sexta-feira, 31 de julho de 2009

Indignação

A vida é um complexo de indignações, ou seja, um local minado por revoltas. Porém se engana quem pensa que sou um pessimista de plantão ou um mero descontente pelas adversidades que encontro, um mero fracassado. Não! Apenas escolhi o tema por ser vasto, suficientemente abordável e discutível com nossos queridos amigos contribuintes e simpáticos leitores. Estar indignado é um estado de espírito avesso de tudo aquilo que já fora discutido por aqui, porém nunca é tarde para expressões contemporâneas do modo obscuro de retrair a raiva. Retrair sim, afinal estar indignado nem sempre resume um desconto da fúria, um alívio das tensões... se bem que para aliviar uma tensão, há diversas maneiras (bem mais eficientes). Fico indignado seguidamente, talvez pelo meu “pavio curto”, talvez por ser intolerante, porém sempre com alguma razão, da qual me esforço para que entendam e compreendam essa postura semi rígida. A situação que hoje vivemos (nada recente), resume parcela dessa indignação traduzida em html´s... Corrupção, vantagens, descasos, violência, insegurança e uma série de fatores fizeram eu refletir sobre o papel de cada um nessa longa jornada de reclamações e atitudes, pequenas mas atitudes, que visam uma virada de mesa ou quem sabe uma progresso em escalas milimétricas. Não pretendo circundar o post em um tema isolado afinal sei que os problemas situam-se em um âmbito superior ao alcance de meras linhas de explanação. Porém não conseguiria deixar de abordar a falta de educação do trânsito gaúcho, mais precisamente da Região Metropolitana de Porto Alegre. Por ser um motorista que, cada vez mais, dirige na defensiva, passo a maior parte do tempo analisando o modo de condução dos veículos alheios. É inacreditável tamanha falta de consideração, desordem e desrespeito para/com os outros nas vias públicas. São veículos em velocidade abusiva, seres desprovidos de gentileza, motoristas irados, cidadãos não comprometidos com o bom tráfego do trânsito, enfim, pessoas sem o tão valorizado espírito colaborativo. Colaboração, tão bonita na escrita, porém nada praticada e usual. Mesmo que o condutor limite-se ao conforto interno de seu automóvel é necessário que se pratique a compreensão e a boa vizinhança no momento aonde todos tem o mesmo valor e representatividade perante uma sociedade movida com forças de todos os lados. Fico pensativo se aquele motociclista que corta o trânsito não utiliza dessa malandragem para contar vantagens na fila do cinema, se o condutor daquele veículo que ultrapassa o sinal vermelho tenta (grosseiramente), de qualquer modo ingressar no banco após o horário permitido, se aquele caminhoneiro que “pressiona” veículos na estrada, também abusa de seu tamanho em discussões ou tentativas mal sucedidas de pacificar algum momento. Acredito que o comportamento de cada um é expresso em atitudes rotineiras e corriqueiras, mesmo que elas representem pouco sobre o que se pensa ou o que se quer esboçar. Eu continuo do meu modo, velocidade máxima a 60km/h, e priorizando a gentileza, sabendo que “costurar” e atrapalhar o trânsito me renderão nem 5 minutos de antecedência, bem como uma postura nada correta para garantir meus direitos como contribuinte da cidadania.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Permita-se.

Existem momentos e momentos.

Momentos em que sabemos o que fazer - e fazemos - e momentos em que não sabemos o que fazer, e ficamos a procurar a resposta.

Ela não era diferente.

Julieta era doce, meiga, madura e inteligente. E tinha suas dúvidas. Como todo mundo.

A vida é como o tempo. Um dia acordamos sendo presenteados com um belo dia de sol. No outro vamos dormir abaixo de uma tempestade.

Julieta estava vivendo um daqueles períodos chuvosos. Muitas dúvidas pairavam em seus pensamentos. Dúvidas sobre o passado, o presente e o futuro. Dúvidas sobre si mesma, dúvidas sobre os outros. Apenas dúvidas.

