que a verdade é tão suja que não a vemos como verdade. Negamos a verdade insconscientemente.

Somos seres humanos, portanto, pensantes (supostamente). Deliciosamente vivemos nossa vida escolhendo caminhos e buscando pelo prazer. Seja um bem novo, uma idéia que nos complete, um ideal, um sonho. Uma festa, um hábito, um padrão de vida. Um sorriso. Amigos. Vivemos buscando preenchimento.

E a velha máxima: pessoas são pessoas. Somos completamente incompletos. Buscamos a verdade em nossa vida pois nossa vida é incompleta.

É ou não é? Sempre há algo novo para buscarmos. Sempre há um novo sonho esperando para ser realizado.

E pessoas incompletas vivem. Vivem buscando ser/ficar/estar completas.

Algumas pessoas (e por que não todas) acabam completando a si mesmo nos olhos de outras pessoas.

Amigos com interesses comuns completam. Um(a) parceiro(a) completamente diferente completa. Uma torcida completa.

Moral da história: completamos uns aos outros.

Até aí tudo muito bonito e simples.

Questão: e se o outro que nos completa não está na mesma sintonia que a gente? E se a peça que falta para fechar nosso quebra cabeça tiver formas diferentes do espaço que falta no tabuleiro?

É meus caros. A vida não é facil.

Quando tratamos de relacionamentos geralmente nos deparamos com essa questão. Duas pessoas em situações completamente diferentes.

O que os homens querem? O que as mulheres querem?

Homens querem companheirismo. Como? Através de mulheres bem resolvidas.

Mulheres querem segurança e estabilidade. Como? Através de homens profundos, livres e presentes.

Se o casal não se dá conta do que um ou outro precisa, a língua falada pelos amantes será completamente indecifrável.

As palavras poderão ser parecidas. O sexo poderá ser interessante. A presença do outro poderá trazer conforto.

Temporariamente.

Algo estará faltando.

Conexão.

Atração.

Aquela coisa que faz com que os relacionamentos sejam sentidos/vividos, e não explicados.

Homens e mulheres que não se entendem podem até estar felizes. Agora, o mais importante: ELES NÃO SERÃO FELIZES.

É meus amigos, essa é a verdade nua e crua. Dificilmente percebida por muitos, mas sentida por quase todos nós.

Quem nunca sentiu estar em um relacionamento em que a conexão estava fraca? O elo estava rompido? Que em alguns momentos era bom, mas em outros não?

Homens precisam ser homens. Mulheres precisam ser mulheres.

Homens precisam ser estáveis, seguros, produndos, livres. Precisam conduzir as mulheres em todas as suas formas. Precisam saber trabalhar com suas expressões. Precisam entender sua energia.

Mulheres precisam ser companheiras. Precisam liberar seu feminino sem medos. Precisam ocupar o lugar que só cabe a elas em uma relação. Precisam ser a explosão que são, sem limites.

A mulher dá o gás. O homem dá a condução.

Relacionamentos assim preenchem os amantes.

Amantes preenchidos acabam por preencher as pessoas que os cercam... e o mundo cresce.

Evolui.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

(In) Comum

Há tempos ele colocava em xeque sua felicidade, sua eficácia no quesito ser notado ou presenciado no que diz respeito sua ausência. Havia momentos em que julgava-se incapaz de contornar suas lamúrias e pensava, por inúmeros e inacabáveis breves instantes, que sua fuga poderia ser o além, o lugar aonde tudo se encontra e jamais se regressa. Contudo nunca teve coragem para tal, considerava-se um fraco por facilmente desistir de fáceis estágios, aonde compunham sua integridade física e emocional, ao passo que se denominava forte pelas façanhas, caminhadas e jornadas que até ali, teriam lhe guiado... O sujeito? Sem nome. Seu predicado? Descontente. Conteúdo? Ora vazio, ora cheio... tal amigo teimava em querer acreditar que certas batalhas seriam sofridas sem suor ou sem a ardência de uma lágrima em um rosto calejado, calejado pelo tempo que o mantinha corroído pelas tentativas nada prósperas. Porém como a oscilação de seu temperamento, sempre hesitou a cada tentativa ou pensamento drástico, aonde consolidada desistência e abstinência... afinal abster-se era a palavra predileta, por vezes, afinal não encaixava-se no grupo dos frágeis. Forte, porém nada resistente... chorava fácil e apavorava-se por pouco, a vida mostrou-lhe que o medo era superado a cada nó em sua garganta.. Passado o tempo, seu exemplo, quando seguido por alguns, tornava a vida um pouco menos sinuosa, beneficiando sua flexibilidade com as diferenças de momento e sua capacidade de aceitar as duas pontas da gangorra. Não distante do correto, mantinha sua integridade atrelada ao modo de pensar, contudo sabia que as vezes sua intenção, por mais que fosse boa, não seria a mais adequada. Sempre sólido, jamais mudara de lado. Todos esses anos contribuíram para que essa personalidade oculta fosse transmitida em lágrimas, nem sempre de tristeza, algumas vezes de alívio, outras de ansiedade... ansiedade composta pelo Sim otimista e do Talvez, resistente... porém nunca pessimista. Essa reflexão tem, por base, a face oculta de alguém que, como muitos, não contenta-se diariamente, não satisfaz-se com pouco nem muito, apenas tenta levar a vida adiante utilizando as ferramentas que à sua mão estão por perto. A consciência? Leve. A personalidade? Forte? A resistência? Porosa... Ora fraca, ora imersa em um movimento de altos e baixos... afinal ser de ferro enferrujaria sua bela e grandiosa alma.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Do Nada Veio o Vento

Do nada veio o vento. Eu tava na quadra de tênis hoje, tava quente, abafado, tá certo que uma tempestade tava se formando, mas um segundo antes de bater a maior ventania que eu já presenciei, a velocidade do vento era perto de 0 km/h, não tinha nada de vento! Daí do nada veio uma ventania que fez tudo levantar vôo, o mais magrinho da quadra quando eu vi tava agarrado no poste de iluminação! Era bolinha voando, mesa saindo rolando, saibro no olho, um tufão ou alguma coisa do tipo... Eu nunca tinha visto isso antes. O vento era tão forte que não deu mais pra treinar por causa dele. Nos meus vários anos de tênis eu nunca tinha passado por isso. Duas coisas importantes me vieram na cabeça. O aquecimento global está começando a afetar a minha vida, como eu nunca tinha percebido antes. Há quem diga que tudo isso é cíclico e talvez não exista tanta influência dos seres humanos para que isso aconteça. Sei lá, parece que o aquecimento global é mais lógico (Dêem uma olhada no filme “Uma verdade inconveniente”). Mais do que nunca é hora de fazermos alguma coisa, pegar e dar mais carona, ir de ônibus, banhos mais curtos, xixi no banho... enfim, mudanças de hábitos. A outra coisa que me veio na cabeça, e que ta nela há alguns dias é a impermanência (Detalhe que o word não reconhece essa palavra). Assim como num segundo não tinha nada de vento e no próximo havia o vento mais forte que eu já presenciei, todas as coisas mudam, podendo ser pra melhor ou pra pior. Isso é impermanência. Por começar pelo universo que nós estamos, ele não existia, um dia aconteceu o big bang e tudo começou, o universo ta envelhecendo e um dia vai acabar. Nos darmos conta da impermanência é sabermos que nada é pra sempre, que um dia a gente vai morrer, e sim, pode ser agora, o temporal que ta caindo pode fazer com que o telhado da tua casa caia na tua cabeça e tu morra. Que venha um tsunami e destrua tudo! É saber que todas as pessoas que a gente mais ama também vão morrer, ou podem se tornar as pessoas que a gente mais odeia, ou nós podemos amá-las pro resto da vida. Que amanhã tu seja despedido e que no sábado tu pode ganhar na loteria. Que tu pode se matar estudando e não passar no vestibular, ou passar em primeiro lugar e ser o médico mais bem sucedido do país até tu descobrir que tu tem a doença que tu sempre curou e não a curar, ou se curar e se tornar o melhor médico do mundo. Que tu pode sofrer e fazer os outros sofrerem, ser feliz e fazer os outros felizes. Não se consegui passar algo sobre impermanência, mas pra mim ela é o melhor meio pra conseguirmos a liberdade, de vermos as pessoas com mais compaixão, de valorizar o que temos e que vivemos. E principalmente de evitar o sofrimento, pois se sabemos que tudo pode acontecer, além de vivermos mais intensamente o momento, aproveitaremos melhor os momentos felizes e não morrermos sofrendo porque estamos com câncer ou porque a pessoa que tu se casou e montou uma família descobriu, depois de 20 anos de casado, que tu não era o amor da vida dela, ou tu pode descobrir isso... Simplesmente saberemos lidar com isso. Saber da impermanência é ser livre. OBS: Vejam o filme Paris, é espetacular.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Orientação x Virtudes

Orientação.

