segunda-feira, 24 de agosto de 2009

As variáveis do quebra cabeça

Sabe, há tempo eu não montava um quebra cabeças do final. Pode parecer um tanto quanto louco, porém é possível. Há alguns pares de semanas, eu me perguntava se as peças de um quebra cabeça poderiam ser montadas após uma ligeira mistura de cantos, cores e formatos. Eu pensava, sim! Pensava que montar um quebra cabeças exigia, além de tudo, de maestria e precisão. Mal sabia eu, que para se montar um, primeiro necessita entender como funciona uma quebra cabeças ao contrário. Seria confuso se não fosse automático, se não fosse o natural. Ir de trás para frente as vezes nos transmite uma ansiedade, uma sensação de regressão, mas não quando se tem o manual, o guia, ou seria um tutorial? Dotado de perguntas e respostas, eu mal sabia que para se montar peça por peça, bastava esticar a mão... Esticar a mão entende-se por começar, por tentar iniciar o jogo de um pra cá, você pra lá, ele fica no canto, azul com azul, nuvem com céu e chinelos fora do pé, para não estragar o que já fora montado. Quando se dá conta, metade dele foi montado. A outra metade está estruturada e o que falta? O recheio! O recheio que inquieto quer sair da caixa, o conteúdo que ilustra a tampa do quebra cabeças e esboça uma vontade de estar pendurado em uma parede. A partir da estrutura, podemos ver que sem querer o quebra cabeças vai moldando-se conforme nossos gestos. Se és meticuloso, começa pelas bordas... o ansioso procura o meio, o contido separa as cores ... e o surpreso? O surpreso aceita sugestões, o surpreso admira alguém que lhe ajuda a montar e suspira um afeto de que foi auxiliado no mesmo modo de pensar. Ao mesmo tempo, o auxílio remete à nostalgia de que há tempos estava vivendo um quebra cabeças, e sequer notava que o quebra cabeças era seu sentimento. Que peça por peça foi alavancado a uma altura que pudesse ser observado de cima, porém nunca inferiorizado. Se visto de cima, pôde ser encontrado e analisado de uma ótica totalmente oportuna, contendo um desenho para lá de interessante, ao passo que um desejo vem à tona: “Vou montar esse quebra cabeças!” Nada mais justo, por vez, nada mais coerente... peça encaixa em peça e razão equaliza a emoção. Ser um alvo, vítima (positivamente falando) de um jogo de quebra cabeças, nos faz voltar àqueles dias que pensávamos... “Jamais quero ser reestruturado de dentro para fora, nem que seja por força alheia.” Se arrependimento matasse, a frase da lápide deveria ser algo que consolidasse devaneio e lamúria, porém sensato e capaz de transmitir a graça de ser um conjunto de peças que trás o significado a alguém. Ser um quebra cabeças faz de mim alguém muito compreendido, alguém que entende que quebrar a cabeça não faz jus ao ato físico. Quebrar a cabeça em prol de ter uma visão avantajada, aonde se veja que a junção de peças chave são o início de uma bela imagem em seu quebra cabeças. Muitas vezes as peças estão ao lado e não vemos. Muitas vezes, a mão que ajuda a montar representa algo tão importante, que você se sente tão bem... tão bem ao ponto de incluir ela no jogo. E assim se vai, você monta com vontade, desmonta com prazer. E o que resulta? Um quebra cabeças aonde o que mais vale é cada movimento, cada peça vale muito... cada peça representa um motivo a mais para se sentir suficientemente capaz de fazer parte de uma bela dupla de jogadores, jogadores grandiosos.

2 comentários:

Karina disse...

Concordo completamente quando o autor menciona que o interessante de um quebra-cabeça: "não é o final mas sim o ato de montá-lo", de planejar como montá-lo, de separar as peças por cores e formatos, de observar, de apreciar e curtir o que já foi montado embora ainda não tenha sido completado.
Uma analogia direta do quebra-cabeça com a vida é que os dois possuem um inicio e um fim incerto; vislumbramos um futuro porem não sabemos como será chegar nele, e isto é o que vale, o que torna a vida e o ato de montar um quebra-cabeça interessante e prazeroso.

Peter disse...

Gostei da metáfora da vida como quebra-cabeça.

Nosso objetivo é atingir a imagem da tampa, mas o processo para montar o quebra cabeça é viver... com infinitas possibiidades/probabilidades...

 
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