sábado, 9 de maio de 2009

Estraga prazer

Poderia começar esse parágrafo com qualquer semelhança com o real, porém trata-se da verdade absurda, de fatos realmente marcantes, de casos perturbantes, de cenas desagradáveis mas sólidas. O que motivou-me a escrever breves dizeres sobre esse tópico, foram alguns acontecimentos que circundaram-me, obrigando minha pessoa a praticar a partilha para com leitores, fãs, amigos, homens ou mulheres, heterossexuais ou designers. Há algo mais provocante que o nojo? Aquele nojo que realmente invade o poder de controle e acaba avassalando o desejo que lhe é peculiar no momento? Pois bem, traduzo todo esse rodeio por uma “mosca na comida”, um “cabelo na salada”. Ahh! Pior que NX Zero na voz de Wanessa Camargo ou de Redetv com Gugu Liberato. Pois bem, algo que me incomoda é como aquela mosca adentrou o microondas, como? No decorrer de minutos, horas e até alguns devaneios repentinos, elaborei teorias de como as moscas surgem. Há inseto mais provocante? Há inseto mais cínico? A mosca definitivamente consegue ser o algoz da casa, a notícia ruim em sábado de tarde, o chefe chegando cedo em pleno regresso de férias. 1. As moscas esperam você se servir, para então adentrar sua casa? 2. As moscas brotam do “nada”? 3. As moscas acompanham o rótulo dos produtos? 4. Não contém glútem é besteira, deveríamos procurar não contém mosca? Confesso que à conclusão alguma cheguei. Confesso que depois de ver a mosca torrada na borda do meu prato, toda fome sumiu, beneficiando meu rígido controle nutricional movido a choques e banhos de água fria. Admito, não comi aquela comida, fui obrigado a me servir de novo em um prato limpo. Perdi a fome, sério! Mas recuperei em seguida. Só de lembrar a mosca torrada já perda o apetite, olhava para a panela e a fome voltava, pensava no suco da mosca e tinha náuseas, olhava para o churrasco e tinha fome, recordava a cena bizarra e ensaiava uma breve fúria, abria a geladeira e sentia frio, bem, CHEGA! Pois bem, quando pensei que estaria livre daquele tenebroso dia, acabo sendo vitimado de uma senhorita muito educada no restaurante hoje a tarde. Foi quando ela abriu a bocarra daquela linda criança e falou em alto e bom tom, “esse seu dente tá com cárie!”. Juro, juro para vocês que a polenta pediu para ser cuidadosamente direcionada àquela moça, porém minha educação falou mais alto e, de praxe, comi a polenta tentando imaginar o porquê de ser tão indelicada, de ser um poço de falta de educação para com meu momento célebre (o almoço). Juntando fatos com teorias, pude classificá-la como um verdadeiro estraga prazer. Garanto que isso foi muito mais fácil que conseguir “plantar” uma mosca no prato dela, nada mais justo para ajudá-la a conter o apetite.

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