Por que cargas d'água (e nos últimos dias houve muita chuva) eu resolvi falar sobre isso pouco ou nada importa.

Leiam como uma continuação dos últimos tópicos recorrentes aqui do site (que anda um pouco parado).

Falta de orientação. Eis o algoz da atualidade.

Em um mundo marcado por redes sociais, infinitas oportunidades, milhares de distrações e velocidade nas escolhas, o que realmente tem imperado é um senso comum de falta de orientação.

Sim, posso até definir com um resultado cármico coletivo. E como todo carma é passível de mudança (afinal, nada neste mundo é permanente - muito menos o permanente dos cabelos!).

Pois bem, aleijado o efeito negativo, regozijemos-nos com a benece que uma mudança de foco nos propicia.

Percebo a maior parte do mundo como pessoas/sociedades/grupos sem orientação. Por orientação digo "o caminho para um objetivo".

Tenho visto um caminhão de gente que simplesmente vive suas vidas sem a menor preocupação com os seus objetivos. Mas tche, olhe para dentro de ti mesmo!

Quando eu não tenho um objetivo, ou não sei quem eu sou, qualquer lugar serve, qualquer idéia é boa, qualquer conselho é aceito. É como deixar um barco com o motor desligado à simples mercê das marés!

O homem (e a mulher também) precisa ter objetivos. Ter sonhos. E precisa ter orientação para seguir os seus sonhos.

Aquele que sabe onde quer chegar saberá qual caminho escolher. E com certeza será feliz no caminho.

Vejo muitas pessoas infelizes sem saberem o por quê (e não critiquem se o uso gramatical do por quê está incorreto - não ligo a mínima!). Sofrem por motivos algumas vezes fúteis e inúmeras vezes bobos.

O sofrimento (infelicidade) dá-se devido ao fato de que estas mesmas pessoas esqueceram quem elas são: quem sou eu? Quais são meus objetivos? Quais são meus sonhos? O que me faz bem? Como eu sou? Como eu me percebo?

Quando elas esquecem quem são, qualquer olhar gera insegurança, insatisfação, medo, angústia, tristeza e pesar.

O mundo de fora vale mais do que o mundo de dentro.

Ainda bem que isso é MENTIRA!

Essas mesmas pessoas tristes são completa e irradiantemente felizes. Como?

Elas podem mudar sua situação. Podem mudar o foco. Podem substituir a lágrima por um sorriso.

Como?

Olhando para dentro de si mesmas! Claro, a tarefa é difícil. Veja bem: DIFÍCIL, E LONGE DE SER IMPOSSÍVEL.

Estou triste? Infeliz? Com dúvidas? Simples. Deixo de olhar para fora e olho para mim mesmo. Olho-me no espelho.

Vejo que tenho um mundo de oportunidades, e sou feliz por poder aproveitá-las. Sou feliz pois tenho liberdade de escolhas.

Sou alegre pois tenho pessoas que gostam de mim do jeito que eu sou (nem que essa pessoa seja eu mesmo).

Tenho a certeza de que poderei escolher fazer o que me dá/traz liberdade. E terei escolhido o certo.

Isso é orientação. É seguir aquilo que tu espera/deseja/quer/sonha.

Basta mudar o foco e veremos que podemos escolher ser felizes com aquilo que realmente queremos. Com aqueles que realmente nos fazem bem. Com nossa liberdade. Com nós mesmos.

E sendo felizes (seguindo nossas orientaçãoes) estaremos criando um estoque de virtudes que mudarão o carma coletivo: sigo meu caminho e tu estará sendo beneficiado.

Se não conseguires fazer isso, relaxe. Eu estarei seguindo o meu caminho, e em algum momento tu será beneficiado.

Abração.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Escolhas

Texto de um leitor. Que merece ser publicado.

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É possível afirmar, sem medo de errar, que o dilema entre fazer o que é certo e fazer o que é bom é o problema mais antigo e, ainda assim, mais atual que uma pessoa pode enfrentar. A situação é comum a todos e acontece das mais variadas formas. Imagine que eu estou caminhando na calçada e vejo cair do bolso da pessoa à minha frente uma nota de cinqüenta reais. Eu pego a nota e guardo para mim, ou devolvo para a pessoa? O “certo” seria devolver para a pessoa. O "bom” seria ficar com o dinheiro para mim. É um dilema. Mas e se eu sou uma pessoa muito pobre e minha família passa fome, e a pessoa na minha frente é um rico empresário prestes a entrar na sua mercedez-benz? O fato de eu ficar com o dinheiro torna-se "menos errado” nesses casos?

Ao admitir que sim, estou relativizando o que é “certo” e o que é “errado”, isto é, afirmando que somente podemos dizer se algo é "certo” ou “errado” diante de um caso concreto. É justamente com base nesse argumento que dizem por aí, como se fosse uma verdade por anos escondida na obviedade, e sempre manifestada em um tom de voz que sussura um "relaxa, cara!", que "não existe certo e errado", que essa idéia de "seguir as convenções da sociedade” é coisa do passado, que “a nova moral é ser feliz".

O problema é que, não saber o que é certo ou errado em determinada situação, ou não querer fazer o que é certo, não significa que não haja uma coisa certa a ser feita. Mas isso não quer dizer que devemos nos curvar aos padrões morais da sociedade e sujeitar nossa felicidade a isso. A vida não é fácil, mas, por outro lado, ninguém disse que seria. Contudo, fazer essas escolhas não é o mais difícil. A sacanagem da vida (e do livre-arbítrio) está justamente em fazer escolhas e conseguir conviver com elas.

É justamente aí que a coisa toda começa a fazer sentido. Certo e errado existem, sim. Sinto muito, engula o choro e aceite! Mas o que é “certo” e o que é “errado” é formado dentro de nós mesmos, e não algo que vem de fora. O nome disso é caráter. Nossa bússola moral, que aponta pro certo e pro errado em todas as situações, não importa sua complexidade. Por isso eu digo: em qualquer situação, seja você mesmo.

“Ah, mas eu só me fodo sendo assim!” Paciência. Assim como não é coragem quando não se tem medo, não é virtude quando é fácil ou bom.

Fazer a coisa certa é saber abrir mão do que é bom agora para ter o que é melhor depois. Fazer o certo, não porque os outros dizem que é, mas porque acreditamos que seja mesmo. Verdade que a nossa recompensa não se revela com a mesma facilidade e rapidez com que se consegue fazendo o que é “bom agora”, mas, lá na frente, o efeito é multiplicado e o reconhecimento por ter escolhido o caminho mais difícil invariavelmente ocorre. Ou pelo menos é assim que eu prefiro acreditar que seja.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Repolho ou Alface Crespa?

