terça-feira, 2 de junho de 2009

E tudo se encaixou

Depois de um mês e vinte e um dias, as coisas voltaram ao seu devido lugar. Como um toque de Midas, aquilo que um dia era ócio virou saudade, aquilo que um dia era vazio tornou-se cheio por demais, aquilo que um dia era motivo de lamentação, virou motivo de aprendizado multiplicado pela paciência do “tudo vai dar certo”.

Não nego que a saudade provoca suspiros daqueles dias que povoaram minhas horas como períodos passageiros, períodos de inutilidade... porém períodos de compreensão do tempo. O tempo, que já fora abordado por aqui, não decepcionou e trouxe “com o vento”, uma passagem (lição) de como esperar é necessário, de como aguardar algo torna seu valor inestimável, de como a surpresa pode ser melhor que a esperada.

“- Era um dia quente, o sol castigava o asfalto que gemia ao transcorrer de rodas apressadas. A temperatura obrigava, aqueles que rumavam aos seus domicílios, a permanecerem com suas faces entregues ao vento e inertes ao efeito sonoro proveniente do interior de seus veículos. A preocupação era tanta, a ansiedade era notória que a fome e a pressa acabaram por ficar de lado na espera de um simples sussurrar, na calma de olhar para o lado aguardando uma nova chamada, ficava vulnerável aos perigos que o asfalto lhe guardava em conjunto com as mentes dispostas a riscarem avenidas com a pressa do regresso ao lar. Sinais fechando, fumaça conduzindo fumaça, e o trajeto encaixando-se perfeitamente para uma sexta-feira gloriosa, detentora de notícias que tornassem a felicidade a médio prazo, plausível e real! Minutos passando-se, carros perseguindo seus trajetos e o rádio persuadia a mente que tornara-se capaz de ouvir um decibel qualquer desde que fosse de gosto e intenção. Nada! O laranja ácido do painel do carro confundia os olhos que uma vez intensos queriam enxergar a luz de telefone móvel... estrategicamente posicionado ao lado direito. Ruelas, becos, lombadas e desvios a fio foram o suficiente para desconcentrar e visão panorâmica e não perceber a vibração que outrora aconteceu. Tudo se encaixou! A ligação ocorreu, a notícia transmitida e a sexta-feira ganha!”

A saudade, naquele momento, tornou-se um mero desafio... o compromisso foi aceito como proposta de crescimento e a angústia travestida em doses de energia incomparáveis. No final das contas o resultado foi único, a espera sofrida e a novidade festejada... como uma bola dentro, como um quebra cabeças de 1000 peças ou simplesmente como uma verdadeira luz no fim do túnel.

4 comentários:

Peter disse...

Perfeito o lirismo do autor.

E tudo que eu tenho a dizer é: o cara aprendeu com o vento... e com o tempo!

Eu sou o cara! (não o cara acima, mas também aprendi)

Tu é o cara!

Ele é o cara!

Nós somos os caras!

Vós sois os caras!

Eles são os... não, eles não... que nós sejemos os caras.

Teuso disse...

Show betinho! Tu merece rapa! Semeou e colheu! abs!

Poker dos Primos disse...

Bela Crônica Vizinho! =)

Beijao!
Clá.

Peter disse...

O blog virou só crônicas?

Desafio um dos autores para mudar a realidade!!!!

(não que eu não goste, mas é que eu gosto)

 
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