quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Repolho ou Alface Crespa?

Faminto, corroído pela ansiedade de apenas abrir a geladeira, rumei para a escura cozinha. Acendi as lâmpadas fluorescentes que ainda clareavam as úmidas paredes. Apalpei, no balcão, uma faca. Peguei-a sem preocupar-me com o teor de sua higiene, coisa que pouco importava tamanha era a fome que sentia. Uma geladeira imensamente variada com laticínios e bebidas. Sim, essa somente poderia ser a do vizinho, pois a minha sussurrava por um rodízio de datas, nem que fosse uma simples troca de lugares, ou até mesmo a o preenchimento da jarra d´água. Abri a gaveta, e no meio de tanta verdura, as calejadas mãos ergueram um legume? Uma verdura? .. o verde ocre confundia o tom saudável que o alimento traduzia em uma fotossíntese já inexistente. Repolho ou alface crespa? Sanduíche ou refogado? A dúvida tomou conta dominando a fome que se fez presente do mesmo modo que a lâmpada com seu impetuoso piscar.

Muitas vezes me deparo com dúvidas simples, mas de grande resultado caso não calculadas ou quem sabe pesadas. Minhas dúvidas não são mais duvidosas que as de ninguém, mas sei que somente eu poderei resolvê-las. Chega a um ponto aonde conselhos não revertem tanto, afinal não se bate o martelo em terceira pessoa.

Um simples apoio na pia e, entre dois ou três manuseios notei a diferença entre as texturas envolvidas. Um viscoso, outro crocante, um verde ocre, o outro verde saudável. Certa ironia tomou conta do momento tendo em vista a fome que eu sentia, e o mais racional seria comer antes de pensar, afinal ambos me satisfariam.

As dúvidas, de certo modo, servem como um apoio para encontrarmos uma boa solução, ou até boas soluções. O que não gera dúvida não intriga, o que não intriga não é lembrado e o que não se lembra não tem valor. Certo que nem sempre é assim, porém diversas vezes me deparei com dúvidas banais, aonde de nada me adiantaria perder tanto tempo, tempo que outrora foi crucial para evitar tais dúvidas.

Meu paladar, alterado pela intensidade do jejum apreciou cada pedaço da folha, tornando-a saborosa, ao ponto de misturar sabores ou imaginar alimentos, sedento por uma degustação.

Alternar respostas sempre vale para imaginar um futuro no caso de cada escolha. Calcular o custo benefício geralmente é viável, porém nem sempre praticado. Sim, o coração toma conta e as dúvidas são sanadas de forma apressada. Com a proposta de acertar, nem sempre usamos todas as ferramentas, e desse jeito mudamos o rumo ou postura na tentativa e erro. Tudo bem, não é o certo, mas pensando pelo lado reacional, há um sentido lógico.

Gosto insosso, sabor desconhecido, nem bom nem ruim, apenas “gosto”. Lábios divididos, maxilar unido à mandíbula e saliva em circulação. Nesse momento sinto que um desejo toma conta de mim, fazendo jus ao ato de decidir o que fazer, ao que preparar para comer. Sim, sanduíche. Porém sem alface. O repolho? Guardei novamente, junto às minhas dúvidas não resolvidas, apenas ciente de que posteriormente será útil, tanto quanto sempre duvidar.

1 comentários:

Peter disse...

só pode ter comido repolho roxo estragado... acertei?

 
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