Faminto, corroído pela ansiedade de apenas abrir a geladeira, rumei para a escura cozinha. Acendi as lâmpadas fluorescentes que ainda clareavam as úmidas paredes. Apalpei, no balcão, uma faca. Peguei-a sem preocupar-me com o teor de sua higiene, coisa que pouco importava tamanha era a fome que sentia. Uma geladeira imensamente variada com laticínios e bebidas. Sim, essa somente poderia ser a do vizinho, pois a minha sussurrava por um rodízio de datas, nem que fosse uma simples troca de lugares, ou até mesmo a o preenchimento da jarra d´água. Abri a gaveta, e no meio de tanta verdura, as calejadas mãos ergueram um legume? Uma verdura? .. o verde ocre confundia o tom saudável que o alimento traduzia em uma fotossíntese já inexistente. Repolho ou alface crespa? Sanduíche ou refogado? A dúvida tomou conta dominando a fome que se fez presente do mesmo modo que a lâmpada com seu impetuoso piscar.

Muitas vezes me deparo com dúvidas simples, mas de grande resultado caso não calculadas ou quem sabe pesadas. Minhas dúvidas não são mais duvidosas que as de ninguém, mas sei que somente eu poderei resolvê-las. Chega a um ponto aonde conselhos não revertem tanto, afinal não se bate o martelo em terceira pessoa.

Um simples apoio na pia e, entre dois ou três manuseios notei a diferença entre as texturas envolvidas. Um viscoso, outro crocante, um verde ocre, o outro verde saudável. Certa ironia tomou conta do momento tendo em vista a fome que eu sentia, e o mais racional seria comer antes de pensar, afinal ambos me satisfariam.

As dúvidas, de certo modo, servem como um apoio para encontrarmos uma boa solução, ou até boas soluções. O que não gera dúvida não intriga, o que não intriga não é lembrado e o que não se lembra não tem valor. Certo que nem sempre é assim, porém diversas vezes me deparei com dúvidas banais, aonde de nada me adiantaria perder tanto tempo, tempo que outrora foi crucial para evitar tais dúvidas.

Meu paladar, alterado pela intensidade do jejum apreciou cada pedaço da folha, tornando-a saborosa, ao ponto de misturar sabores ou imaginar alimentos, sedento por uma degustação.

Alternar respostas sempre vale para imaginar um futuro no caso de cada escolha. Calcular o custo benefício geralmente é viável, porém nem sempre praticado. Sim, o coração toma conta e as dúvidas são sanadas de forma apressada. Com a proposta de acertar, nem sempre usamos todas as ferramentas, e desse jeito mudamos o rumo ou postura na tentativa e erro. Tudo bem, não é o certo, mas pensando pelo lado reacional, há um sentido lógico.

Gosto insosso, sabor desconhecido, nem bom nem ruim, apenas “gosto”. Lábios divididos, maxilar unido à mandíbula e saliva em circulação. Nesse momento sinto que um desejo toma conta de mim, fazendo jus ao ato de decidir o que fazer, ao que preparar para comer. Sim, sanduíche. Porém sem alface. O repolho? Guardei novamente, junto às minhas dúvidas não resolvidas, apenas ciente de que posteriormente será útil, tanto quanto sempre duvidar.

domingo, 13 de setembro de 2009

O Árduo Caminho

A vida de um atleta de alto nível não pode ser comparada com qualquer outra profissão, sem dúvida, ontem cometi o erro de tentar o fazer com alguns amigos e a discussão foi grande, porém produtiva. Como já tentei ser um, e hoje em dia tento fazer com que o sejam, me sinto no dever de tentar esclarecer como funciona a vida de alguém que escolhe esse caminho. Primeiramente acho importante explicar um pouco do treinamento necessário para se atingir o alto nível. Se fala em 8 a 10 anos de treinamento para atingir a alta performance. Sendo que existem capacidades físicas que devem ser treinadas, prioritariamente em idades baixas, caso contrário dificilmente o atleta alcançará a sua máxima capacidade nessas habilidades. Em esportes como ginástica e saltos ornamentais a especialização deve iniciar entre 9 e 11 anos. Tentem lembrar o que vocês faziam com essa idade... É alarmante pensar que existem crianças que com essa idade já estão treinando. Vou falar do tênis, que é o esporte que tenho experiência, no tênis o início da especialização deve ser entre 12 e 14 anos. Com essa idade já se deve treinar todos os dias, os melhores já viajam para torneios nacionais, sofrem pressão interna e, muitas vezes, externa, devem ter uma grande disciplina, ir bem nos estudos e achar algum tempo para brincar. Cinema de tarde, reunião dançante? Sim, mas às vezes. Com o passar do tempo as obrigações vão aumentando, a carga de treinamento passa a ser maior, o tempo fora de casa também, o contato com pessoas, a não ser as do meio esportivo, diminuem. Com 16, 17 anos passa-se a disputar torneios profissionais, e como já diz o nome já diz, exige um alto profissionalismo. Os torneios passam a ficar cada vez mais duros, o diferencial passa a ser a vontade de vencer, o que acarreta abdicar de família, amigos, festas, namoradas, prazeres gastronômicos muitas vezes. O que é muito duro, porque, com essa idade o que se espera das pessoas? Que comecem a pensar na sua carreira profissional. Que saiam com os amigos, que comecem a trabalhar. É difícil fugir disso, pois, com exceção de alguns atletas que já tem um nível mais elevado de tênis, por terem um conjunto de fatores que desde os primeiros anos de prática os fizeram ser “craques” no esporte e já conseguem bons resultados desde os primeiros torneios disputados. A grande maioria sofre nos primeiros torneios, enfileiram derrotas, não são raros os exemplos de atletas que passaram meses sem ter sequer uma vitória. O que os faz continuar? Ter um objetivo que seja maior do que tudo, amar vencer, ter apoio familiar, de treinadores, arranjar dinheiro, disciplina, enfim, querer mesmo!! E o que é mais fácil? Largar tudo e fazer faculdade, ter uma namorada ou ir para a noite e viver de prazeres superficiais que conseguem substituir o prazer maior.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

I am Sam

Com o olhar fascinado, perdido no infinito degrade azul no céu de um dia maravilhoso. Contrastando e complementando o brilho do céu azul, nuvens brancas que juntas lembram o leito mais aconchegante. Tudo lindamente iluminado pelo sol radiante.

Essa é uma das faces do amor.

Amar é viajar para o além do conhecido. É confiar. É acolher. É aceitar diferenças.

É acreditar, sentir, provocar e iluminar.

É motivar. É ser motivado. É abrir e ser aberto.

É viver experiências. É errar. É acertar. É aprender e ensinar.

É não saber explicar. É purificar. É ver. É ouvir. É falar.

Amar é viver o novo. Amar é reconstruir o que já foi vivido.

Amar é dançar sem música. Amar é correr na chuva.

O amor não foi feito para ser explicado, e sim para ser vivido.

Seja o amor do homem e da mulher, o amor entre pais e filhos, o amor entre amigos. O amor por uma música, um time, uma idéia ou um ideal.

Amar é identificar. Identificar motivos, ideais e valores naquilo que amamos. Identificar diferenças, oportunidades e sensações que completam o nosso amor.

O amor é místico, é subjetivo, é vaidoso, orgulhoso, profundo, livre e colorido.

O amor muda o nosso corpo, solidifica, consolida, testa e prova nossas idéias, e nos torna diferentes.

Aquele que ama ou já amou sabe o que estou tentando dizer. O amor é motivador, é criador e renovador.

