segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Administração de expectativas (1)

Tema já falado aqui.

Essa idéia eu venho digerindo desde o início do ano, e acho que agora é o momento.

Como administrar uma expectativa?

Devo deixar claro que a ótica do texto não é voltada para as expectativas que temos em relação aos nossos planos, e sim as expectativas que os outros tem em relação a gente.

Não vou ser hipócrita ou demagogo de dizer que vivo apenas conforme as minhas expectativas. Sinceramente, na minha humilde opinião, quem vive assim é irresponsável e imaturo.

Não vamos esquecer que temos parentes que contam com a gente, um chefe que nos contratou por algum motivo e paga nosso salário, um amigo que espera o nosso ombro em um momento ruim ou um parceiro(a) que aguarda o momento em que chegamos em casa para "fazer um programa a dois".

Aliás, vale a reflexão: o homem só cresce (no sentido de amadurecer) quando percebe as expectativas que os outros tem sobre ele e as administra, assumindo a responsabilidade pelos seus atos.

Uma vida em sociedade pressupõe que as pessoas tenham expectativas umas sobre as outras. O pedestre tem expectativa de que o motorista do carro irá parar no sinal vermelho, para que ele possa atravessar.

É assim e ponto. Se alguém não concorda tente me convencer.

Viver é uma arte complexa e enriquecedora. Enriquecedora do ponto de vista em que sempre poderemos aprender com alguma situação. Complexa pois vivemos equilibrando as nossas expectativas e anseios com as expectativas, anseios e atitudes dos outros (para informações complementares sobre o diálogo interno do cidadão, leia Equilíbrio).

Acontece que em diversos momentos, somos surpreendidos com atitudes hostis em relação ao nosso posicionamento.

Isso acontece quando a nossa própria atitude vai contra a expectativa de alguém.

Nesse momento é que surge o dilema: como administrar expectativas?

Minhas atitudes serão 100% assertivas a partir do momento em que eu souber o que o outro espera de mim.

Exemplo: em um relacionamento o cara manda mil mensagens para o celular da namorada, o dia inteiro. Ele acha que está demonstrando carinho. Ela acha que ele está demonstrando insegurança. A expectativa dele é querer agradar. A expectativa dela é se sentir segura. A atração vai aos poucos desaparecendo.

Se um soubesse da expectativa do outro, certamente o desenrolar da história seria diferente.

Se eu sei o que alguém está esperando de mim, a atitude ecologicamente correta é:

  1. analisar se sou capaz de fazer;
  2. ponderar se eu vou fazer algo que não vá ferir meus princípios; e
  3. dar a essa pessoa o que ela espera.

Se meu chefe espera que eu entregue um relatório dentro de uma semana, e eu sei disso, irei fazer o relatório dentro do prazo, pois sei qual a expectativa que o outro tem. Se eu não souber a expectativa de meu chefe, poderei entregar o relatório daqui a um mês, bem melhor elaborado, mas de nada servirá.

Nem sempre as pessoas dirão as expectativas que tem sobre a gente. Faz parte da vida.

Nesse momento é que devemos ficar atentos ao ambiente ao nosso redor. Ficar atentos às nossas raízes históricas.

Se olharmos para o ambiente, ou prestarmos atenção no outro, poderemos ter uma breve idéia de qual é a expectativa que o outro tem sobre a gente.

Se olharmos as raízes históricas, poderemos saber qual a expectativa dos outros. Exemplo: filhos buscam a aprovação dos pais. Mulheres buscam segurança. Homens buscam aceitação no grupo.

É histórico, e vem desde os primórdios da evolução humana. Está enraizado em nossas atitudes e permeiam nossos atos.

Um pouco de análise crítica pode ajudar. Pare. Observe. Estude as reações dos outros.

Mesmo sem sabermos a expectativa do outro, poderemos ter uma noção do que está nos esperando. E teremos campo para trabalhar.

Moral da história: transparência. Se as pessoas fossem transparentes quanto as expectativas que possuem, certamente elas seriam cumpridas.

