quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Equilíbrio.

Elis cantou "O Bêbado e o Equilibrista".

Da bela voz de Elis podemos aprender lições diversas: sobre esperança, conforto, indignação, ilusão e beleza.

E temos a dica para uma lição difícil de aprender: equilíbrio.

O Bêbado e o Equilibrista possuem a mesma característica: vivem com equilíbrio. Ambos.

Sim. É antagônico afirmar que o Bêbado vive com equilíbrio, mas na minha opinião é o equilíbrio que o torna bêbado. Difícil de entender?

Enquanto o Equilibrista possui o equilíbrio do seu corpo, procurando o controle do físico, muitas vezes o Bêbado procura o controle do intelecto.

Uma mágoa, uma desilusão, um medo ou uma perda (assim como na música da Elis) causam tormenta na cabeça do neo-bêbado, fazendo-o buscar pelo equilíbrio através do caminho mais fácil. Compreendeste?

Mesmo havendo um traço marcante em comum, comparar o Bêbado com o Equilibrista mostra-se pouco ou nada útil, eis que são universos distintos: o físico e o mental.

Somos feitos de "corpo" e "alma" (por alma leia-se mente). Muitas vezes nosso corpo influencia na nossa alma, como um machucado que dói e nos deixa estressados. Outras tantas vezes nossa alma influencia nosso corpo, como quando estamos tristes e nosso fica cansado e pesado.

Agora, de nada adianta. Nosso corpo é um sistema único, completo, assim como nossa alma. Os dois vivem sozinhos, independentes, mas relacionam-se entre si.

E voltamos para o tópico: equilíbrio.

O Bêbado (alma) precisa de equilíbrio.

O Equilibrista (corpo) precisa de equilíbrio.

Um equilibrista que trabalha sua vida inteira focando no equilíbrio do seu corpo, pode deixar de oferecer equilíbrio à sua alma. Quando testado, o equilibrista pode ser traído por sua mente, criando a sensação de que anos de trabalho foram colocados fora.

Um bêbado que procura o equilíbrio para sua alma pode maltratar por anos o seu corpo, e quando finalmente encontrar a paz interior, sentir que é tarde demais, eis que o seu corpo o traiu, desgastado pela falta de cuidado.

Mesmo independentes, o Bêbado e o Equilibrista (o corpo e a alma) precisam estar em equilíbrio entre sí.

Somos todos bêbados equilibristas.

Em alguns momentos deixamos o bêbado supera o equilibrista. Em outros momentos o equilibrista supera o bêbado. E vivemos assim.

Devemos conversar com nosso corpo. Mais do que conversar devemos ouvir. Ouvir o bêbado. Ouvir o equilibrista.

Devemos enxergar o nosso bêbado. Devemos enxergar nosso equilibrista.

Devemos sentir a confusão, a ansiedade, o medo, a angústia, a incerteza, a dúvida e a tristeza do bêbado. Devemos sentir a confiança, a segurança, a força, o limite, a destreza e a rigidez do equilibrista.

Quando conhecemos os dois lados, que são diferentes e complementares, conhecemos o todo. Aprendemos a nos conhecer e usar nossas ferramentas para alcançar o que precisamos: equilíbrio.

Aprendemos a perceber quando nosso bêbado deixa nosso equilibrista sufocado. Como nossa alma/mente não relaxa e machuca nosso corpo.

Aprendemos a perceber quando nosso equilibrista deixa o bêbado atordoado. Como nosso corpo cansado deixa nossa mente/alma nebulosa e não nos deixa trabalhar.

Conhecer o bêbado e o equilibrista é permitir-se. Permitir-se atingir um meio-termo, onde o bêbado e o equilibrista saem ganhando. É equilíbrio.

Equilíbrio entre o corpo e a alma. Entre nosso passado e nosso futuro.

Equilibramos nosso presente e o vivemos plenamente.

2 comentários:

Beto disse...

O equilíbrio necessário para manter-se firme frente as conqustas ou perdas faz do ser humano um ser repleto de atributos emocionais fortes, saber equilibrar mente e corpo é uma tarefa árdua para saber lidar com a linha tênue da realidade...

Mesmo assim acho hipocrisia dizer que equilibrando o presente é possível viver plenamente.

E o cidadão que no passado cometeu uma série de homicídios? Equilibrando o presente ele poderá viver plenamente? e sua conscicência? e o processo que está a responder? e a comunidade com suas promessas de justiça?

Há um universo muito vasto para se pesquisar e saber viver plenamente apenas ajustando o próprio equilíbrio

E dê-lhe lenha na fogueira!

Peter disse...

Beto, acho que não compreendeste.

Acredito que o equilíbrio é importante para deixar o nosso presente pleno.

O assassino que possui equilíbrio pode viver o seu presente plenamente. O seu passado é passado, e seu futuro é incerto.

Agora, o seu presente é onde ele pode experimentar plenamente todas as oportunidades que se apresentam.

O assassino pode aprender com seu erro, pode se arrepender, pode consertar seus atos, pode ajudar a mudar a vida das famílias de suas vítimas, positivamente.

Não faço juízo de valor sobre seu ato. Se seu arrependimento vai mudar ou não a história.

Se ele for equilibrado, ele terá a consciência plena do que fez, e ele julgará seus atos. E poderá conviver com suas escolhas.

Seu equilibrista ajudará seu bêbado a levantar, e o bêbado ajudará o equilibrista a amar.

Se uma pessoa não tem o equilíbrio que proponho, ela viverá angustiada.

Terá sempre as lembranças de seu passado (seja ele feliz ou triste) em sua cabeça, e não perceberá as portas que se abrem hoje. Ou viverá focando no futuro, não dando valor ao que se apresenta.

O passado e o futuro são a melhor representação do equilíbrio.

O que fazemos ou o que iremos fazer, se somados e divididos, dizem quem somos hoje.

Somos resultado de nossas experiências e motivados para nossos sonhos. E somos isso hoje, onde temos as condições de dar os passos necessários para chegarmos aonde queremos.

Entende?

Equilibrar o presente é deixar nosso corpo (equilibrista) e nossa mente (bêbado) livres para aproveitar todas as oportunidades ao máximo. É viver plenamente.

 
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