Viver sem amar é como o céu azul sem as nuvens... um lar sem aconchego. É como o céu azul sem o brilho do sol... como música sem melodia. Viver sem amar é passar o tempo... sem aproveitar as oportunidades de crescimento, aprendizado e alegria que passam por nós todos os minutos.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

As variáveis do quebra cabeça

Sabe, há tempo eu não montava um quebra cabeças do final. Pode parecer um tanto quanto louco, porém é possível. Há alguns pares de semanas, eu me perguntava se as peças de um quebra cabeça poderiam ser montadas após uma ligeira mistura de cantos, cores e formatos. Eu pensava, sim! Pensava que montar um quebra cabeças exigia, além de tudo, de maestria e precisão. Mal sabia eu, que para se montar um, primeiro necessita entender como funciona uma quebra cabeças ao contrário. Seria confuso se não fosse automático, se não fosse o natural. Ir de trás para frente as vezes nos transmite uma ansiedade, uma sensação de regressão, mas não quando se tem o manual, o guia, ou seria um tutorial? Dotado de perguntas e respostas, eu mal sabia que para se montar peça por peça, bastava esticar a mão... Esticar a mão entende-se por começar, por tentar iniciar o jogo de um pra cá, você pra lá, ele fica no canto, azul com azul, nuvem com céu e chinelos fora do pé, para não estragar o que já fora montado. Quando se dá conta, metade dele foi montado. A outra metade está estruturada e o que falta? O recheio! O recheio que inquieto quer sair da caixa, o conteúdo que ilustra a tampa do quebra cabeças e esboça uma vontade de estar pendurado em uma parede. A partir da estrutura, podemos ver que sem querer o quebra cabeças vai moldando-se conforme nossos gestos. Se és meticuloso, começa pelas bordas... o ansioso procura o meio, o contido separa as cores ... e o surpreso? O surpreso aceita sugestões, o surpreso admira alguém que lhe ajuda a montar e suspira um afeto de que foi auxiliado no mesmo modo de pensar. Ao mesmo tempo, o auxílio remete à nostalgia de que há tempos estava vivendo um quebra cabeças, e sequer notava que o quebra cabeças era seu sentimento. Que peça por peça foi alavancado a uma altura que pudesse ser observado de cima, porém nunca inferiorizado. Se visto de cima, pôde ser encontrado e analisado de uma ótica totalmente oportuna, contendo um desenho para lá de interessante, ao passo que um desejo vem à tona: “Vou montar esse quebra cabeças!” Nada mais justo, por vez, nada mais coerente... peça encaixa em peça e razão equaliza a emoção. Ser um alvo, vítima (positivamente falando) de um jogo de quebra cabeças, nos faz voltar àqueles dias que pensávamos... “Jamais quero ser reestruturado de dentro para fora, nem que seja por força alheia.” Se arrependimento matasse, a frase da lápide deveria ser algo que consolidasse devaneio e lamúria, porém sensato e capaz de transmitir a graça de ser um conjunto de peças que trás o significado a alguém. Ser um quebra cabeças faz de mim alguém muito compreendido, alguém que entende que quebrar a cabeça não faz jus ao ato físico. Quebrar a cabeça em prol de ter uma visão avantajada, aonde se veja que a junção de peças chave são o início de uma bela imagem em seu quebra cabeças. Muitas vezes as peças estão ao lado e não vemos. Muitas vezes, a mão que ajuda a montar representa algo tão importante, que você se sente tão bem... tão bem ao ponto de incluir ela no jogo. E assim se vai, você monta com vontade, desmonta com prazer. E o que resulta? Um quebra cabeças aonde o que mais vale é cada movimento, cada peça vale muito... cada peça representa um motivo a mais para se sentir suficientemente capaz de fazer parte de uma bela dupla de jogadores, jogadores grandiosos.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Escolhas

Alguns dos primeiros passos rumo à maturidade eu dei no meu cursinho. Lá tinha uma frase bem grande estampada: você é o resultado de suas escolhas. Confesso que na época eu não dava a importância que essa frase merecia. Após alguns anos eu passei a acreditar nisso. Com as experiências que tive fui aprendendo que poderia moldar meu caráter, poderia forjar minha pessoa, poderia chegar aonde eu queria... fazendo as escolhas certas. Já escrevi milhares de vezes que é escrevendo que desabafo, e que muitas das coisas que eu escrevo simplesmente nascem da minha cabeça... enquanto estou escrevendo. Alguns textos não são pré-concebidos. Eu faço um monólogo com o computador, e, quando vejo, o texto está pronto. A princípio o texto é legal, por vezes bonito, alguns felizes, outros tristes. Depois de um tempo eu paro para ler e entendo o que eu escrevi. As idéias encaixadas fazem um sentido completo. Com esse não será diferente. Ok, podem perguntar: acabou o mini flashback? Sim. E não. Interrompi o que escrevia justamente para fazer uma conexão. Sou o resultado das minhas escolhas, que inconscientemente faço. Entendeste? Assim como escrevo de maneira insconsciente, acabo fazendo escolhas que não percebo. Juro, quando comecei a escrever este texto estava questionando a veracidade da frase: você é o resultado das suas escolhas. Será que não posso ser resultado das escolhas dos outros? Se estou estressado por causa da cobrança de um chefe, será que não resultado da escolha dele? Este texto não foi escrito agora. Ele foi escrito faz um tempinho, em um dia que eu estava questionando algumas escolhas e atitudes. Um dia triste e cansativo. Foi por isso que questionei a essência da frase. Não estou bem hoje por causa das escolhas dos outros. Os outros fizeram escolhas que invadiram meu espaço, que extrapolaram o limite das minhas escolhas, e feriram o meu eu (isso explica a tristeza do texto). Sei que estou sendo confuso em minhas colocações, pois estou confuso no momento. Introspectivo e de certa forma carente, precisando de um ombro amigo para desabafar. O que me deixa feliz (e muito feliz) é que sei que isto é passageiro. Minha natureza é alegre. Meu corpo é feliz. A angústia de hoje será esquecida no futuro, e fico tranquilo com isso. Sei que quando publicar este texto eu já vou ter melhorado e voltado àquela forma alegre, tranquila e segura de suas deciões. Voltarei a ser o resultado das MINHAS escolhas. E poderei compartilhar com você, leitor, como fiz isso. Gostaria de aprender contigo. De saber quando você se sente assim, e como você faz para voltar a ser o resultado das suas escolhas. Estava bastante incrédulo sobre ser o resultado das minhas escolhas. Estava crente de que em algum momento eu seria resultado da escolha dos outros, até que um amigo meu me ajudou a abrir os olhos: (depois de um tempo refletindo) "-É. Tu escolheu ser assim. Se preocupar com o outro." Realmente, a escolha dos outros me estressou, mas eu optei em seguir esse caminho. Eu escolhi ser quem eu sou. Abraço.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Equilíbrio.

Elis cantou "O Bêbado e o Equilibrista".

Da bela voz de Elis podemos aprender lições diversas: sobre esperança, conforto, indignação, ilusão e beleza.

E temos a dica para uma lição difícil de aprender: equilíbrio.

O Bêbado e o Equilibrista possuem a mesma característica: vivem com equilíbrio. Ambos.

Sim. É antagônico afirmar que o Bêbado vive com equilíbrio, mas na minha opinião é o equilíbrio que o torna bêbado. Difícil de entender?

Enquanto o Equilibrista possui o equilíbrio do seu corpo, procurando o controle do físico, muitas vezes o Bêbado procura o controle do intelecto.

Uma mágoa, uma desilusão, um medo ou uma perda (assim como na música da Elis) causam tormenta na cabeça do neo-bêbado, fazendo-o buscar pelo equilíbrio através do caminho mais fácil. Compreendeste?

Mesmo havendo um traço marcante em comum, comparar o Bêbado com o Equilibrista mostra-se pouco ou nada útil, eis que são universos distintos: o físico e o mental.

Somos feitos de "corpo" e "alma" (por alma leia-se mente). Muitas vezes nosso corpo influencia na nossa alma, como um machucado que dói e nos deixa estressados. Outras tantas vezes nossa alma influencia nosso corpo, como quando estamos tristes e nosso fica cansado e pesado.

Agora, de nada adianta. Nosso corpo é um sistema único, completo, assim como nossa alma. Os dois vivem sozinhos, independentes, mas relacionam-se entre si.

