Escolhas

Texto de um leitor. Que merece ser publicado.

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É possível afirmar, sem medo de errar, que o dilema entre fazer o que é certo e fazer o que é bom é o problema mais antigo e, ainda assim, mais atual que uma pessoa pode enfrentar. A situação é comum a todos e acontece das mais variadas formas. Imagine que eu estou caminhando na calçada e vejo cair do bolso da pessoa à minha frente uma nota de cinqüenta reais. Eu pego a nota e guardo para mim, ou devolvo para a pessoa? O “certo” seria devolver para a pessoa. O "bom” seria ficar com o dinheiro para mim. É um dilema. Mas e se eu sou uma pessoa muito pobre e minha família passa fome, e a pessoa na minha frente é um rico empresário prestes a entrar na sua mercedez-benz? O fato de eu ficar com o dinheiro torna-se "menos errado” nesses casos?

Ao admitir que sim, estou relativizando o que é “certo” e o que é “errado”, isto é, afirmando que somente podemos dizer se algo é "certo” ou “errado” diante de um caso concreto. É justamente com base nesse argumento que dizem por aí, como se fosse uma verdade por anos escondida na obviedade, e sempre manifestada em um tom de voz que sussura um "relaxa, cara!", que "não existe certo e errado", que essa idéia de "seguir as convenções da sociedade” é coisa do passado, que “a nova moral é ser feliz".

O problema é que, não saber o que é certo ou errado em determinada situação, ou não querer fazer o que é certo, não significa que não haja uma coisa certa a ser feita. Mas isso não quer dizer que devemos nos curvar aos padrões morais da sociedade e sujeitar nossa felicidade a isso. A vida não é fácil, mas, por outro lado, ninguém disse que seria. Contudo, fazer essas escolhas não é o mais difícil. A sacanagem da vida (e do livre-arbítrio) está justamente em fazer escolhas e conseguir conviver com elas.

É justamente aí que a coisa toda começa a fazer sentido. Certo e errado existem, sim. Sinto muito, engula o choro e aceite! Mas o que é “certo” e o que é “errado” é formado dentro de nós mesmos, e não algo que vem de fora. O nome disso é caráter. Nossa bússola moral, que aponta pro certo e pro errado em todas as situações, não importa sua complexidade. Por isso eu digo: em qualquer situação, seja você mesmo.

“Ah, mas eu só me fodo sendo assim!” Paciência. Assim como não é coragem quando não se tem medo, não é virtude quando é fácil ou bom.

Fazer a coisa certa é saber abrir mão do que é bom agora para ter o que é melhor depois. Fazer o certo, não porque os outros dizem que é, mas porque acreditamos que seja mesmo. Verdade que a nossa recompensa não se revela com a mesma facilidade e rapidez com que se consegue fazendo o que é “bom agora”, mas, lá na frente, o efeito é multiplicado e o reconhecimento por ter escolhido o caminho mais difícil invariavelmente ocorre. Ou pelo menos é assim que eu prefiro acreditar que seja.

8 pagaram bem...:

    Pedro,adoro tanto teus textos,que a única coisa que eu penso em fazer no meu intervalo de estudo é entrar no blog hehehe parabéns!! Sucesso =)

     
    On 24/09/09 12:06 Peter disse...

    Mi, quem escreveu este post não fui eu... foi um leitor nosso...

    mas agradeço muitíssimo as palavras... hehehehehe

    abs

     
    On 24/09/09 12:35 Leitor disse...

    Mi, são seus olhos.
    Obrigado pelos elogios.

    Sds

     
    On 27/09/09 20:52 Teuso disse...

    Talentoso esse leitor!! Reconhecimento, o que é “certo” e o que é “errado” é formado dentro de nós mesmos" mas quem somos nós?
    Pede pro Pedro te explicar com calma.
    Abs

     
    On 29/09/09 08:20 good to know disse...

    only the shallow knows themselves...
    explica uma vez, e nao se explique mais

     
    On 29/09/09 09:25 Peter disse...

    o certo, o errado, o eu, as dúvidas e as certezas são ilusões... são projeções... são conceitos meramente abstratos...
    o que é real é a liberdade... é a impermanencia das coisas... nem a verdade é concreta e absoluta...

     
    On 29/09/09 10:00 Mulher disse...

    Pedro, me dá meu chip!

     
    On 29/09/09 10:12 Peter disse...

    Rá!

    Chama o Dr. Castanho... ele conseguiu tirar o chip do Tarso...

    (essa é a versão moderna do Carlos Drummond de Andrade: no meio do caminho dele havia uma pedra; no nosso caso, meio da discussão proto-filosófica, havia um chip)