Desconfortável, vestiu um velho tênis, confortável, companheiro de boas caminhadas. Trocou o habitual jeans por uma calça de academia. Vestiu uma blusa básica, arrumou os cabelos e pegou seu Ipod.

Aproveitou um dia de sol e pôs-se a correr.

Suas companhias seriam ela mesma, uma água para refrescar, uma estrada para percorrer e o sol a acompanhar.

A cada passada um pensamento diferente: uma de suas dúvidas vinha para calar o Tom Jobim que ela escutava.

Não sabia o que a levara a fazer aquilo. O que a levara a correr, o que a levara a pensar, o que a levara àquele lugar.

Quanto mais corria, mais dúvidas tinha. A cada passada a ansiedade aumentava.

Queria poder saber o que fazer, aonde ir, como reagir, o que sentir, como ajudar, se conseguiria, se era verdade, se melhoraria, se daria certo, se combinava, se deveria ligar, se deveria ser persistente, se deveria mudar, se deveria falar, se deveria ouvir, se estava certa, se estava errada, se deveria agir, se deveria esperar, se estava no caminho certo, se falara demais, se a vida era assim, se seus sonhos seriam atingidos, se acertou, se errou, se... se... se... se...

O caminho que percorrera era longo. Tão longos quanto seus pensamentos.

Foi um pensamento simples que ela teve que a ajudou.

Era aquela estrada. Era por causa da estrada que ela havia decidido correr.

Acabou se dando conta de que a estrada era sua cúmplice. Era a estrada que havia sentido todas suas preocupações. Era a estrada que a ajudaria.

Afinal, a vida é uma estrada. É optar por caminhos, e aproveitar a trilha.

Ela permitiu-se sentir a estrada. Permitiu-se sentir como correr fazia bem ao seu corpo.

Permitiu-se olhar a paisagem.

Permitiu-se sentir a melodia do Tom Jobim... permitiu-se ser levada pela música.

Permitiu-se ser ela mesma. Permitiu-se sentir que seguir pela estrada era viver.

Permitiu-se saber. Saber que a estrada a levaria aonde ela quisesse. Aonde ela desejasse. Aonde seu corpo e sua mente precisassem estar.

Permitiu-se sentir a beleza e aproveitar o caminho.

Deu-se conta de que viver é aproveitar os caminhos. Permitiu-se viver.

O sol e o calor daquele dia foram aos poucos fazendo com que suas dúvidas sumissem...

Ela ainda não sabia, mas no final da estrada havia o paraíso a esperando.

A vida é como o tempo.

Permitir-se deixou que o sol fizesse com que o tempo ruim desaparecesse da sua mente. Deixou sua corrida mais feliz. Deixou sua estrada linda, esperando para ser apreciada.

O paraíso era seu corpo feliz. Livre. Com as certezas de que todos os seus desejos e sonhos seriam realizados. Completa.

Permitir-se completaria todas as estradas de sua vida.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Muito bom

Esse merece.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Sobre Lugares e Amor

Nossos sentimentos estão estreitamente ligados aos lugares que frequentamos e pessoas que convivemos. Volta e meia frequento algum lugar no qual não frequentava à um bom tempo. O que é engraçado é que logo quando piso novamente em um lugar a primeira sensação que me dá é a de nostalgia, pois o lugar me reporta à sentimentos e pensamentos que já foram meus mas não estão tanto à tona como estavam há um ano atrás por exemplo (tipo a música dos Beatles, There are Places I Remember). São experiências interessantes, mas logo as emoções presentes sobressaem-se sobre as antigas e eles voltam para o seu lugar. Não que sejam menos importantes... Bom na maioria das vezes esses lugares são torneios de tênis, e é ai que entra o amor. Porque o amor é o diferencial, de um bom jogador com excelentes golpes e de um vencedor. O vencedor ama o jogo e o amor suporta e supera tudo. É o diferencial, jogar com amor. Isso seria uma boa filosofia de vida. Amar o que se é, o que se faz, quem e o que se tem. Mas amar não é fácil, o amor verdadeiro amor não se apega, e ai é o X da questão. Se amamos algo ou alguém tanto, e esse algo ou alguém seria mais feliz ou mais satisfatório sem a nossa presença nos os deixaríamos ir. O que me questiono é se nós deixamos ir não seria falta de amor próprio, assim como seria falta de amor próprio nos colocarmos em situações ou com pessoas que não são nossos verdadeiros amor. Complicado tudo isso. O amor é utópico? Bom, como diria nosso Rei, se chorei ou se sorri o importante é que emoções eu vivi!!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

sweet

Under the weather.

Sair de casa pela manhã com um casaco de lã e um cachecol. Conforme o dia vai passando, sentir a temperatura do corpo subir e sentir a necessidade de ir tirando um pouco as pesadas roupas que coloquei quando acordei.

Sempre vem o pensamento: "Deve ter sido o sono. Nem tá tão frio assim..."

Meio dia. Sol forte em cima da cabeça. Na sombra um vento gélido subindo pela espinha. No sol um calor que lembra aqueles dias quentes do verão. Resultado: é o meio da tarde e estou usando apenas uma camisa, carregando uma pilha de roupas que tive que pegar para me proteger do frio.

É: primavera.

Pelo menos posso ver a paisagem bucólica ser trocada pelas flores que nascem. Vejo a neblina que começou o dia ser aos poucos substituídas pela luz do sol. O dia começa cinza e vai ficando colorido.

O tempo passa.

O calor esparso da primavera acaba cedendo.

Durmo com calor, com pouca ou nenhuma roupa. Por vezes não consigo dormir. O calor dificulta o sono.

Ligo o ar-condicionado e deixo aquela brisa gelada embalar uma noite de sono.

O verão é... quente.

O corpo fica muito mais disposto.

O dia começa lindo, colorido, iluminado, com o sol dando bom-dia.

Tanto quanto eu gosto do sol, eu acabo ficando irritado com o calor na rua. Caminho na sombra para não suar. Procuro lugares que ofereçam uma sombra e um ar-condicionado.

Agora, como esquecer das sensações do verão?

O calor chama um sorvete gelado. Sinto o corpo ficar refrescado.

Tomo um suco gelado vendo as pessoas correr.

Tenho vontade de pular numa piscina e ficar o dia inteiro sendo abraçado pelo sol.

É o meio da tarde e estou com calor. Muito calor. Olho pro céu e tenho dificuldades de enxergar. O sol brilha alto e forte. Preciso de alguma coisa que não sei.

Sinto um pingo no ombro. Já sei o que preciso. Um banho de chuva.

Deixo as circunstâncias guiarem. O sol é teimoso (ainda bem) e não cede espaço para a chuvinha de verão que começa a cair. Abro os braços e deixo a chuva ir lentamente conhecendo o meu corpo. Baixando a temperatura que o sol insiste em aumentar. O corpo relaxa e sou presenteado com uma visão: a chuva que cai é atravessada pelo sol, e vejo um arco-íris que completa a paisagem.

Quando saio não carrego nada. Uso roupas leves e mais coloridas. Minha mala pesa pouco. Passo o dia com uma sandália ou um chinelo. O conforto chama!

Vou para a praia. Fico no sol e fico com calor. Procuro o mar. Deixo as ondas levarem meu corpo. E volto pro sol.... até ficar com calor de novo!

Tenho vontade de sair na rua, de ver as cores vibrantes, de ver o sorriso nas pessoas que cruzo, tudo reproduzindo o sol.

São oito da noite e ainda posso aproveitar o dia. Acabo brindando com uma cerveja gelada.

O tempo passa.