E voltamos para o tópico: equilíbrio.

O Bêbado (alma) precisa de equilíbrio.

O Equilibrista (corpo) precisa de equilíbrio.

Um equilibrista que trabalha sua vida inteira focando no equilíbrio do seu corpo, pode deixar de oferecer equilíbrio à sua alma. Quando testado, o equilibrista pode ser traído por sua mente, criando a sensação de que anos de trabalho foram colocados fora.

Um bêbado que procura o equilíbrio para sua alma pode maltratar por anos o seu corpo, e quando finalmente encontrar a paz interior, sentir que é tarde demais, eis que o seu corpo o traiu, desgastado pela falta de cuidado.

Mesmo independentes, o Bêbado e o Equilibrista (o corpo e a alma) precisam estar em equilíbrio entre sí.

Somos todos bêbados equilibristas.

Em alguns momentos deixamos o bêbado supera o equilibrista. Em outros momentos o equilibrista supera o bêbado. E vivemos assim.

Devemos conversar com nosso corpo. Mais do que conversar devemos ouvir. Ouvir o bêbado. Ouvir o equilibrista.

Devemos enxergar o nosso bêbado. Devemos enxergar nosso equilibrista.

Devemos sentir a confusão, a ansiedade, o medo, a angústia, a incerteza, a dúvida e a tristeza do bêbado. Devemos sentir a confiança, a segurança, a força, o limite, a destreza e a rigidez do equilibrista.

Quando conhecemos os dois lados, que são diferentes e complementares, conhecemos o todo. Aprendemos a nos conhecer e usar nossas ferramentas para alcançar o que precisamos: equilíbrio.

Aprendemos a perceber quando nosso bêbado deixa nosso equilibrista sufocado. Como nossa alma/mente não relaxa e machuca nosso corpo.

Aprendemos a perceber quando nosso equilibrista deixa o bêbado atordoado. Como nosso corpo cansado deixa nossa mente/alma nebulosa e não nos deixa trabalhar.

Conhecer o bêbado e o equilibrista é permitir-se. Permitir-se atingir um meio-termo, onde o bêbado e o equilibrista saem ganhando. É equilíbrio.

Equilíbrio entre o corpo e a alma. Entre nosso passado e nosso futuro.

Equilibramos nosso presente e o vivemos plenamente.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Indignação

A vida é um complexo de indignações, ou seja, um local minado por revoltas. Porém se engana quem pensa que sou um pessimista de plantão ou um mero descontente pelas adversidades que encontro, um mero fracassado. Não! Apenas escolhi o tema por ser vasto, suficientemente abordável e discutível com nossos queridos amigos contribuintes e simpáticos leitores. Estar indignado é um estado de espírito avesso de tudo aquilo que já fora discutido por aqui, porém nunca é tarde para expressões contemporâneas do modo obscuro de retrair a raiva. Retrair sim, afinal estar indignado nem sempre resume um desconto da fúria, um alívio das tensões... se bem que para aliviar uma tensão, há diversas maneiras (bem mais eficientes). Fico indignado seguidamente, talvez pelo meu “pavio curto”, talvez por ser intolerante, porém sempre com alguma razão, da qual me esforço para que entendam e compreendam essa postura semi rígida. A situação que hoje vivemos (nada recente), resume parcela dessa indignação traduzida em html´s... Corrupção, vantagens, descasos, violência, insegurança e uma série de fatores fizeram eu refletir sobre o papel de cada um nessa longa jornada de reclamações e atitudes, pequenas mas atitudes, que visam uma virada de mesa ou quem sabe uma progresso em escalas milimétricas. Não pretendo circundar o post em um tema isolado afinal sei que os problemas situam-se em um âmbito superior ao alcance de meras linhas de explanação. Porém não conseguiria deixar de abordar a falta de educação do trânsito gaúcho, mais precisamente da Região Metropolitana de Porto Alegre. Por ser um motorista que, cada vez mais, dirige na defensiva, passo a maior parte do tempo analisando o modo de condução dos veículos alheios. É inacreditável tamanha falta de consideração, desordem e desrespeito para/com os outros nas vias públicas. São veículos em velocidade abusiva, seres desprovidos de gentileza, motoristas irados, cidadãos não comprometidos com o bom tráfego do trânsito, enfim, pessoas sem o tão valorizado espírito colaborativo. Colaboração, tão bonita na escrita, porém nada praticada e usual. Mesmo que o condutor limite-se ao conforto interno de seu automóvel é necessário que se pratique a compreensão e a boa vizinhança no momento aonde todos tem o mesmo valor e representatividade perante uma sociedade movida com forças de todos os lados. Fico pensativo se aquele motociclista que corta o trânsito não utiliza dessa malandragem para contar vantagens na fila do cinema, se o condutor daquele veículo que ultrapassa o sinal vermelho tenta (grosseiramente), de qualquer modo ingressar no banco após o horário permitido, se aquele caminhoneiro que “pressiona” veículos na estrada, também abusa de seu tamanho em discussões ou tentativas mal sucedidas de pacificar algum momento. Acredito que o comportamento de cada um é expresso em atitudes rotineiras e corriqueiras, mesmo que elas representem pouco sobre o que se pensa ou o que se quer esboçar. Eu continuo do meu modo, velocidade máxima a 60km/h, e priorizando a gentileza, sabendo que “costurar” e atrapalhar o trânsito me renderão nem 5 minutos de antecedência, bem como uma postura nada correta para garantir meus direitos como contribuinte da cidadania.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Permita-se.

Existem momentos e momentos.

Momentos em que sabemos o que fazer - e fazemos - e momentos em que não sabemos o que fazer, e ficamos a procurar a resposta.

Ela não era diferente.

Julieta era doce, meiga, madura e inteligente. E tinha suas dúvidas. Como todo mundo.

A vida é como o tempo. Um dia acordamos sendo presenteados com um belo dia de sol. No outro vamos dormir abaixo de uma tempestade.

Julieta estava vivendo um daqueles períodos chuvosos. Muitas dúvidas pairavam em seus pensamentos. Dúvidas sobre o passado, o presente e o futuro. Dúvidas sobre si mesma, dúvidas sobre os outros. Apenas dúvidas.

Desconfortável, vestiu um velho tênis, confortável, companheiro de boas caminhadas. Trocou o habitual jeans por uma calça de academia. Vestiu uma blusa básica, arrumou os cabelos e pegou seu Ipod.

Aproveitou um dia de sol e pôs-se a correr.

Suas companhias seriam ela mesma, uma água para refrescar, uma estrada para percorrer e o sol a acompanhar.

A cada passada um pensamento diferente: uma de suas dúvidas vinha para calar o Tom Jobim que ela escutava.

Não sabia o que a levara a fazer aquilo. O que a levara a correr, o que a levara a pensar, o que a levara àquele lugar.

Quanto mais corria, mais dúvidas tinha. A cada passada a ansiedade aumentava.

Queria poder saber o que fazer, aonde ir, como reagir, o que sentir, como ajudar, se conseguiria, se era verdade, se melhoraria, se daria certo, se combinava, se deveria ligar, se deveria ser persistente, se deveria mudar, se deveria falar, se deveria ouvir, se estava certa, se estava errada, se deveria agir, se deveria esperar, se estava no caminho certo, se falara demais, se a vida era assim, se seus sonhos seriam atingidos, se acertou, se errou, se... se... se... se...

O caminho que percorrera era longo. Tão longos quanto seus pensamentos.

Foi um pensamento simples que ela teve que a ajudou.

Era aquela estrada. Era por causa da estrada que ela havia decidido correr.

Acabou se dando conta de que a estrada era sua cúmplice. Era a estrada que havia sentido todas suas preocupações. Era a estrada que a ajudaria.

Afinal, a vida é uma estrada. É optar por caminhos, e aproveitar a trilha.

