quinta-feira, 14 de maio de 2009

Pneu Furado e a Sociedade

Pois ontem meu pneu dianteiro direito furou. Tudo bem sem pânico, pneus furam, caso contrário não existiriam os borracheiros. Fui então trocá-lo, não sou um expert em trocas de pneu, em média faço uma troca de pneu por ano, portanto tô meio fora de ritmo. Peguei o macaco, coloquei embaixo do carro e comecei a levantá-lo. Mas um problema aconteceu, o carro estava inclinado e o macaco começou a escorregar, o carro não levantava de jeito nenhum! Eis que surge um amigo e sugere por uma pedra entre o macaco e o meio fio da calçada para evitar que o macaco escorregasse. Beleza! Problema resolvido! O carro subiu e consegui tirar o pneu furado. Mas então outro problema aconteceu! O carro não estava alto o bastante pra encaixar o estepe. Então surgiu um terceiro elemento, não com um macaco! Com um orangotango! O troço era bom mesmo! Levantou mais um pouco o meu carro e consegui, enfim, pôr o estepe! Refletindo sobre a peculiar situação pensei da importância de vivermos em uma sociedade. Ultimamente ando pensando muito na sociedade e em nós, seres humanos que a constituímos. Ando vendo, seja por escândalos políticos como o das passagens aéreas ou por fatos que ocorrem no dia-a-dia, coisas que me fazem pensar que a sociedade (e por conseqüência os seres humanos) esta perdida. As pessoas são egoístas, fazem mal às outras pessoas, e vivem como ratos em uma gaiola, correndo em uma rodinha gigante sem saber e nem se perguntar o porquê de tudo isso! Mas não posso pensar que a sociedade esta perdida, senão eu não poderia acreditar nas pessoas que me rodeiam e em mim! E o meu carro estaria, até agora sem pneu! Só não posso me conformar com comodismos, com o tem que ter, com a ganância por ter mais, status, dinheiro, poder. Isso sim enfraquece a sociedade e as pessoas! De que vale ter estabilidade, carreira, família e tomar antidepressivos? Se satisfazer com prazeres superficiais e se esquecer das coisas que realmente nos importam! Afinal nem todos tem a mesma vocação as pessoas são diferentes! Não é possível que todos tenham os mesmos pensamentos! Ta tudo isso é muito bonito! Mas e daí, como fica a sociedade se todos forem atrás de seus objetivos mais íntimos? Quem vai ser o borracheiro? O motorista? O vigia noturno? O pedreiro? Por isso que a sociedade nunca mudará, pois se todos pensassem assim ela não funcionaria. É mais negócio para todos nós que a preocupação geral seja o BBB e o futebol no final de semana! E curtir a vida! Encher a cara, deixar a vida nos levar! Extravasar! Esquecer de tudo! E viver felizes! Ou seria com lampejos de euforia? Bah cheguei longe nessa! Hehehehehe !!! Juro que só ia contar sobre a minha experiência com o pneu e dizer que acredito na sociedade! Mas me excedi!!

13 comentários:

Peter disse...

Tava tudo indo bem até a parte dos exemplos.

Acredito que o grande problema da sociedade são os generalismos, que se manifestam das mais diversas formas.

No teu excelente texto (que concordo com a maior parte), temos um exemplo de generalismo.

Quem disse que borracheiros, motoristas ou vigias não vão atrás de seus objetivos?

Quem disse que quem tem estabilidade, carreira e família toma antidepressivos por causa de comodismo?

Os doentes, como ficam?

BBB e futebol podem ser o ópio sim, mas generalizar é um erro. Comum, diga-se de passagem.

Eu continuo acreditando na sociedade, no ser humano (mesmo individualmente), sem me render à necessidade de exemplos.

Cada um é diferentemente igual ao outro. São nuances. No fundo, diferentes. Superficialmente, iguais.

São nas nuances que eu acredito.

Teuso disse...

