domingo, 13 de setembro de 2009

O Árduo Caminho

A vida de um atleta de alto nível não pode ser comparada com qualquer outra profissão, sem dúvida, ontem cometi o erro de tentar o fazer com alguns amigos e a discussão foi grande, porém produtiva. Como já tentei ser um, e hoje em dia tento fazer com que o sejam, me sinto no dever de tentar esclarecer como funciona a vida de alguém que escolhe esse caminho. Primeiramente acho importante explicar um pouco do treinamento necessário para se atingir o alto nível. Se fala em 8 a 10 anos de treinamento para atingir a alta performance. Sendo que existem capacidades físicas que devem ser treinadas, prioritariamente em idades baixas, caso contrário dificilmente o atleta alcançará a sua máxima capacidade nessas habilidades. Em esportes como ginástica e saltos ornamentais a especialização deve iniciar entre 9 e 11 anos. Tentem lembrar o que vocês faziam com essa idade... É alarmante pensar que existem crianças que com essa idade já estão treinando. Vou falar do tênis, que é o esporte que tenho experiência, no tênis o início da especialização deve ser entre 12 e 14 anos. Com essa idade já se deve treinar todos os dias, os melhores já viajam para torneios nacionais, sofrem pressão interna e, muitas vezes, externa, devem ter uma grande disciplina, ir bem nos estudos e achar algum tempo para brincar. Cinema de tarde, reunião dançante? Sim, mas às vezes. Com o passar do tempo as obrigações vão aumentando, a carga de treinamento passa a ser maior, o tempo fora de casa também, o contato com pessoas, a não ser as do meio esportivo, diminuem. Com 16, 17 anos passa-se a disputar torneios profissionais, e como já diz o nome já diz, exige um alto profissionalismo. Os torneios passam a ficar cada vez mais duros, o diferencial passa a ser a vontade de vencer, o que acarreta abdicar de família, amigos, festas, namoradas, prazeres gastronômicos muitas vezes. O que é muito duro, porque, com essa idade o que se espera das pessoas? Que comecem a pensar na sua carreira profissional. Que saiam com os amigos, que comecem a trabalhar. É difícil fugir disso, pois, com exceção de alguns atletas que já tem um nível mais elevado de tênis, por terem um conjunto de fatores que desde os primeiros anos de prática os fizeram ser “craques” no esporte e já conseguem bons resultados desde os primeiros torneios disputados. A grande maioria sofre nos primeiros torneios, enfileiram derrotas, não são raros os exemplos de atletas que passaram meses sem ter sequer uma vitória. O que os faz continuar? Ter um objetivo que seja maior do que tudo, amar vencer, ter apoio familiar, de treinadores, arranjar dinheiro, disciplina, enfim, querer mesmo!! E o que é mais fácil? Largar tudo e fazer faculdade, ter uma namorada ou ir para a noite e viver de prazeres superficiais que conseguem substituir o prazer maior.

2 comentários:

Beto disse...

Achei o final um pouco confuso, porém não vou deixar de fazer a ressalva sobre a qualidade do texto.

Há muitos itens a destacar nessa explanação... desde o fato de que não se pode comparar uma profissão à outra. Acho que isso pode ser considerado desmerecimento de classes, bem como supervalorização de uma ou outra..o que certamente não é a intenção.

Sobre abdicar de certos prazeres, isso não é característica somente de alguém inserido no mundo do esporte. Um advogado que estuda para a magistratura isola-se da vida para ocnseguir passar em uma prova. Certamente o preço pago é o mesmo que o de um atleta de alto nível, apenas em cédulas de outra nação (outra moeda).

Um administrador que visa o crescimento profissional ou que comanda uma grande empresa precisa estar atento às especulações de mercado, às tendências de venda e muito mais que isso, acompanhar jornais, viajar a trabalho, conciliar família e saúde e muitos pontos mais... isso faz que com que ele também seja vitorioso por ser único.

Entendi muito bem aonde queres chegar... aonde diz respeito que um atleta de alto nível precisa esforçar-se para atingir o topo, e poucos alcançam! Porém sem preconceitos ou falsos julgamentos, todos que lutam por algo tornam-se vitoriosos do ponto de vista que se buscou um objetivo.

Quem vive de prazeres superficiais, sim, pode ser considerado um desistente da busca maior.. mas nunca antes de entender o que se passa no seu universo... vivemos em universos paralelos, e certamente, não ousarei invadir o do próximo sem saber o modelo de vida, de pensar...

Fui light... praticamente um blanquet com ricota

Peter disse...

concordo com o blanquet com ricota...

mesmo abdicando e não conseguindo, o aprendizado é o que vale, e o que merece ser celebrado... a vitória é a cereja no bolo...

agora, vamos celebrar o constante aprendizado, o caminho... e a liberdade que temos em aprender...

agora, vamos continuar essa discussão com um osso no fogo?
abs

 
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