Ela permitiu-se sentir a estrada. Permitiu-se sentir como correr fazia bem ao seu corpo.

Permitiu-se olhar a paisagem.

Permitiu-se sentir a melodia do Tom Jobim... permitiu-se ser levada pela música.

Permitiu-se ser ela mesma. Permitiu-se sentir que seguir pela estrada era viver.

Permitiu-se saber. Saber que a estrada a levaria aonde ela quisesse. Aonde ela desejasse. Aonde seu corpo e sua mente precisassem estar.

Permitiu-se sentir a beleza e aproveitar o caminho.

Deu-se conta de que viver é aproveitar os caminhos. Permitiu-se viver.

O sol e o calor daquele dia foram aos poucos fazendo com que suas dúvidas sumissem...

Ela ainda não sabia, mas no final da estrada havia o paraíso a esperando.

A vida é como o tempo.

Permitir-se deixou que o sol fizesse com que o tempo ruim desaparecesse da sua mente. Deixou sua corrida mais feliz. Deixou sua estrada linda, esperando para ser apreciada.

O paraíso era seu corpo feliz. Livre. Com as certezas de que todos os seus desejos e sonhos seriam realizados. Completa.

Permitir-se completaria todas as estradas de sua vida.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Muito bom

Esse merece.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Sobre Lugares e Amor

Nossos sentimentos estão estreitamente ligados aos lugares que frequentamos e pessoas que convivemos. Volta e meia frequento algum lugar no qual não frequentava à um bom tempo. O que é engraçado é que logo quando piso novamente em um lugar a primeira sensação que me dá é a de nostalgia, pois o lugar me reporta à sentimentos e pensamentos que já foram meus mas não estão tanto à tona como estavam há um ano atrás por exemplo (tipo a música dos Beatles, There are Places I Remember). São experiências interessantes, mas logo as emoções presentes sobressaem-se sobre as antigas e eles voltam para o seu lugar. Não que sejam menos importantes... Bom na maioria das vezes esses lugares são torneios de tênis, e é ai que entra o amor. Porque o amor é o diferencial, de um bom jogador com excelentes golpes e de um vencedor. O vencedor ama o jogo e o amor suporta e supera tudo. É o diferencial, jogar com amor. Isso seria uma boa filosofia de vida. Amar o que se é, o que se faz, quem e o que se tem. Mas amar não é fácil, o amor verdadeiro amor não se apega, e ai é o X da questão. Se amamos algo ou alguém tanto, e esse algo ou alguém seria mais feliz ou mais satisfatório sem a nossa presença nos os deixaríamos ir. O que me questiono é se nós deixamos ir não seria falta de amor próprio, assim como seria falta de amor próprio nos colocarmos em situações ou com pessoas que não são nossos verdadeiros amor. Complicado tudo isso. O amor é utópico? Bom, como diria nosso Rei, se chorei ou se sorri o importante é que emoções eu vivi!!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

sweet

Under the weather.

Sair de casa pela manhã com um casaco de lã e um cachecol. Conforme o dia vai passando, sentir a temperatura do corpo subir e sentir a necessidade de ir tirando um pouco as pesadas roupas que coloquei quando acordei.

Sempre vem o pensamento: "Deve ter sido o sono. Nem tá tão frio assim..."

Meio dia. Sol forte em cima da cabeça. Na sombra um vento gélido subindo pela espinha. No sol um calor que lembra aqueles dias quentes do verão. Resultado: é o meio da tarde e estou usando apenas uma camisa, carregando uma pilha de roupas que tive que pegar para me proteger do frio.

É: primavera.

Pelo menos posso ver a paisagem bucólica ser trocada pelas flores que nascem. Vejo a neblina que começou o dia ser aos poucos substituídas pela luz do sol. O dia começa cinza e vai ficando colorido.

O tempo passa.

O calor esparso da primavera acaba cedendo.

Durmo com calor, com pouca ou nenhuma roupa. Por vezes não consigo dormir. O calor dificulta o sono.

Ligo o ar-condicionado e deixo aquela brisa gelada embalar uma noite de sono.

O verão é... quente.

O corpo fica muito mais disposto.

O dia começa lindo, colorido, iluminado, com o sol dando bom-dia.

Tanto quanto eu gosto do sol, eu acabo ficando irritado com o calor na rua. Caminho na sombra para não suar. Procuro lugares que ofereçam uma sombra e um ar-condicionado.

Agora, como esquecer das sensações do verão?

O calor chama um sorvete gelado. Sinto o corpo ficar refrescado.

Tomo um suco gelado vendo as pessoas correr.

Tenho vontade de pular numa piscina e ficar o dia inteiro sendo abraçado pelo sol.

É o meio da tarde e estou com calor. Muito calor. Olho pro céu e tenho dificuldades de enxergar. O sol brilha alto e forte. Preciso de alguma coisa que não sei.

Sinto um pingo no ombro. Já sei o que preciso. Um banho de chuva.

Deixo as circunstâncias guiarem. O sol é teimoso (ainda bem) e não cede espaço para a chuvinha de verão que começa a cair. Abro os braços e deixo a chuva ir lentamente conhecendo o meu corpo. Baixando a temperatura que o sol insiste em aumentar. O corpo relaxa e sou presenteado com uma visão: a chuva que cai é atravessada pelo sol, e vejo um arco-íris que completa a paisagem.

Quando saio não carrego nada. Uso roupas leves e mais coloridas. Minha mala pesa pouco. Passo o dia com uma sandália ou um chinelo. O conforto chama!

Vou para a praia. Fico no sol e fico com calor. Procuro o mar. Deixo as ondas levarem meu corpo. E volto pro sol.... até ficar com calor de novo!

Tenho vontade de sair na rua, de ver as cores vibrantes, de ver o sorriso nas pessoas que cruzo, tudo reproduzindo o sol.

São oito da noite e ainda posso aproveitar o dia. Acabo brindando com uma cerveja gelada.

O tempo passa.

Começo a desligar o ar no meio da noite. Parece que o ar da rua é tão ou mais gelado quanto o que o aparelho faz.

Vou sentindo a necessidade de carregar uma jaqueta... ou deixar ela por perto. Se for o caso uma manga cumprida já serve.

As árvores, com suas copas cheias e verdes começam a sentir o peso do tempo.

As cores ganham outros tons, menos brilhantes.

As folhas caem.

A paisagem toma outros ares. As chuvas que refrescam começam a ficar menos refrescantes.

O corpo parece sentir que o calor está perdendo espaço.

Parece que o dia começa a diminuir, pois aproveito menos o tempo com sol depois do trabalho.

É o prenúncio do outono.

O tempo passa.

Acordo e fico com menos vontade de acordar.

Alongo o braço e vejo que a temperatura na rua não é muito agradável. Será que exagerei nas cobertas?

Acho que preciso de mais roupas para dormir...

Saio na rua e sinto um ar gelado atravessar as pernas, passar por entre os dedos. Sinto um vento mudar o meu penteado.

Vejo que as cores mudam. As roupas mudam. As pessoas mudam.

Sinto fome. Como uma massa e uma barra de chocolate.

Troco a cerveja gelada do fim do dia por um vinho na frente da lareira.

Troco o banho de piscina ou de mar pelo filme embaixo das cobertas.

Sinto o corpo pesado pelas roupas que tive que colocar.

A noite cai e ainda estou no trabalho. Cadê os dias que não acabam?

O frio faz com que meu corpo conheça seus limites.

Troco a camiseta leve e confortável pelo cachecol e casacão. Acabo me vendo e me sentindo mais elegante.

As chuvas deixam os dias com ares diferentes. Um dia chuvoso no inverno tem uma nuance especial.

Chego em casa e ela está gelada. Ligo um aquecedor e coloco uma música alta. Tiro a roupa e sinto frio. Sou recompensado por um banho demoradamente quente. É bom sentir o calor.

