segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Orientação x Virtudes

Orientação.

Por que cargas d'água (e nos últimos dias houve muita chuva) eu resolvi falar sobre isso pouco ou nada importa.

Leiam como uma continuação dos últimos tópicos recorrentes aqui do site (que anda um pouco parado).

Falta de orientação. Eis o algoz da atualidade.

Em um mundo marcado por redes sociais, infinitas oportunidades, milhares de distrações e velocidade nas escolhas, o que realmente tem imperado é um senso comum de falta de orientação.

Sim, posso até definir com um resultado cármico coletivo. E como todo carma é passível de mudança (afinal, nada neste mundo é permanente - muito menos o permanente dos cabelos!).

Pois bem, aleijado o efeito negativo, regozijemos-nos com a benece que uma mudança de foco nos propicia.

Percebo a maior parte do mundo como pessoas/sociedades/grupos sem orientação. Por orientação digo "o caminho para um objetivo".

Tenho visto um caminhão de gente que simplesmente vive suas vidas sem a menor preocupação com os seus objetivos. Mas tche, olhe para dentro de ti mesmo!

Quando eu não tenho um objetivo, ou não sei quem eu sou, qualquer lugar serve, qualquer idéia é boa, qualquer conselho é aceito. É como deixar um barco com o motor desligado à simples mercê das marés!

O homem (e a mulher também) precisa ter objetivos. Ter sonhos. E precisa ter orientação para seguir os seus sonhos.

Aquele que sabe onde quer chegar saberá qual caminho escolher. E com certeza será feliz no caminho.

Vejo muitas pessoas infelizes sem saberem o por quê (e não critiquem se o uso gramatical do por quê está incorreto - não ligo a mínima!). Sofrem por motivos algumas vezes fúteis e inúmeras vezes bobos.

O sofrimento (infelicidade) dá-se devido ao fato de que estas mesmas pessoas esqueceram quem elas são: quem sou eu? Quais são meus objetivos? Quais são meus sonhos? O que me faz bem? Como eu sou? Como eu me percebo?

Quando elas esquecem quem são, qualquer olhar gera insegurança, insatisfação, medo, angústia, tristeza e pesar.

O mundo de fora vale mais do que o mundo de dentro.

Ainda bem que isso é MENTIRA!

Essas mesmas pessoas tristes são completa e irradiantemente felizes. Como?

Elas podem mudar sua situação. Podem mudar o foco. Podem substituir a lágrima por um sorriso.

Como?

Olhando para dentro de si mesmas! Claro, a tarefa é difícil. Veja bem: DIFÍCIL, E LONGE DE SER IMPOSSÍVEL.

Estou triste? Infeliz? Com dúvidas? Simples. Deixo de olhar para fora e olho para mim mesmo. Olho-me no espelho.

Vejo que tenho um mundo de oportunidades, e sou feliz por poder aproveitá-las. Sou feliz pois tenho liberdade de escolhas.

Sou alegre pois tenho pessoas que gostam de mim do jeito que eu sou (nem que essa pessoa seja eu mesmo).

Tenho a certeza de que poderei escolher fazer o que me dá/traz liberdade. E terei escolhido o certo.

Isso é orientação. É seguir aquilo que tu espera/deseja/quer/sonha.

Basta mudar o foco e veremos que podemos escolher ser felizes com aquilo que realmente queremos. Com aqueles que realmente nos fazem bem. Com nossa liberdade. Com nós mesmos.

E sendo felizes (seguindo nossas orientaçãoes) estaremos criando um estoque de virtudes que mudarão o carma coletivo: sigo meu caminho e tu estará sendo beneficiado.

Se não conseguires fazer isso, relaxe. Eu estarei seguindo o meu caminho, e em algum momento tu será beneficiado.

Abração.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Escolhas

Texto de um leitor. Que merece ser publicado.

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É possível afirmar, sem medo de errar, que o dilema entre fazer o que é certo e fazer o que é bom é o problema mais antigo e, ainda assim, mais atual que uma pessoa pode enfrentar. A situação é comum a todos e acontece das mais variadas formas. Imagine que eu estou caminhando na calçada e vejo cair do bolso da pessoa à minha frente uma nota de cinqüenta reais. Eu pego a nota e guardo para mim, ou devolvo para a pessoa? O “certo” seria devolver para a pessoa. O "bom” seria ficar com o dinheiro para mim. É um dilema. Mas e se eu sou uma pessoa muito pobre e minha família passa fome, e a pessoa na minha frente é um rico empresário prestes a entrar na sua mercedez-benz? O fato de eu ficar com o dinheiro torna-se "menos errado” nesses casos?

