segunda-feira, 13 de julho de 2009

sweet

Under the weather.

Sair de casa pela manhã com um casaco de lã e um cachecol. Conforme o dia vai passando, sentir a temperatura do corpo subir e sentir a necessidade de ir tirando um pouco as pesadas roupas que coloquei quando acordei.

Sempre vem o pensamento: "Deve ter sido o sono. Nem tá tão frio assim..."

Meio dia. Sol forte em cima da cabeça. Na sombra um vento gélido subindo pela espinha. No sol um calor que lembra aqueles dias quentes do verão. Resultado: é o meio da tarde e estou usando apenas uma camisa, carregando uma pilha de roupas que tive que pegar para me proteger do frio.

É: primavera.

Pelo menos posso ver a paisagem bucólica ser trocada pelas flores que nascem. Vejo a neblina que começou o dia ser aos poucos substituídas pela luz do sol. O dia começa cinza e vai ficando colorido.

O tempo passa.

O calor esparso da primavera acaba cedendo.

Durmo com calor, com pouca ou nenhuma roupa. Por vezes não consigo dormir. O calor dificulta o sono.

Ligo o ar-condicionado e deixo aquela brisa gelada embalar uma noite de sono.

O verão é... quente.

O corpo fica muito mais disposto.

O dia começa lindo, colorido, iluminado, com o sol dando bom-dia.

Tanto quanto eu gosto do sol, eu acabo ficando irritado com o calor na rua. Caminho na sombra para não suar. Procuro lugares que ofereçam uma sombra e um ar-condicionado.

Agora, como esquecer das sensações do verão?

O calor chama um sorvete gelado. Sinto o corpo ficar refrescado.

Tomo um suco gelado vendo as pessoas correr.

Tenho vontade de pular numa piscina e ficar o dia inteiro sendo abraçado pelo sol.

É o meio da tarde e estou com calor. Muito calor. Olho pro céu e tenho dificuldades de enxergar. O sol brilha alto e forte. Preciso de alguma coisa que não sei.

Sinto um pingo no ombro. Já sei o que preciso. Um banho de chuva.

Deixo as circunstâncias guiarem. O sol é teimoso (ainda bem) e não cede espaço para a chuvinha de verão que começa a cair. Abro os braços e deixo a chuva ir lentamente conhecendo o meu corpo. Baixando a temperatura que o sol insiste em aumentar. O corpo relaxa e sou presenteado com uma visão: a chuva que cai é atravessada pelo sol, e vejo um arco-íris que completa a paisagem.

Quando saio não carrego nada. Uso roupas leves e mais coloridas. Minha mala pesa pouco. Passo o dia com uma sandália ou um chinelo. O conforto chama!

Vou para a praia. Fico no sol e fico com calor. Procuro o mar. Deixo as ondas levarem meu corpo. E volto pro sol.... até ficar com calor de novo!

Tenho vontade de sair na rua, de ver as cores vibrantes, de ver o sorriso nas pessoas que cruzo, tudo reproduzindo o sol.

São oito da noite e ainda posso aproveitar o dia. Acabo brindando com uma cerveja gelada.

O tempo passa.

Começo a desligar o ar no meio da noite. Parece que o ar da rua é tão ou mais gelado quanto o que o aparelho faz.

Vou sentindo a necessidade de carregar uma jaqueta... ou deixar ela por perto. Se for o caso uma manga cumprida já serve.

As árvores, com suas copas cheias e verdes começam a sentir o peso do tempo.

As cores ganham outros tons, menos brilhantes.

As folhas caem.

A paisagem toma outros ares. As chuvas que refrescam começam a ficar menos refrescantes.

O corpo parece sentir que o calor está perdendo espaço.

Parece que o dia começa a diminuir, pois aproveito menos o tempo com sol depois do trabalho.

É o prenúncio do outono.

O tempo passa.

Acordo e fico com menos vontade de acordar.

Alongo o braço e vejo que a temperatura na rua não é muito agradável. Será que exagerei nas cobertas?

Acho que preciso de mais roupas para dormir...

Saio na rua e sinto um ar gelado atravessar as pernas, passar por entre os dedos. Sinto um vento mudar o meu penteado.

Vejo que as cores mudam. As roupas mudam. As pessoas mudam.

Sinto fome. Como uma massa e uma barra de chocolate.

Troco a cerveja gelada do fim do dia por um vinho na frente da lareira.

Troco o banho de piscina ou de mar pelo filme embaixo das cobertas.

Sinto o corpo pesado pelas roupas que tive que colocar.

A noite cai e ainda estou no trabalho. Cadê os dias que não acabam?

O frio faz com que meu corpo conheça seus limites.

Troco a camiseta leve e confortável pelo cachecol e casacão. Acabo me vendo e me sentindo mais elegante.

As chuvas deixam os dias com ares diferentes. Um dia chuvoso no inverno tem uma nuance especial.

Chego em casa e ela está gelada. Ligo um aquecedor e coloco uma música alta. Tiro a roupa e sinto frio. Sou recompensado por um banho demoradamente quente. É bom sentir o calor.

O tempo passa e sou presenteado com tudo de novo. Under the sweet weather.

11 comentários:

Beto disse...

O prefácio de que o tempo mudará demonstra que nunca estamos 100% preparados pelo porvir.

Seja um casaco, seja uma simples camiseta... estar preparado para essas flexibilidades exige, além de saúde, muita disposição.

Tem é que contentar-se com a chuva, quando ela molha! com o sol, quando ele esquenta! com a brisa, quando resfria! enfim... com os pássaros quando acordam-se antes de você, por causa do horário de verão, e te despertam em um sábado qualquer.

Bela abordagem >>>

Tiazinha do H disse...

Proto-filosofia de casaco, conhecido em alguns lugares bichisse.
Bjuzzz

William Bonner disse...

Boa noite!

Peter disse...

Eu adoro os comentários...

Cláudia disse...

As sensações serão sempre as mesmas, prazer ou incomodo em relação a temperatura exterior. Mas o que realmente vai importar é se vc vai conseguir sentar na praça e saber enxergar o que a vida te mostra, as folhas secas no chão ou as flores coloridas do verão o q vc vai levar de cada estação? eh o tempo q passa sim (Beto) e o q vc ve nesse tempo?

-Desculpem os erros de escrita e concordancia, mas a pressa é inimiga neste momento.

O blog esta ficando cd dia com uma cara diferente, mto bom cd um usar o tema d seu interesse, sem a influencia do outro.

Peter disse...

Mas a praça é nossa!

Poker dos Primos disse...

Quando sai o livro de Coisas estranha mais bonitas que vcs escrevem? hehe ADOREI.
É isso mesmo!

Beijao!

Beto disse...

A praça eh nossa?
Ela eh muito nossa!

Peter disse...

taí... gostei da idéia do livro...

como faríamos???

Beto disse...

SEntir a umidade do tempo, sentir o calor do tempo, sentir o frescor do tempo.. sensações que combinadas com a gratidão, tornam qualquer brisa agradável, qualquer vento confortável e qualquer garoa tolerável..

Ajustar a temperatura interna para nao sofrer mudanças bruscas quando sair lá fora, eh o melhor remedio para promover oportunidades de adaptação..quando quer que seja, e qualquer que seja a estação ..

Gregory House, M.D. disse...

Reflexões dignas da independência amargamente assumida "sex and the city" - aproveite as coisas pequenas e boas da vida, mulher!

 
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