O tempo passa e sou presenteado com tudo de novo. Under the sweet weather.

domingo, 5 de julho de 2009

Doce e Amargo

Estava eu tomando um bom e reforçado café da manhã, como não gosto de café e nem de leite estava bebendo suco de laranja. Era uma mordida na torrada e um gole de suco. Pra dar aquela finalizada e manter-me nutrido para mais um dia de trabalho, fui finalizar o desjejum com um danoninho. Mas acontece que logo depois que eu acabei o danoninho fui tomar um último gole de suco e ai surgiu este texto que vos escrevo. O suco de laranja ficou muito mais amargo depois de comer o danoninho, o que me fez perceber que o amargo é muito mais amargo quando já se conhece o gostinho do doce. E o contrário também é verdadeiro, o doce fica mais doce depois de já ter tido o gosto amargo na boca. Qual é o melhor gosto o doce ou o amargo? Depende do momento, tem momentos que queremos um sábado de noite encerrado com um petit gateu a dois, e em outras com uma cerveja entre amigos. Os dois são necessários, e se um não existisse seria a desgraça do outro. A vitória só é doce quando se sabe o gosto amargo da vitória. Darei aqui um exemplo que se encaixa perfeitamente. Roger Federer ia, no último Wimbledom, rumo ao seu sexto título consecutivo, quando surgiu Rafael Nadal em seu caminho, com certeza foi a derrota mais amarga de sua carreira, justamente por estar tão acostumado com a doçura do tradicional morango com chantilly inglês. E em contrapartida seu último título de Grand Slam deve ter sido o mais doce de sua vitoriosa carreira, em Roland Garros, onde seu algoz em Wimbledom nunca tinha perdido na vida!! Isso quando ninguém mais acreditava! Docíssimo! Acho que é mais ou menos quando se é criança, o chocolate só vem depois do bife de fígado. Quanto mais saboreamos o amargo mais doces serão os doces.

domingo, 28 de junho de 2009

Trova boa, Trova Ruim

Definitivamente... Não há uma trova perfeita, uma trova mágica, daquelas que fazem qualquer um boquiaberto ficar. Trova boa? Trova ruim? O que vale é o conjunto, seja ele de atitude + gestos ou capacidade de argumentação + coragem ... Chego a mais uma conclusão, através de minhas profundas teses, de que uma trova não passa de um rótulo do produto que todos procuram, ilusão!

Certo de que a trova muitas vezes ajuda, ainda creio que uma trova nada condiz com um Sim ou um Não .. Se a aparência agrada, se o papo é bom, então teremos um bom desfecho... Se nada contribui, certo que o toco virá à galope! Mas vejamos que eu digo trova e não assunto.

Entende-se por trova: balacobaco, artemanha, marotagem, firulas e godô!

Entende-se por assunto: diálogo, criatividade, intelecto e variedade de palavras.

Entende-se por aparência: roupa, hálito, nível alcoólico e equilíbrio.

Afinal, o que precede o Ok? Seria a combinação de boa vestimenta e uma balacobaco convincente? Uma bela tática e um nível alcoólico considerável? Criatividade de proporcionar um bate papo nada usual sem godô, mas com um equilíbrio invejável? Não sei! Não seria eu a melhor pessoa para esclarecer a dúvida que assola milhares de leitores do pagobem.com. Porém cabe uma constatação que, uma trova nem sempre é o sucesso de uma conquista, tanto quanto um chute bem dado não é sinônimo de gol. Taí, consegui uma metáfora que ilustrasse o que penso sobre o resumo da ópera.

Sempre acreditei que o sucesso da conquista está no interesse do outro, então a trova certamente não interferirá. Como um adorador da sinceridade no momento do approach, sou a favor da simplicidade em doses homeopáticas.

Mesmo que ainda existam aqueles que preferem uma bela trova para conseguir arrancar suspiros ou telefones, os fãs da singularidade geralmente obtêm resultados mais positivos no longo prazo.

Bem, mesmo sendo sincero ainda levas toco? A dica é freqüentar o blog do Pitanguy.

Boa Festa!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

I'm Burning!!!

Pra quem não viu (remix)

Pra quem não viu 171

domingo, 21 de junho de 2009

Schopenhauer

Se você, que é feliz, e ainda não leu Schopenhauer, continue sem ler. Além de ele dizer para não sonharmos com um futuro brilhante, ele diz que a felicidade é uma quimera e somente a dor e o fracasso que são reais. Segundo ele, nosso objetivo de vida não pode ser o de ser feliz, mas sim de ficar longe da dor e do sofrimento. É uma tremenda ducha de água fria. Sendo justo, admito que gostei um pouco de seu realismo, o sábio filósofo propõe que ao invés de nós ficarmos imaginando como seríamos felizes com aquilo que não temos mas queremos muito, nós pensarmos de como seria se não tivéssemos o que nós temos. Acho que essa é uma das maiores lições para sermos felizes! Ou não, porque a felicidade não existe! É só uma quimera!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Lições.

Nostalgia é palavra de ordem. Principalmente quando se está apaixonado.

A maneira como aquele alguém que antes você mal conhecia toma conta de sua vida é incompreensível.

E a nostalgia? Simples. Ela entra quando passamos o dia lembrando os bons momentos em que o casal passou junto. Lembrando como foi/é a conquista. Lembrando como foi/é o amor. Lembrando as infinitas sensações experimentadas em cada minuto que se passou/passa abraçado.

Amor é invasão.

Um invade a alma do outro. Sem pedir licença, vai ocupando cada espaço, preenchendo vazios, iluminando a escuridão que existe em cada um de nós. Uma invasão que faz bem.

Bonito é perceber como o que antes era “eu” vira “nós”. O “eu” passa a pensar em como irá surpreender e agradar o “outro”, inconscientemente trazendo benefícios para o “nós”.

Mas quais são as lições que tiramos?

Todas as que queremos.

Aprendemos sem perceber.

Criar sempre uma bela expectativa: de como o outro estará vestido quando nos encontrarmos, de qual será o olhar quando abrir a porta para nós, de como será o beijo após um reencontro, como será que atenderá o telefone...

E sempre ser surpreendido. Por mais que eu crie uma expectativa formidável, sou sempre surpreendido.

Ela estará mais linda do que consigo imaginar. O olhar será sempre mais brilhante e penetrante. O beijo será sempre mais apaixonante. O “oi” será sempre mais carinhoso.

Com isso vamos aprendendo... a sermos surpreendidos. Quando somos surpreendidos aprendemos a surpreender.

Quando somos surpreendidos conhecemos outro detalhe, antes desconhecido, e que agora reforça todo o sentimento.

Paixão é invasão e surpresa. E lembranças.

Ser surpreendido com um e-mail no trabalho, uma foto, uma mensagem, uma ligação, uma música... e aprender com tudo isso.

Relacionamento é invasão e surpresa. São lembranças. É construção.

Sempre com a nostalgia. Os dias passam, os momentos que viram lembranças vão aumentando, as surpresas vão construindo, e somos a cada novo dia uma nova pessoa. Com novas sensações, novas aspirações, novas idéias e novas surpresas.

Sempre com novas lições. Prontos para ensinar e aprender. Prontos para ficarmos apaixonados novamente.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Presente.

Houve uma época em que o mundo era lindo. As pessoas eram felizes e completas, mas veja bem: eram.

As pessoas começaram a deixá-lo cinza. Suas mentes ocupadas pelo trabalho, pela solidão, pela ganância e por uma infinidade de pensamentos ruins foram sugando as cores que faziam parte de um cenário esplendoroso.

Veio a tristeza e a melancolia. O mundo, outrora lindo, agora era como seus habitantes: vazio.

Eis que surge um habitante diferente.

Perto dele os outros sentiam-se confiantes novamente. Sentiam a energia que emanava de seu corpo.

Ouviu-se dizer que ele não era daquele planeta.