São exemplos metafóricos! Poderiam ser advogados, treinadores de tênis e administradores de empresa.
Não vejo problema em gostar de futebol é muito legal e BBB também. As vezes se tem que descansar a cabeça. O que queria dizer é que, as classes mais baixas estão fadadas a simplesmente sobreviver.Um dia um mecânico me falou: "Nunca tive tempo de estudar, o tempo que tenho tenho que trabalhar". Para milhões a oportunidade não existe. Cabe aos que tem oportunidade fazerem a diferença.
Gosto de exemplos, senão fica tudo muito subjetivo.
Que sejam nuances!

Peter disse...

Semanticamente os exemplos não são metafóricos, e sim elucidativos. Que, mal aplicados, contaminam a bela idéia do texto.

E quem vive de futebol e assiste sem descansar a cabeça?

E quem vive de BBB e assiste por obrigação?

Mesmo problemas dos exemplos "metafóricos".

Veja bem, concordo com o que dizes, e acho que seria muito melhor colocado se os "exemplos" fossem evitados.

Explico o porquê.

No fundo no fundo passa uma idéia de conformismo, que é antagonicamente contrária ao espírito de "belief" na sociedade, em acreditar que a sociedade pode mudar o seu ambiente (positivamente).

Aqui está a prova: "O que queria dizer é que, as classes mais baixas estão fadadas a simplesmente sobreviver."

Discordo. Veementemente.

Não gosto deste exemplo (por motivos políticos), mas é o melhor deles: nosso presidente.

Ex torneiro mecânico, com baixo nível cultural, tornou-se presidente.

Tão presidente quanto o Obama, que teve educação (de primeira linha), e foi um jovem revoltado, preconceituoso (sim, eu acho), e usuário de drogas.

Isso prova que mesmo as classes mais baixas PODEM viver e construir uma história que vire exemplo. Não apenas sobreviver.

Tenho pena do mecânico que te disse que não tinha tempo de estudar, só trabalhar.

Conheço pessoas (as tenho em casa) que penaram trabalhando e penaram mais ainda estudando. E cresceram na vida.

Viraram exemplos.

Construíram.

Exemplos positivos existem aos montes. Cabe ao teu mecânico perceber que sim, existem possibilidades.

Volto pro generalismo.

Talvez teu mecânico tenha generalizado, acreditando que isto é difícil, quiçá impossível. E não tentou. Sequer percebeu as oportunidads.

Pode ser que ele tenha tentado, mas desistiu. A culpa não é dele.

É minha.

É tua.

É de quem ler isso, que não tentou mostrar o mundo de oportunidades que existem.

Se alguém tivesse feito isso, com dedicação e perseverança, talvez o mecânico tivesse feito qualquer outra coisa.

Talvez virasse milionário, escritor de livros e palestrante.

Talvez virasse exemplo para outras pessoas.

Talvez, como mecânico, acreditando que não teve outra oportunidade, ele continue sendo exemplo.

Eu aprendi com ele.

Aprendi contigo, lendo isso.

Por isso acredito na sociedade.

Por causa da nuance de aprender com base no outro, que mal conhecemos.

Teuso disse...

Ok Peter! Estamos chegando em um consenso! As pessoas de classe mais baixa que superam os obstáculos são exceção. O que quero dizer é que se a sociedade fosse toda feita de exceções não teríamos garis nas ruas, traficantes, prostitutas, mendigos.Se não existisse infelicidade não existiria felicidade. Vale lembrar que só existe um presidente por país (por favor, não leva esse comentário ao pé da letra, sei que não é preciso ser um presidente para ser uma exceção).
É a lei de Darwin o mais forte vence!
Por isso que a vida é demais! Porque tem altos e baixos, é dinâmica! E não é só feita de finais felizes!
O mecânico que me falou isso já morreu, acho que há um ano.

Peter disse...

Tenho minhas dúvidas se as pessoas de classe mais baixa que superam os obstáculos são exceção.

Creio que até podem ser a regra.

É muito, mas muito difícil fazer "malabarismos" financeiros, cuidar de casa, família e trabalhar, ganhando muito pouco (ou quase nada) e ainda conseguir pagar as contas no final do mês.

Essa situação é mais comum do que se pensa, e creio que ela serve para ilustrar que superar obstáculos não é exceção.

No Brasil é quase regra.

Administrar uma empresa que tem como maior sócio o governo é um exercício de criatividade e superação.

Viver é deparar-se com obstáculos, e inconscientemente superá-los, o que faz com que a superação seja regra.

