sábado, 25 de dezembro de 2010

Desejos

Esta não é uma mensagem desejando uma infinidade de sentimentos bons neste Natal. Tampouco é uma mensagem desejando uma infinidade de sentimentos bons no ano que virá.

Esta é uma proposta.

Cotidiano

Vamos parar por um momento e perceber as coisas que estão ao nosso redor.

Uma explosão de consumo. Uma infinidade de festas. Uma imensidão de comemorações. Inúmeras campanhas beneficentes e uma profusão de pessoas nos desejando "boas festas".

Com mais frequência do que o normal, pessoas que não nos conhecem abrem a boca para nos desejar alguma coisa boa.

Ao mesmo tempo, vemos cada vez mais pessoas com cada vez menos paciência. Incidentes no trânsito. Reclamações em filas. Preocupações com as contas que virão. Caos.


Enquanto estamos vivendo um momento de final de ano, com todo seu aspecto positivo, milhares de crianças sequer ganharão um presente, milhares de pessoas continuarão sem ter o que comer, uma infinidade de pessoas continuará sem ter onde morar.


Enquanto estamos comemorando, ainda existirá uma falta de valores na sociedade, ainda haverá descaso com a saúde pública, desrespeito para com o próximo, intolerância, jovens sem limites, drogas, violência... a lista é infinita.

É o paradoxo social. É a manifestação da dualidade latente que teima em existir em todas as coisas, relativizando tudo que toca: o sentimento é positivo, enquanto a realidade é negativa. Enfim, é o carma da sociedade.

Concorda?

O salto

Todas as mensagens de final de ano desejando uma imensa sorte de coisas boas esquecem uma coisa: desejar evolução.


A evolução do presente, de uma sociedade despreocupada para uma sociedade engajada.


Uma sociedade que não pensa no próximo apenas perto do final de ano. Uma sociedade que seja coerente com seus desejos, e construa o que quer verdadeiramente, com dedicação, com força, com união, para que o mundo se torne apenas uma coisa só:



Precisamos dar um salto para frente, e fazermos durante todo o ano, por todos os anos que virão, as práticas positivas que desejamos.


Precisamos deixar de dar "boas festas" e praticar a caridade apenas nesta época. Precisamos ser coerentes e dar bom dia para todas as pessoas o ano inteiro. Precisamos olhar nos olhos do outro, precisamos oferecer ajuda sempre. Precisamos fazer o bem o ano inteiro, mesmo com pequenas atitudes.


Precisamos nos policiar para fazermos o certo e o bem em tudo que fazemos. Precisamos nos tornar aquilo que queremos que o mundo seja.

Precisamos agir.


Precisamos agir sempre com beleza, caridade, amor e respeito em todos os momentos. 

A proposta


Seja coerente. Plante a evolução permanentemente. Sempre.


Simples assim.


Estes são os nossos votos para hoje, amanhã e todos os outros dias.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Descobrir


Nada como descobrir o novo. Por vezes até descobrir o novo, de novo.

O prazer indescritível da surpresa ao se ouvir uma música pela primeira vez. A sutileza de perceber novas reações àquele filme que não víamos por muitos e muitos anos, como se novo fosse.

A nossa entrega e dedicação ao explorar cada espaço do novo, faz com que tenhamos uma vida rica em detalhes.

Até o que é velho pode ser novo, se explorado.

Explorado. Dissecado até a raiz mais profunda. Dilacerado com voracidade pela curiosidade. Arrombado pela obstinação em descobrir o novo.

E aí temos o velho tornando-se novo. E aí não teremos mais velho. Só o novo.

A riqueza da vida, os detalhes da descoberta e a felicidade da exploração dão uma única certeza: descobrir só nos leva à uma conclusão.

Quanto mais descobrimos, mais sabemos a verdade.

Somos eternos aprendizes.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sem noção

Onde consigo comprar noção?

Procurei no Google, e não souberam me informar. Mercado Livre e estes sites de venda coletiva (Peixe Urbano e afins) parecem não se interessar por este produto.

Tenho visto muita gente por aí precisando de um pouco de noção. Eu mesmo, algumas vezes, a perdi e demorei até encontrar.


Agora, o que leva tanta gente a perder, ou sequer mesmo ter, noção?


Hoje


O mundo gira rápido, fazendo com que a informação que estamos recebendo neste exato momento esteja ultrapassada em algumas horas.


Quem já viu o vídeo sobre nossa geração sabe o que estou falando:


Somos um conjunto de pessoas que não sabe que é um conjunto de pessoas...


Alguém aqui já falou sobre como nossa sociedade é individualista (de tanto olhar para nosso umbigo, criou-se uma religião: o Umbiguismo).


Com tanta informação, com tanta facilidade de acesso às coisas e com tanta evolução, tornamo-nos escravas daquele que é nosso maior inimigo: nós mesmos (não, não é o Darth Vader).


