quinta-feira, 30 de julho de 2009

Permita-se.

Existem momentos e momentos.

Momentos em que sabemos o que fazer - e fazemos - e momentos em que não sabemos o que fazer, e ficamos a procurar a resposta.

Ela não era diferente.

Julieta era doce, meiga, madura e inteligente. E tinha suas dúvidas. Como todo mundo.

A vida é como o tempo. Um dia acordamos sendo presenteados com um belo dia de sol. No outro vamos dormir abaixo de uma tempestade.

Julieta estava vivendo um daqueles períodos chuvosos. Muitas dúvidas pairavam em seus pensamentos. Dúvidas sobre o passado, o presente e o futuro. Dúvidas sobre si mesma, dúvidas sobre os outros. Apenas dúvidas.

Desconfortável, vestiu um velho tênis, confortável, companheiro de boas caminhadas. Trocou o habitual jeans por uma calça de academia. Vestiu uma blusa básica, arrumou os cabelos e pegou seu Ipod.

Aproveitou um dia de sol e pôs-se a correr.

Suas companhias seriam ela mesma, uma água para refrescar, uma estrada para percorrer e o sol a acompanhar.

A cada passada um pensamento diferente: uma de suas dúvidas vinha para calar o Tom Jobim que ela escutava.

Não sabia o que a levara a fazer aquilo. O que a levara a correr, o que a levara a pensar, o que a levara àquele lugar.

Quanto mais corria, mais dúvidas tinha. A cada passada a ansiedade aumentava.

Queria poder saber o que fazer, aonde ir, como reagir, o que sentir, como ajudar, se conseguiria, se era verdade, se melhoraria, se daria certo, se combinava, se deveria ligar, se deveria ser persistente, se deveria mudar, se deveria falar, se deveria ouvir, se estava certa, se estava errada, se deveria agir, se deveria esperar, se estava no caminho certo, se falara demais, se a vida era assim, se seus sonhos seriam atingidos, se acertou, se errou, se... se... se... se...

O caminho que percorrera era longo. Tão longos quanto seus pensamentos.

Foi um pensamento simples que ela teve que a ajudou.

Era aquela estrada. Era por causa da estrada que ela havia decidido correr.

Acabou se dando conta de que a estrada era sua cúmplice. Era a estrada que havia sentido todas suas preocupações. Era a estrada que a ajudaria.

Afinal, a vida é uma estrada. É optar por caminhos, e aproveitar a trilha.

Ela permitiu-se sentir a estrada. Permitiu-se sentir como correr fazia bem ao seu corpo.

Permitiu-se olhar a paisagem.

Permitiu-se sentir a melodia do Tom Jobim... permitiu-se ser levada pela música.

Permitiu-se ser ela mesma. Permitiu-se sentir que seguir pela estrada era viver.

Permitiu-se saber. Saber que a estrada a levaria aonde ela quisesse. Aonde ela desejasse. Aonde seu corpo e sua mente precisassem estar.

Permitiu-se sentir a beleza e aproveitar o caminho.

Deu-se conta de que viver é aproveitar os caminhos. Permitiu-se viver.

O sol e o calor daquele dia foram aos poucos fazendo com que suas dúvidas sumissem...

Ela ainda não sabia, mas no final da estrada havia o paraíso a esperando.

A vida é como o tempo.

Permitir-se deixou que o sol fizesse com que o tempo ruim desaparecesse da sua mente. Deixou sua corrida mais feliz. Deixou sua estrada linda, esperando para ser apreciada.

O paraíso era seu corpo feliz. Livre. Com as certezas de que todos os seus desejos e sonhos seriam realizados. Completa.

Permitir-se completaria todas as estradas de sua vida.

5 comentários:

Peter disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Peter disse...

Caros leitores.

Digo que estou envergonhado, pois este texto é antigo (do meu antigo blog, com a devida atualização).

Estarei postando alguns dos posts daquela época, pois estou preparando uma nova leva de textos.

Aceito sugestões.

Obrigado!

Teuso disse...

Bufo a tanga Peter! A felicidade não esta em chegar aonde se deseja, mas sim no caminho que percorremos para chegar lá! Abs!!

Beto disse...

Falou e disse!
Tanto faz ser uma rodovia, como um atalho até a cerca da vizinha... Ser feliz é estar satisfeito com o trajeto percorrido ou a percorrer.

Peter disse...

Fato... desde que escrevi isso eu tenho tentando agir assim...

e dá uma diferença enorme...

 
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