Ao admitir que sim, estou relativizando o que é “certo” e o que é “errado”, isto é, afirmando que somente podemos dizer se algo é "certo” ou “errado” diante de um caso concreto. É justamente com base nesse argumento que dizem por aí, como se fosse uma verdade por anos escondida na obviedade, e sempre manifestada em um tom de voz que sussura um "relaxa, cara!", que "não existe certo e errado", que essa idéia de "seguir as convenções da sociedade” é coisa do passado, que “a nova moral é ser feliz".

O problema é que, não saber o que é certo ou errado em determinada situação, ou não querer fazer o que é certo, não significa que não haja uma coisa certa a ser feita. Mas isso não quer dizer que devemos nos curvar aos padrões morais da sociedade e sujeitar nossa felicidade a isso. A vida não é fácil, mas, por outro lado, ninguém disse que seria. Contudo, fazer essas escolhas não é o mais difícil. A sacanagem da vida (e do livre-arbítrio) está justamente em fazer escolhas e conseguir conviver com elas.

É justamente aí que a coisa toda começa a fazer sentido. Certo e errado existem, sim. Sinto muito, engula o choro e aceite! Mas o que é “certo” e o que é “errado” é formado dentro de nós mesmos, e não algo que vem de fora. O nome disso é caráter. Nossa bússola moral, que aponta pro certo e pro errado em todas as situações, não importa sua complexidade. Por isso eu digo: em qualquer situação, seja você mesmo.

“Ah, mas eu só me fodo sendo assim!” Paciência. Assim como não é coragem quando não se tem medo, não é virtude quando é fácil ou bom.

Fazer a coisa certa é saber abrir mão do que é bom agora para ter o que é melhor depois. Fazer o certo, não porque os outros dizem que é, mas porque acreditamos que seja mesmo. Verdade que a nossa recompensa não se revela com a mesma facilidade e rapidez com que se consegue fazendo o que é “bom agora”, mas, lá na frente, o efeito é multiplicado e o reconhecimento por ter escolhido o caminho mais difícil invariavelmente ocorre. Ou pelo menos é assim que eu prefiro acreditar que seja.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Repolho ou Alface Crespa?

Faminto, corroído pela ansiedade de apenas abrir a geladeira, rumei para a escura cozinha. Acendi as lâmpadas fluorescentes que ainda clareavam as úmidas paredes. Apalpei, no balcão, uma faca. Peguei-a sem preocupar-me com o teor de sua higiene, coisa que pouco importava tamanha era a fome que sentia. Uma geladeira imensamente variada com laticínios e bebidas. Sim, essa somente poderia ser a do vizinho, pois a minha sussurrava por um rodízio de datas, nem que fosse uma simples troca de lugares, ou até mesmo a o preenchimento da jarra d´água. Abri a gaveta, e no meio de tanta verdura, as calejadas mãos ergueram um legume? Uma verdura? .. o verde ocre confundia o tom saudável que o alimento traduzia em uma fotossíntese já inexistente. Repolho ou alface crespa? Sanduíche ou refogado? A dúvida tomou conta dominando a fome que se fez presente do mesmo modo que a lâmpada com seu impetuoso piscar.

Muitas vezes me deparo com dúvidas simples, mas de grande resultado caso não calculadas ou quem sabe pesadas. Minhas dúvidas não são mais duvidosas que as de ninguém, mas sei que somente eu poderei resolvê-las. Chega a um ponto aonde conselhos não revertem tanto, afinal não se bate o martelo em terceira pessoa.

Um simples apoio na pia e, entre dois ou três manuseios notei a diferença entre as texturas envolvidas. Um viscoso, outro crocante, um verde ocre, o outro verde saudável. Certa ironia tomou conta do momento tendo em vista a fome que eu sentia, e o mais racional seria comer antes de pensar, afinal ambos me satisfariam.