Começo a desligar o ar no meio da noite. Parece que o ar da rua é tão ou mais gelado quanto o que o aparelho faz.

Vou sentindo a necessidade de carregar uma jaqueta... ou deixar ela por perto. Se for o caso uma manga cumprida já serve.

As árvores, com suas copas cheias e verdes começam a sentir o peso do tempo.

As cores ganham outros tons, menos brilhantes.

As folhas caem.

A paisagem toma outros ares. As chuvas que refrescam começam a ficar menos refrescantes.

O corpo parece sentir que o calor está perdendo espaço.

Parece que o dia começa a diminuir, pois aproveito menos o tempo com sol depois do trabalho.

É o prenúncio do outono.

O tempo passa.

Acordo e fico com menos vontade de acordar.

Alongo o braço e vejo que a temperatura na rua não é muito agradável. Será que exagerei nas cobertas?

Acho que preciso de mais roupas para dormir...

Saio na rua e sinto um ar gelado atravessar as pernas, passar por entre os dedos. Sinto um vento mudar o meu penteado.

Vejo que as cores mudam. As roupas mudam. As pessoas mudam.

Sinto fome. Como uma massa e uma barra de chocolate.

Troco a cerveja gelada do fim do dia por um vinho na frente da lareira.

Troco o banho de piscina ou de mar pelo filme embaixo das cobertas.

Sinto o corpo pesado pelas roupas que tive que colocar.

A noite cai e ainda estou no trabalho. Cadê os dias que não acabam?

O frio faz com que meu corpo conheça seus limites.

Troco a camiseta leve e confortável pelo cachecol e casacão. Acabo me vendo e me sentindo mais elegante.

As chuvas deixam os dias com ares diferentes. Um dia chuvoso no inverno tem uma nuance especial.

Chego em casa e ela está gelada. Ligo um aquecedor e coloco uma música alta. Tiro a roupa e sinto frio. Sou recompensado por um banho demoradamente quente. É bom sentir o calor.

O tempo passa e sou presenteado com tudo de novo. Under the sweet weather.

domingo, 5 de julho de 2009

Doce e Amargo

Estava eu tomando um bom e reforçado café da manhã, como não gosto de café e nem de leite estava bebendo suco de laranja. Era uma mordida na torrada e um gole de suco. Pra dar aquela finalizada e manter-me nutrido para mais um dia de trabalho, fui finalizar o desjejum com um danoninho. Mas acontece que logo depois que eu acabei o danoninho fui tomar um último gole de suco e ai surgiu este texto que vos escrevo. O suco de laranja ficou muito mais amargo depois de comer o danoninho, o que me fez perceber que o amargo é muito mais amargo quando já se conhece o gostinho do doce. E o contrário também é verdadeiro, o doce fica mais doce depois de já ter tido o gosto amargo na boca. Qual é o melhor gosto o doce ou o amargo? Depende do momento, tem momentos que queremos um sábado de noite encerrado com um petit gateu a dois, e em outras com uma cerveja entre amigos. Os dois são necessários, e se um não existisse seria a desgraça do outro. A vitória só é doce quando se sabe o gosto amargo da vitória. Darei aqui um exemplo que se encaixa perfeitamente. Roger Federer ia, no último Wimbledom, rumo ao seu sexto título consecutivo, quando surgiu Rafael Nadal em seu caminho, com certeza foi a derrota mais amarga de sua carreira, justamente por estar tão acostumado com a doçura do tradicional morango com chantilly inglês. E em contrapartida seu último título de Grand Slam deve ter sido o mais doce de sua vitoriosa carreira, em Roland Garros, onde seu algoz em Wimbledom nunca tinha perdido na vida!! Isso quando ninguém mais acreditava! Docíssimo! Acho que é mais ou menos quando se é criança, o chocolate só vem depois do bife de fígado. Quanto mais saboreamos o amargo mais doces serão os doces.
 
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