Se encararmos como exceção criaremos um mundo cujo reflexo é a mazela, a não-superação.

Sabe aquele ditado: plantas o que colhes?

Pois é isso. Plantamos um mundo de pessoas que não superam os obstáculos, e colheremos um mundo assim. Contrário senso, se plantarmos um mundo onde as pessoas se superam diariamente (o que eu acho que o fazem), colheremos um mundo de superação, de crescimento.

Pode parecer utópico para muitos. Mas voltamos às nuances, mais especificamente à nuance do ponto de vista.

É só uma questão de ajustar o foco. Se olharmos com olhos de que a superação é exceção, enxergaremos um mundo em que a "derrocada" (não é o melhor antônimo, mas serve) é lei.

Entretanto, se mudarmos o foco, perceberemos que existem muito mais histórias de pessoas que se superaram (nós mesmos podemos ser exemplo), e que a superação é regra geral.

Acredito piamente que a sociedade é feita de exceções, pois acredito que a sociedade é feita de indivíduos diferentes (todos). Como criar um generalismo apenas com dados diferentes? Impossível.

Não entendo quando dizes que garis, traficantes, prostitutas e mendigos são reflexos de uma sociedade em que a superação é exceção.

E os garis, traficantes, prostitutas e mendigos que são esclarecidos, tem consciência de suas atitutes, tem possibilidade de fazer alguma outra coisa e continuam sua vida pois se sentem felizes assim? Esses não merecem ter seu valor exaltado?

Mesmo em uma sociedade (aqui sim, utópica, eis que no presente ela não existe, e rezo para que no futuro seja assim) onde todos são felizes, fazem o que querem e são realizados, ainda existiriam garis, traficantes, prostitutas e mendigos.

Talvez eles estejam em outro plano.

Ou melhor, talvez eles sejam um produto cultural (ou acultural), exemplo: o indiano abnegado que vive por rezar para outros, vive de "esmola" de outros, que aqui é visto sob as vestes de mendigo e na Índia é visto como um herói, altamente respeitado e exemplar.

E aí? Não são nuances culturais?

A Lei de Darwin pode e precisa ser relativizada. O mais forte agora pode ser o fraco de amanhã, e o mais fraco hoje pode ser o forte no futuro.

Há espaço para todos serem vencedores, cabe a cada um perceber suas fraquezas e batalhar buscando seu fortalecimento. Seja sozinho, seja com a ajuda de outras pessoas.

Por isso continuo acreditando na sociedade.

Os finais que não são felizes podem ser olhados sob outra perspectiva, que os deixará felizes.

Já diria um grande amigo meu (www.albertorosa.com.br): felicidade é ponto de vista.

Acredito numa vida feita de finais felizes.

Sinto pelo mecânico. Adoraria ter conhecido ele. Que descanse em paz, pois certamente ele mereceu.

É realmente preciso haver infelicidade para haver felicidade?

Beto disse...

Bom pessoal, acho que está sendo necessária minha presença por aqui, com a finalidade de colocar um ponto final nessa saudável discussão.

Eu quero comentar sobre os exemplos, algo já surrado. Não preciso dizer que concordo com o peter sobre os exemplos supracitados.

Ainda acredito na sociedade como um universo de pontos de vista de felicidade aonda ser feliz para mim, pode ser infeliz para você.

Uma vez pude interferir diretamente na felicidade de uma pessoa com minhas singelas obrigações de ser humano.

Pude presentear um garoto (necessitado) com uma bicleta. Lembro que na carta dele, ele dizia que tudo o que ele mais queria era uma bicicleta, afinal sem condições, não poderia tê-la. Foi de imediato que dei uma "reformada na minha bicicleta" e dei a mesma à ele, era Natal.

Trago esse exemplo, para a situação que encontramo-nos. Esse garoto, ainda infantil, dominado por pensamentos infantis, por sonhos infantis, naquele momento, considerava sua bicicleta como seu objetivo a curto prazo. Em uma rápida conversa que tive com ele, ele me disse que queria estudar, trabalhar e ajudar a renda familiar, que era inferior a um salário mínimo.