As dúvidas, de certo modo, servem como um apoio para encontrarmos uma boa solução, ou até boas soluções. O que não gera dúvida não intriga, o que não intriga não é lembrado e o que não se lembra não tem valor. Certo que nem sempre é assim, porém diversas vezes me deparei com dúvidas banais, aonde de nada me adiantaria perder tanto tempo, tempo que outrora foi crucial para evitar tais dúvidas.

Meu paladar, alterado pela intensidade do jejum apreciou cada pedaço da folha, tornando-a saborosa, ao ponto de misturar sabores ou imaginar alimentos, sedento por uma degustação.

Alternar respostas sempre vale para imaginar um futuro no caso de cada escolha. Calcular o custo benefício geralmente é viável, porém nem sempre praticado. Sim, o coração toma conta e as dúvidas são sanadas de forma apressada. Com a proposta de acertar, nem sempre usamos todas as ferramentas, e desse jeito mudamos o rumo ou postura na tentativa e erro. Tudo bem, não é o certo, mas pensando pelo lado reacional, há um sentido lógico.

Gosto insosso, sabor desconhecido, nem bom nem ruim, apenas “gosto”. Lábios divididos, maxilar unido à mandíbula e saliva em circulação. Nesse momento sinto que um desejo toma conta de mim, fazendo jus ao ato de decidir o que fazer, ao que preparar para comer. Sim, sanduíche. Porém sem alface. O repolho? Guardei novamente, junto às minhas dúvidas não resolvidas, apenas ciente de que posteriormente será útil, tanto quanto sempre duvidar.

domingo, 13 de setembro de 2009

O Árduo Caminho

A vida de um atleta de alto nível não pode ser comparada com qualquer outra profissão, sem dúvida, ontem cometi o erro de tentar o fazer com alguns amigos e a discussão foi grande, porém produtiva. Como já tentei ser um, e hoje em dia tento fazer com que o sejam, me sinto no dever de tentar esclarecer como funciona a vida de alguém que escolhe esse caminho. Primeiramente acho importante explicar um pouco do treinamento necessário para se atingir o alto nível. Se fala em 8 a 10 anos de treinamento para atingir a alta performance. Sendo que existem capacidades físicas que devem ser treinadas, prioritariamente em idades baixas, caso contrário dificilmente o atleta alcançará a sua máxima capacidade nessas habilidades. Em esportes como ginástica e saltos ornamentais a especialização deve iniciar entre 9 e 11 anos. Tentem lembrar o que vocês faziam com essa idade... É alarmante pensar que existem crianças que com essa idade já estão treinando. Vou falar do tênis, que é o esporte que tenho experiência, no tênis o início da especialização deve ser entre 12 e 14 anos. Com essa idade já se deve treinar todos os dias, os melhores já viajam para torneios nacionais, sofrem pressão interna e, muitas vezes, externa, devem ter uma grande disciplina, ir bem nos estudos e achar algum tempo para brincar. Cinema de tarde, reunião dançante? Sim, mas às vezes. Com o passar do tempo as obrigações vão aumentando, a carga de treinamento passa a ser maior, o tempo fora de casa também, o contato com pessoas, a não ser as do meio esportivo, diminuem. Com 16, 17 anos passa-se a disputar torneios profissionais, e como já diz o nome já diz, exige um alto profissionalismo. Os torneios passam a ficar cada vez mais duros, o diferencial passa a ser a vontade de vencer, o que acarreta abdicar de família, amigos, festas, namoradas, prazeres gastronômicos muitas vezes. O que é muito duro, porque, com essa idade o que se espera das pessoas? Que comecem a pensar na sua carreira profissional. Que saiam com os amigos, que comecem a trabalhar. É difícil fugir disso, pois, com exceção de alguns atletas que já tem um nível mais elevado de tênis, por terem um conjunto de fatores que desde os primeiros anos de prática os fizeram ser “craques” no esporte e já conseguem bons resultados desde os primeiros torneios disputados. A grande maioria sofre nos primeiros torneios, enfileiram derrotas, não são raros os exemplos de atletas que passaram meses sem ter sequer uma vitória. O que os faz continuar? Ter um objetivo que seja maior do que tudo, amar vencer, ter apoio familiar, de treinadores, arranjar dinheiro, disciplina, enfim, querer mesmo!! E o que é mais fácil? Largar tudo e fazer faculdade, ter uma namorada ou ir para a noite e viver de prazeres superficiais que conseguem substituir o prazer maior.
 
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