Se eu tenho uma expectativa, devo deixar ela clara, devo ser transparente, e dizer o que quero. Assim as pessoas envolvidas podem administrar a situação.

Fale para seu parceiro(a) o que você espera dele(a)... quais as atitudes... fale para seus empregados o que você espera deles... seu rendimento... fale para seus amigos... fale com seus parentes... fale com desconhecidos...

Quando alguém falar com você, tente satisfazer a expectativa do outro... e crie um círculo virtuoso.

Agora, há um problema: e quando a pessoa não sabe qual é a sua expectativa? Para quem não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve?

Aguardem outro post sobre o tema.

Abraço!

12 comentários:

Sigmund Freud disse...

Aquele que se orienta a partir das expectativas alheias é delas um escravo. Cada um que saiba fazer de suas expectativas sobre os outros não uma cobrança, assim como não perceber as expectativas alheias sobre si como um mandamento. Agradar os outros é sinal de boa educação, mas se vira filosofia de vida produz um ônus inefável.
Há que se admitir que as pessoas não tem desejos e expectativas uns sobre os outros que sejam harmônicos, complementares. E se todos conseguissem ser transparentes a ponto de realmente dizer ao outro tudo que dele esperam? Não haveria sociedade. Já teríamos matado cada um de nossos familiares muitas vezes, por exemplo. É um tema amplamente debatido em meu trabalho "Mal-estar na civilização". Auf wiedersehen.

Anônimo disse...

viu, nao tem como nao te ligar! tua visão é mais que 3D... te adoro por isso. Bjos!

Anônimo disse...

viu, nao tem como nao te ligar! tua visão é mais que 3D... te adoro por isso. Bjos!

Anônimo disse...

f***, foi sem querer..

Teuso disse...

E a graça onde ficaria se todos soubessem das expectativas do outros? E quem sabe exatamente o que quer em todas as áreas da vida? E acho que não é tão simples assim, se ter uma expectativa alguem chegar e simplesmente satisfaze-la e td bem... Há muito mais água por debaixo da ponte do que isso.
Viu como é bom Peter?
Post muito bom! É tudo um jogo Peter, ta virando um top 100 já, direto no Grand Slam já!
Daleooo

Peter disse...

Freud:

Não proponho que devemos viver querendo agradar os outros, pois acredito que quem vive assim não tem vida própria.

É importante o individualismo.

O que proponho é justamente a função social do indivíduo.

Se cada um de nós soubesse, sem dúvidas e com clareza de pensamento, qual o nosso papel na sociedade (as expectativas dos outros, individual ou coletivamente), não haveria mal-estar na civilização.

Concordo. O tema é controverso. E sim, há MUITA dissonância entre as expectativas dos indivíduos. Agora, se eu souber administrar uma expectativa que seja, estarei fazendo a diferença.

Antes um na mão do que dois voando...

Peter disse...

Anônimo: obrigado pelas palavras.

Peter disse...

Teuso:

Comentaste coisas MUITO importantes: (i) pessoas que sabem exatamente o que querem em suas vidas; (ii) haver muito mais água embaixo da ponte; e (iii) não ser simples.

Como digo: vivemos em sociedade, composta por pessoas. Pessoas são individuais, e acabam sendo diferentes...

É o que o Freud falou: há dissonância nas expectativas.

Agora, realmente acho que existem premissas básicas que norteiam nossas atitudes...

São essas expectativas que são, de certa forma, generalizadas, e que devem ser atendidas.

Algo do tipo "necessidades básicas", entende?

A graça seria viver em uma sociedade mais conectada... menos individualimos e mais coletividade... um novo espaço para aprendizado. Não acha?

abs

Sigmund Freud disse...

Sempre haverá mal-estar. Não comente meu trabalho sem antes tê-lo havido lido. Verme.

Peter disse...

Também tenho minhas opiniões, Freud.

Michelle disse...

voltei!!!!

Peter disse...

bem vinda de volta!!

 
Copyright 2010 pago bem!