Temos metas para cumprir, prazos, sonhos e uma infinidade de caminhos para seguir. Agora, com tanta opção, acabamos nos sentindo perdidos, oprimindo nosso eu e vivendo em detrimento do próximo. Vivemos no piloto automático.


Cobramos mais do que efetivamente podemos conseguir, e acabamos retardando (por vezes até impossibilitando) nosso desenvolvimento intelectual e humano.


Noção


Noção poderia fazer parte da cesta básica. É tão importante quanto bom senso, caráter, empatia ou respeito.

No processo de liquidação das plenitudes do nosso ser, esquecemos o quão importante é termos noção do ambiente em que vivemos.


Por mais que tenhamos coisas EXTREMAMENTE importantes para fazer, vivemos em um mundo com milhares de outras pessoas, com milhares de coisas EXTREMAMENTE importantes para ser feitas.


É preciso ter limites, caso contrário a minha importância será suprimida pela importância do outro, e, então, deixarei de ter importância.


Noção é tão simples que tem apenas uma instrução: faça aquilo que gostaria que fizessem contigo...


É preciso ter noção do mundo em que vivemos, para, então, termos noção das coisas que precisam ser feitas. Assim teremos noção das coisas que são verdadeiramente importantes.
Noção é apenas um caminho para atingirmos nossos sonhos...


A proposta (ou a campanha)



Esta é a segunda campanha do Pago Bem!


A primeira é para doar um pouco de cultura à sociedade (leia aqui).


Esta é para tentar melhorar o ambiente em que vivemos...


Quem conhece o significado de um sorriso sabe o que estamos falando.


Um sorriso abre portas. Muda um universo. Cria o impossível.


Essa ideia já não é nova, e foi colocada em prática em São Paulo:


Que tal hein?


Raiva, angústia, vingança ou até mesmo indiferença são sentimentos que levam a lugares desnecessários.


Se toparmos com alguém que seja desprovido de noção, o melhor que podemos fazer é... SORRIR.


Claro.


Sorria!


Sorrir mostra que estamos alheios àquilo, mesmo que a falta de noção do outro cause problemas em nossa vida.


Sorria àquele que te fecha no trânsito. Sorria àquele que xingou a caixa do supermercado. Sorria àqueles que vivem em seu próprio mundo.


A maior parte destas pessoas sequer estará entendendo o motivo do sorriso. Agora, qual a importância disto? Esta pessoa não tem noção e você ainda se importa com a opinião dela?


Basta termos as nossas opiniões, fundadas em sentimentos puros e bons. Basta querermos um mundo melhor.


A falta de noção pode ser facilmente aniquilada com nossos sorrisos.


Alguns, ainda que poucos, perceberão em nossos sorrisos que alegria e felicidade independem de rispidez. Que sentimentos bons criam nada menor do que... sentimentos bons (alguém aqui já assistiu ao fabuloso Patch Adams?).


Aprenderão com nossos sorrisos que meu respeito independe de suas atitudes hostis, e, assim, terão noção de sua irrelevância.


Divulgue esta ideia (divulgue os Livros que Andam, também)! Vamos levar um pouco de noção àqueles que precisam...


Mesmo assim, se ainda for preciso comprar noção, favor avisar onde acharam. Pago bem!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Declaração de amor

She is love.

Agora é o meio de uma madrugada. O meio da madrugada de um feriado.

Com tanto tempo livre, apenas uma coisa habita meus pensamentos: ela.

Faço destas palavras uma declaração de amor. Para ela.

Acabo de chegar em casa. O sorriso mal cabe em meu rosto.

Estava com ela.


Minha relação com ela é mais antiga do que eu posso me lembrar. Não lembro ao certo quando a conheci, mas lembro que sem ela não consigo viver. Sim: sem ela não há vida.

Conheço ela faz muito, mas muito tempo. Já tive a oportunidade de flertar com ela por inúmeras vezes. 

Já me declarei apaixonado. Já fui correspondido. 

Fui seu amante e recebi o amor que queria ter recebido.

Com ela presente já tive momentos inesquecíveis. Guardei lembranças. Sorri e chorei.

Já fui dela e ela foi minha. Já fui entregue a ela e ela já se entregou para mim.

Agora, não tenho vergonha de dizer que já a traí.

Já tive outros relacionamentos. Já tive outras paixões.

Já vivi outros momentos. Agora, tenho que admitir: em todas estas paixões ela estava junto.

Ela sempre esteve comigo. Todas as minhas paixões foram marcadas por ela, mesmo que não fossem COM ela.

Sim.

Assumo.

Tive outras, que não ela.

Agora, também assumo: ela sempre esteve comigo. Mesmo longe. Sempre esteve ao meu lado, por mais que eu não tivesse o discernimento para perceber.

Para meus outros relacionamentos peço apenas perdão. Ou não. Todos os outros relacionamentos foram felizes e me fizeram crescer. Agora, foram felizes porque, em algum momento, ela esteve presente.

Paixão é uma coisa que pode não acabar. Nunca.

E com ela foi assim. