sexta-feira, 27 de março de 2009

Amy Cristo

Esse merece um post extra:

segunda-feira, 23 de março de 2009

Do grito ao silêncio.

O tempo foi passando. Enquanto ia envelhecendo ia questionando muitas de suas atitudes pela vida. Não por coincidência, chegou o verão. Sua época preferida. Festas, bebidas, mulheres combinados em um clima perfeito. Sempre foi fã das noitadas, em especial as do verão. Exatamente no início do verão teve algumas mudanças repentinas em sua vida. Geralmente passava esta temporada alheio a qualquer tipo de pensamento mais sério. O verão que passou foi uma das raras exceções em sua vida. Foi diferente. Desde o começo foi diferente. As festas foram mais intensas. Alguns hábitos foram mudados. Vivia ouvindo gritos, aonde quer que fosse. Não eram gritos ruins, mas não saberia explicar. Era tudo muito diferente (talvez até um pouco novo). De certa forma gostava dos gritos. A insegurança latente era complementada pela sensação de estava sempre acompanhado. Eram os gritos que o seguiam. O verão foi passando, coisas foram acontecendo, mas os gritos continuavam. Os gritos o mudaram. Forjaram um homem no lugar daquele guri. Procurou a origem dos gritos. Queria poder agradecer àquele que vivia gritando. Àquele que em todos os momentos gritava aquilo que só ele ouvia. Aqueles gritos que fizeram com que ele continuasse pensando em sua vida, e aprendendo. Os gritos o ensinaram. O verão passou. Incólume. Seu verão passou. Distinto. Suas experiências de um verão diferente o marcaram, assim como os gritos que passou a ouvir. Os gritos que ouvia eram de seu coração. Só percebeu quando o silêncio tomou conta.

terça-feira, 17 de março de 2009

Plena convicção

Renata era uma jovem sedutora dotada de um corpo escultural, fruto da mistura de raças de seus pais. Um negro e a outra branca, deram origem à nossa protagonista, uma mulata de causar inveja e provocar incessantes suspiros no universo masculino, por onde geralmente desfilava. Rê, como era singelamente conhecida, sempre foi uma mulher de muitos amantes e poucas palavras, sempre doutrinava seus atos de forma com que os mesmos agregassem positivamente para seu bem estar, visando o social e o financeiro. Vacinada, surrada e ensinada pela vida, Renata transcorreu por uma infância deveras difícil, deveras infeliz e ausente de crenças. Filha de Alcoólatras decidiu jamais experimentar um gole do sedutor líquido que arruinou boa parte de sua doce juventude.Obrigada a crescer com rapidez e marcar seu território com uma personalidade forte e robusta, Renata cedo demais ditou sua liberdade. Rumou para a grande metrópole de seu estado, e estando apadrinhada por amigas nunca esteve sozinha ou solitária. Aprendeu com os erros de seus pais e estava disposta a ingressar no meio acadêmico, porém sua educação não foi exemplar, o que resultou em reprovações, frustrações e quiçá descontentamentos. Fato, esse, que desmotivou Renata, provocando sua procura por um ensino superior particular. Contrariando sua identidade feminina, Renata viu-se em um beco sem saída ao acumular boletos, títulos e refinanciamentos, sendo forçada a ter de providenciar uma renda extra, afinal sua mesada não bancava as cadeiras da faculdade. Estágios, empregos temporários, terceirizações... Renata não conseguia sequer entrevistas. Logo o pavor tomou conta, o vício pelo cigarro visitou-a em seguida e a bebida tornou-se um travesseiro de pedra para a busca de soluções. Eis que sua grande amiga perguntou o motivo de não usar seu belo corpo para adquirir o que queria na vida, afinal era esbelta demais para desperdiçar tal chance. Sem rodeios, contra argumentos ou negações, Renata sucumbiu à tentação e aliou prazer com retorno financeiro. Sua vida mudou, seus pais sem compreenderem a virada de mesa, elevaram o nível de vida e satisfeitos ficaram. Renata, por sua vez, entrou em um mundo obscuro oculto de sentimentos e suscetível a preços. Hoje sua vida encontra-se em aclive, Renata cursa seu sétimo semestre com destreza, tranqüilidade e um telefone que não pára de tocar. Atualmente sua vida é confortável, goza de luxos e amizades fúteis. Mulata arteira, como é conhecida, cobra R$ 250, 00 por momentos de muita luxúria, seus inúmeros Clientes forçaram-na dividir sentimentos de profissionalismo, dando à Renata seu maior trunfo, a plena convicção de que seu trabalho não dita sua vida, entretanto lhe planeja um próspero futuro.

domingo, 8 de março de 2009

A Vida dos Outros

Acabei de ver esse filme que não encontro outra palavra a não ser sensacional! Este filme ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2008, e é sobre o regime socialista adotado na Alemanha oriental durante a Guerra Fria. Não vou contar a história do filme, até porque acho indispensável assisti-lo. O que quero é tocar em dois pontos que me chamaram a atenção e me fizeram pensar. O primeiro é sobre prioridades. O que nos é mais importante? A(s) pessoa(s) que amamos ou a nossa felicidade e ideais? E até que ponto nós podemos deixar a nossa vida em primeiro lugar. Será que um desapontamento que causamos não nos arrasará mais que o desapontado? Às vezes tomamos decisões sem pensar exatamente as suas conseqüências. Mas não desaprovo a decisão do personagem em questão. Sem dúvida é uma situação muito difícil... Amor acima de tudo e todos existe? Outro ponto que me tocou foi sobre a ganância pelo poder. Como pode gente tão sem vida e valores se colocar em um alto escalão dentro dum país? Infelizmente esse tipo de gente não vive somente no nosso caso em Brasília ou em cargos políticos ( apesar de pessoas com esse perfil adorarem um...). Fico pensando, será que eles têm a consciência de quão pequenos são? De que essa ânsia pelo poder é somente por assuntos pessoais mal resolvidos? Estão no poder sem nenhum compromisso a não ser com seus próprios egos! Mas no fundo, bem lá no fundinho (aquilo que não nos deixa dormir quando estamos pregados de cansaço) eles sabem que um dia tudo acaba. E a verdade vem à tona! Pelo menos na Alemanha veio! Mas no fim o filme deixa a sensação de que nem tudo esta perdido... Ainda há chance de mudar a situação. Não é só de mal que se vive, pelo contrário estamos cercados pelo bem e por momentos bons! Afinal somos feito de carne, ossos, sentidos, cérebro e coração. Todos iguais! Diferentes!

quarta-feira, 4 de março de 2009

A insatisfação satisfeita.

Paradoxo. Palavra de ordem. O ser é humano pois é racional. E desde quando isso importa? Muito agimos pelo emocional, pouco valendo-nos de nosso racional. E deixamos de sermos “humanos”. Talvez aí resida a alcunha “animal”. E não diferenciado dos cachorros, gatos, peixes e ornitorrincos. Vivo em contradições. Aliás, vivemos. Quero comer quando estou com fome, e logo me satisfaço. Bebo se estou com sede, e o sentimento se dissipa. Ok. São sensações e sentimentos temporários. Planejo vida, carreira, metas e sonhos. Batalho, olhar fixo no horizonte, e quando chego, o que acontece? Satisfação! Que certamente dará espaço à insatisfação. A insatisfação, por si só, é satisfeita. Completa. Insatisfação é contrariedade. É um ou outro. Se for um ou outro é posição fixa, permanente, estável, determinante. Se é fixo, permanente, estável e determinante é um estado. Se é um estado é um ponto fixo. O ponto fixo é o objetivo. O objetivo é a satisfação. A insatisfação é, por si só, satisfeita. Por isso existem “zonas de conforto”. Satisfeitos ou insatisfeitos, estamos cheios de alguma coisa, em alguma zona de conforto... inexiste o temporário e fixa-se o permanente. O permanente estado de caos interior. Caos e adversidade, o que possuem de bom? E aquele que pensa com o emocional, é mais “humano” do que o racional? E vice-versa? Estas contradições mostram que a vida é um paradoxo. Assim como a satisfação é uma insatisfação.

domingo, 1 de março de 2009

Carnaval

Saudoso Carnaval.. de marchinhas, é lógico! No interior de mim mesmo, penso que tenho por volta de 40 ou 50 anos, afinal não me encaixo no perfil do hoje, um carnaval high tech, globalizado, cheio de maracutaias eletrônicas e aquele famoso sonrisal do amor! Pois bem, sou um adorador das batidas eletrônicas, vivo no meio da ascendente globalização, porém não uso drogas. Serei o único saudosista do famoso carnaval de marchinhas? Invado-me com essa série de perguntas afinal presenciei um carnaval sem espírito de carnaval, outrora o mesmo tenha ocorrido na mesma época de foliões, reis momo e colombinas. Mas onde estava o clima carnavalesco? Nem sinal do mesmo, cada um na sua e sequer um mero trenzinho para alegrar o cidadão... Após o ingresso da festa notei que não passava de mais uma “vibe”, vazia de pierrôs ou “bandeiras branca”. Mas como quem está na chuva, resolvi molhar-me, e, definitivamente comprovei a ausência do espírito que move turistas, comércio, economia e diversos corações. Sedento por uma marcha, escutei diversos sons outrora já famosos. Pois bem, caro leitor do pagobem, nem tudo são flores ou banhos de espuma, a única certeza emplacada em minha lembrança são as famosas músicas tocadas e embaladas pelo suor excessivo dos foliões, pelos grupos formados aleatoriamente e pelos encontros ocasionados pelo furor de fevereiro... embora o carnaval já seja passado (em 2009), fica minha ansiedade por achar uma festa de verdade no ano que vem, uma que toque e repita inquietamente as baladinhas que uniram, relacionaram ou apresentaram os nossos avôs.
 
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