Confesso que na época eu não pensei sob essa ótica, mas hoje, regressando àquele dia penso que aquele jovem pode ser consideravo uma pessoa que almeja o sucesso, e não um acomodado que resolveu fazer um pedido ao "papai noel".

Nossa sociedade está tomada de pessoas que invertem a ordem da felicidade, e não acho que isso é comodismo, apenas um modo de obter um resultado de forma distintas.

Sem generalismos.

Não gosto de julgar nem pretendo ser invasivo no ponto de vista de cada um, porém acho que sem o sucesso do borracheiro, o sucesso do eletricista, o sucesso do cobrador de ônibus, nõs não teríamos alguns benefícios. É uma roda, aonde todos têm parcela de contribuição na sociedade, isso não chama-se comodismo, e sim, responsabilidade social.

Fui claro? hehe.

Abs

Beto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Peter disse...

Enfim uma metáfora.

Deveras construtiva.

Concordo com o Beto.

Nas nuances dele ele mostrou para uma criança que sempre há oportunidade (ou foi a criança que mostrou isso para ele???).

A consciência de ter que correr atrás, trabalhar, ajudar na renda familiar é mostrar que mesmo os menos afortunados conseguem viver e crescer, e não simplesmente sobreviver.

E acredito que essa criança é feliz, pois sabe que tem um mar de oportunidades e que poderá contribuir diretamente para a felicidade de sua família.

Quer coisa mais importante e feliz do que isso? Saber do seu papel na sociedade, querer construir?

Uma criança pensando em ajudar o próximo??

É a prova de que a sociedade possui os meios para sua evolução. Para sua felicidade.

Por isso que digo, como meu amigo me abriu os olhos: felicidade é questão de ponto de vista.

Essa criança poderia ser infeliz por não ter nada, ou por ter que trabalhar por outros. Por outro lado poderá ser feliz, realizada, completa, ao ajudar sua família, em qualquer profissão.

Seja gari. Seja vigia. Seja mecânico. Seja advogado. Seja professor de tênis. Seja administrador.

Qual dos pontos de vista é melhor para a criança, para ti, para mim e para os outros?

Peter disse...

Esqueci de mencionar que do sucesso da sociedade é que deriva a inclusão social.

Da responsabilidade social de cada um.

Por isso não importa a profissão, o nível cultural e sócio-econômico das pessoas, e sim sua conscientização.

Faça o que pode fazer, faça bem, cresça, aprenda, evolua, e o próximo evoluirá.

Teuso disse...

O Beto conseguiu "pegar" o que eu tava querendo dizer. O Peter parece a Luciana Gimenez querendo por lenha na fogueira! hehehehe.
O que quero dizer é que devemos procurar um sentido real para nossas vidas e não viver de superficialidades e da matéria! Abs!

Peter disse...

Discordo do "lenha na fogueira".

Só acho que, assim como uma construção deve ter um alicerce, uma idéia deve ter uma premissa. Um pensamento deve ter as suas bases (isso é exemplo metafórico).

Não coloco "lenha na fogueira". Apenas faço um trabalho retórico para descobrir as premissas que fundamentam as opiniões que postamos aqui.

Só entendendo as premissas é que podemos ter uma compreensão absoluta da opinião do outro.

Por isso que digo que mesmo o que queres dizer (que devemos procurar um sentido real para nossas vidas e não viver de superficialidades e da matéria) pode vir a estar equivocado.

Como?

O que é superficialidade para mim, pode não ser superficialidade para ti.

O que é material para ti, pode não ser material para mim.

Se eu vivo de acordo com X (e isso é superficial para ti), e acho que isso é um sentido real em minha vida, eu estou vivendo plenamente. Muito embora tu não concorde.

O que concluo que não podemos julgar os outros pelos que eles fazem ou deixam de fazer. Somos todos diferentes.

Se eu julgo outro, ele pode me julgar, e, de julgamentos, criamos pré-conceitos (que muitas vezes podem estar equivocados).

De pré-conceitos surgem as diferenças.

De diferenças surgem as segregações.

De segregações surgem animosidades.

E por aí vai.

Entende aonde quero chegar?

Peter disse...

São as nuances.

Poker dos Primos disse...

eheheh.. visita registrada! ;)

 
Copyright 2010 pago bem!