terça-feira, 22 de setembro de 2009

Escolhas

Texto de um leitor. Que merece ser publicado.

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É possível afirmar, sem medo de errar, que o dilema entre fazer o que é certo e fazer o que é bom é o problema mais antigo e, ainda assim, mais atual que uma pessoa pode enfrentar. A situação é comum a todos e acontece das mais variadas formas. Imagine que eu estou caminhando na calçada e vejo cair do bolso da pessoa à minha frente uma nota de cinqüenta reais. Eu pego a nota e guardo para mim, ou devolvo para a pessoa? O “certo” seria devolver para a pessoa. O "bom” seria ficar com o dinheiro para mim. É um dilema. Mas e se eu sou uma pessoa muito pobre e minha família passa fome, e a pessoa na minha frente é um rico empresário prestes a entrar na sua mercedez-benz? O fato de eu ficar com o dinheiro torna-se "menos errado” nesses casos?

Ao admitir que sim, estou relativizando o que é “certo” e o que é “errado”, isto é, afirmando que somente podemos dizer se algo é "certo” ou “errado” diante de um caso concreto. É justamente com base nesse argumento que dizem por aí, como se fosse uma verdade por anos escondida na obviedade, e sempre manifestada em um tom de voz que sussura um "relaxa, cara!", que "não existe certo e errado", que essa idéia de "seguir as convenções da sociedade” é coisa do passado, que “a nova moral é ser feliz".

O problema é que, não saber o que é certo ou errado em determinada situação, ou não querer fazer o que é certo, não significa que não haja uma coisa certa a ser feita. Mas isso não quer dizer que devemos nos curvar aos padrões morais da sociedade e sujeitar nossa felicidade a isso. A vida não é fácil, mas, por outro lado, ninguém disse que seria. Contudo, fazer essas escolhas não é o mais difícil. A sacanagem da vida (e do livre-arbítrio) está justamente em fazer escolhas e conseguir conviver com elas.

É justamente aí que a coisa toda começa a fazer sentido. Certo e errado existem, sim. Sinto muito, engula o choro e aceite! Mas o que é “certo” e o que é “errado” é formado dentro de nós mesmos, e não algo que vem de fora. O nome disso é caráter. Nossa bússola moral, que aponta pro certo e pro errado em todas as situações, não importa sua complexidade. Por isso eu digo: em qualquer situação, seja você mesmo.

“Ah, mas eu só me fodo sendo assim!” Paciência. Assim como não é coragem quando não se tem medo, não é virtude quando é fácil ou bom.

Fazer a coisa certa é saber abrir mão do que é bom agora para ter o que é melhor depois. Fazer o certo, não porque os outros dizem que é, mas porque acreditamos que seja mesmo. Verdade que a nossa recompensa não se revela com a mesma facilidade e rapidez com que se consegue fazendo o que é “bom agora”, mas, lá na frente, o efeito é multiplicado e o reconhecimento por ter escolhido o caminho mais difícil invariavelmente ocorre. Ou pelo menos é assim que eu prefiro acreditar que seja.

8 comentários:

Michelle disse...

Pedro,adoro tanto teus textos,que a única coisa que eu penso em fazer no meu intervalo de estudo é entrar no blog hehehe parabéns!! Sucesso =)

Peter disse...

Mi, quem escreveu este post não fui eu... foi um leitor nosso...

mas agradeço muitíssimo as palavras... hehehehehe

abs

Leitor disse...

Mi, são seus olhos.
Obrigado pelos elogios.

Sds

Teuso disse...

Talentoso esse leitor!! Reconhecimento, o que é “certo” e o que é “errado” é formado dentro de nós mesmos" mas quem somos nós?
Pede pro Pedro te explicar com calma.
Abs

good to know disse...

only the shallow knows themselves...
explica uma vez, e nao se explique mais

Peter disse...

o certo, o errado, o eu, as dúvidas e as certezas são ilusões... são projeções... são conceitos meramente abstratos...
o que é real é a liberdade... é a impermanencia das coisas... nem a verdade é concreta e absoluta...

Mulher disse...

Pedro, me dá meu chip!

Peter disse...

Rá!

Chama o Dr. Castanho... ele conseguiu tirar o chip do Tarso...

(essa é a versão moderna do Carlos Drummond de Andrade: no meio do caminho dele havia uma pedra; no nosso caso, meio da discussão proto-filosófica, havia um chip)

 
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