segunda-feira, 19 de outubro de 2009

(In) Comum

Há tempos ele colocava em xeque sua felicidade, sua eficácia no quesito ser notado ou presenciado no que diz respeito sua ausência. Havia momentos em que julgava-se incapaz de contornar suas lamúrias e pensava, por inúmeros e inacabáveis breves instantes, que sua fuga poderia ser o além, o lugar aonde tudo se encontra e jamais se regressa. Contudo nunca teve coragem para tal, considerava-se um fraco por facilmente desistir de fáceis estágios, aonde compunham sua integridade física e emocional, ao passo que se denominava forte pelas façanhas, caminhadas e jornadas que até ali, teriam lhe guiado... O sujeito? Sem nome. Seu predicado? Descontente. Conteúdo? Ora vazio, ora cheio... tal amigo teimava em querer acreditar que certas batalhas seriam sofridas sem suor ou sem a ardência de uma lágrima em um rosto calejado, calejado pelo tempo que o mantinha corroído pelas tentativas nada prósperas. Porém como a oscilação de seu temperamento, sempre hesitou a cada tentativa ou pensamento drástico, aonde consolidada desistência e abstinência... afinal abster-se era a palavra predileta, por vezes, afinal não encaixava-se no grupo dos frágeis. Forte, porém nada resistente... chorava fácil e apavorava-se por pouco, a vida mostrou-lhe que o medo era superado a cada nó em sua garganta.. Passado o tempo, seu exemplo, quando seguido por alguns, tornava a vida um pouco menos sinuosa, beneficiando sua flexibilidade com as diferenças de momento e sua capacidade de aceitar as duas pontas da gangorra. Não distante do correto, mantinha sua integridade atrelada ao modo de pensar, contudo sabia que as vezes sua intenção, por mais que fosse boa, não seria a mais adequada. Sempre sólido, jamais mudara de lado. Todos esses anos contribuíram para que essa personalidade oculta fosse transmitida em lágrimas, nem sempre de tristeza, algumas vezes de alívio, outras de ansiedade... ansiedade composta pelo Sim otimista e do Talvez, resistente... porém nunca pessimista. Essa reflexão tem, por base, a face oculta de alguém que, como muitos, não contenta-se diariamente, não satisfaz-se com pouco nem muito, apenas tenta levar a vida adiante utilizando as ferramentas que à sua mão estão por perto. A consciência? Leve. A personalidade? Forte? A resistência? Porosa... Ora fraca, ora imersa em um movimento de altos e baixos... afinal ser de ferro enferrujaria sua bela e grandiosa alma.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Do Nada Veio o Vento

Do nada veio o vento. Eu tava na quadra de tênis hoje, tava quente, abafado, tá certo que uma tempestade tava se formando, mas um segundo antes de bater a maior ventania que eu já presenciei, a velocidade do vento era perto de 0 km/h, não tinha nada de vento! Daí do nada veio uma ventania que fez tudo levantar vôo, o mais magrinho da quadra quando eu vi tava agarrado no poste de iluminação! Era bolinha voando, mesa saindo rolando, saibro no olho, um tufão ou alguma coisa do tipo... Eu nunca tinha visto isso antes. O vento era tão forte que não deu mais pra treinar por causa dele. Nos meus vários anos de tênis eu nunca tinha passado por isso. Duas coisas importantes me vieram na cabeça. O aquecimento global está começando a afetar a minha vida, como eu nunca tinha percebido antes. Há quem diga que tudo isso é cíclico e talvez não exista tanta influência dos seres humanos para que isso aconteça. Sei lá, parece que o aquecimento global é mais lógico (Dêem uma olhada no filme “Uma verdade inconveniente”). Mais do que nunca é hora de fazermos alguma coisa, pegar e dar mais carona, ir de ônibus, banhos mais curtos, xixi no banho... enfim, mudanças de hábitos. A outra coisa que me veio na cabeça, e que ta nela há alguns dias é a impermanência (Detalhe que o word não reconhece essa palavra). Assim como num segundo não tinha nada de vento e no próximo havia o vento mais forte que eu já presenciei, todas as coisas mudam, podendo ser pra melhor ou pra pior. Isso é impermanência. Por começar pelo universo que nós estamos, ele não existia, um dia aconteceu o big bang e tudo começou, o universo ta envelhecendo e um dia vai acabar. Nos darmos conta da impermanência é sabermos que nada é pra sempre, que um dia a gente vai morrer, e sim, pode ser agora, o temporal que ta caindo pode fazer com que o telhado da tua casa caia na tua cabeça e tu morra. Que venha um tsunami e destrua tudo! É saber que todas as pessoas que a gente mais ama também vão morrer, ou podem se tornar as pessoas que a gente mais odeia, ou nós podemos amá-las pro resto da vida. Que amanhã tu seja despedido e que no sábado tu pode ganhar na loteria. Que tu pode se matar estudando e não passar no vestibular, ou passar em primeiro lugar e ser o médico mais bem sucedido do país até tu descobrir que tu tem a doença que tu sempre curou e não a curar, ou se curar e se tornar o melhor médico do mundo. Que tu pode sofrer e fazer os outros sofrerem, ser feliz e fazer os outros felizes. Não se consegui passar algo sobre impermanência, mas pra mim ela é o melhor meio pra conseguirmos a liberdade, de vermos as pessoas com mais compaixão, de valorizar o que temos e que vivemos. E principalmente de evitar o sofrimento, pois se sabemos que tudo pode acontecer, além de vivermos mais intensamente o momento, aproveitaremos melhor os momentos felizes e não morrermos sofrendo porque estamos com câncer ou porque a pessoa que tu se casou e montou uma família descobriu, depois de 20 anos de casado, que tu não era o amor da vida dela, ou tu pode descobrir isso... Simplesmente saberemos lidar com isso. Saber da impermanência é ser livre. OBS: Vejam o filme Paris, é espetacular.
 
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