Por onde passasse o mundo sentia a nostalgia daquele tempo em que era lindo. As pessoas relembravam velhas histórias, de quando sorriam e eram felizes. Completas.

Aquele habitante percebeu que tinha algo de especial. Descobriu sua missão e partiu em sua jornada.

Viajou o mundo inteiro. Conversou com todos os outros habitantes que encontrou. Criou histórias e fez parte de outras tantas.

Por onde passou o mundo foi mudando.

O cinza foi dando lugar àquelas cores que outrora reinavam.

As pessoas foram sendo transformadas. O brilho de um sorriso começava a aparecer.

Cada sorriso de um habitante era capaz de gerar outro.

Os sorrisos foram apagando o cinza. Foram devolvendo as cores. Foram abatendo a solidão. Foram enchendo os corações de esperança e de amor.

Todos reconheceram que a mudança tinha vindo daquele habitante que antes era diferente, e agora era igual. Sua missão foi um presente ao mundo.

Seu nome: Alegria.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Presentear

Ato muito esquecido nos bons costumes do sadio intuito de agradar, dar presentes é um ato honroso que desperta elogios e muitas vezes um ganho imenso no quesito recordações. Presenteia-se com objetos concretos, com captação de sonhos, com alcance de objetivos, com solidariedade... enfim, seria deveras interessante se o verbo mencionado fosse levado a serio, não fosse o mundo extremamente materialista atual. Em tempos de vida superficial, de atitudes verticais, está cada vez mais comum o esquecimento da esssência da bondade.
  • Quem presenteia quer agradar, quem agrada quer créditos, quem quer créditos quer algo em troca, quem quer algo em troca está disposto a doar ou doar-se... quem dá presentes torna-se um possível alvo da boa vontade do outro, quem sabe o destino de toda essa recompensa.
  • Desde 1500 a.c. o ato de presentear já fazia parte dos costumes dos povos nórdicos. Rumavam aos frios bosques para colherem frutos aos integrantes da aldeia, desse modo era feito um rodízio para que todos participassem do processo. Para os nórdicos, presentear era uma doutrina a ser seguida, aonde não se visava o retorno da bondade, mas sim o cumprimento de regras impostas por alguém que jamais perguntou sua origem.
  • Exemplos vivos da história, presentear pode ser uma sacanagem que visa o ganho de uma parte, somente. Cavalo de tróia ou presente de grego... Traduzindo para dias atuais, aquele presente que ilude, e um dos lados sai em prantos. Flores + promessas de felicidade combinam perfeitamente para uma distorção da boa vontade uma vez citada.
3 exemplos de ingressar na vida de uma pessoa.. presenteando por interesse mútuo, presenteando com naturalidade ou presenteando por interesse próprio. Seria necessário refletir para ver o que é correto ou não? Um chocolate para demonstrar uma lembrança de alguém muito bem quisto, um bibelô pelo motivo do afeto àquele seu(sua) amigo(a), uma rosa que tenha a finalidade de conquista de um sentimento natural... .. em tempos de 12 de Junho (solteiros e namorandos), soh não vale não comemorar!

sábado, 6 de junho de 2009

Vida Louca

Era um homem de família. Se recusava em fazer horas extras, seus filhos eram seus fiéis companheiros, todos os dias se submetia a horas a fio de vídeo-game com o mais velho, Miguel, de 9 anos. A mais nova, Yasmin de 6 anos, enchia seu coração de alegria, tinha lindos olhos azuis que brilhavam com as histórias maravilhosas que ele à contava. Tinha um amor absoluto por sua mulher, fiel companheira durante longos 20 anos. Tudo o que eles têm construíram juntos são anos de total parceria. União inabalável! Seu nome, sobrenome e apelido é Trabalho! É um abnegado, deixou tudo e todos para trás em busca de seu sonho. Ainda muito jovem foi fazer um MBA nos Estados Unidos de onde nunca mais voltou. Hoje em dia é um multi-empresário, tem negócios por todas as áreas possíveis, é o protótipo de um homem bem sucedido. Suas palestras valem 200 mil dólares e são extremamente solicitadas. Um exemplo de excelência! É separado de uma mulher que nunca amou, seus filhos crescem felizes à 1000km de distância no outro lado do país, e pelo menos na última vez que os viu ( a mais ou menos um mês) pareciam estar felizes e saudáveis e tirando notas boas na escola. Dinheiro? Pra que? Tudo o que ganha vendendo brincos, pulseiras e colares com materiais coletados nas areis das praias mais paradisíacas do mundo ele gasta para conhecer mais um canto paradisíaco do mundo. Ama a tudo e a todos, deixa saudades e tem saudades de todos que deixou para trás no mundo. Mas não acha justo viver em um só lugar tendo tantos para conhecer, assim como não acha justo viver com uma só mulher tendo tantas para desfrutar. Tem vários filhos, tanto biológicos como de criação. Viu pela última vez seus pais quando, nem ele lembra como, visitou sua cidade natal, à cinco anos. Vive a vida intensamente! Cidadão do mundo! Qual desses estilos de vida é o certo? Poderemos um dia por isso tudo junto? Ou sempre teremos uma prioridade? E se tentarmos conciliar tudo isso será que não faremos tudo mal? Não estaremos fadados à mediocridade? A Vida é uma louca mesmo!!

terça-feira, 2 de junho de 2009

E tudo se encaixou

Depois de um mês e vinte e um dias, as coisas voltaram ao seu devido lugar. Como um toque de Midas, aquilo que um dia era ócio virou saudade, aquilo que um dia era vazio tornou-se cheio por demais, aquilo que um dia era motivo de lamentação, virou motivo de aprendizado multiplicado pela paciência do “tudo vai dar certo”.

Não nego que a saudade provoca suspiros daqueles dias que povoaram minhas horas como períodos passageiros, períodos de inutilidade... porém períodos de compreensão do tempo. O tempo, que já fora abordado por aqui, não decepcionou e trouxe “com o vento”, uma passagem (lição) de como esperar é necessário, de como aguardar algo torna seu valor inestimável, de como a surpresa pode ser melhor que a esperada.

“- Era um dia quente, o sol castigava o asfalto que gemia ao transcorrer de rodas apressadas. A temperatura obrigava, aqueles que rumavam aos seus domicílios, a permanecerem com suas faces entregues ao vento e inertes ao efeito sonoro proveniente do interior de seus veículos. A preocupação era tanta, a ansiedade era notória que a fome e a pressa acabaram por ficar de lado na espera de um simples sussurrar, na calma de olhar para o lado aguardando uma nova chamada, ficava vulnerável aos perigos que o asfalto lhe guardava em conjunto com as mentes dispostas a riscarem avenidas com a pressa do regresso ao lar. Sinais fechando, fumaça conduzindo fumaça, e o trajeto encaixando-se perfeitamente para uma sexta-feira gloriosa, detentora de notícias que tornassem a felicidade a médio prazo, plausível e real! Minutos passando-se, carros perseguindo seus trajetos e o rádio persuadia a mente que tornara-se capaz de ouvir um decibel qualquer desde que fosse de gosto e intenção. Nada! O laranja ácido do painel do carro confundia os olhos que uma vez intensos queriam enxergar a luz de telefone móvel... estrategicamente posicionado ao lado direito. Ruelas, becos, lombadas e desvios a fio foram o suficiente para desconcentrar e visão panorâmica e não perceber a vibração que outrora aconteceu. Tudo se encaixou! A ligação ocorreu, a notícia transmitida e a sexta-feira ganha!”

A saudade, naquele momento, tornou-se um mero desafio... o compromisso foi aceito como proposta de crescimento e a angústia travestida em doses de energia incomparáveis. No final das contas o resultado foi único, a espera sofrida e a novidade festejada... como uma bola dentro, como um quebra cabeças de 1000 peças ou simplesmente como uma verdadeira luz no fim do túnel.

 
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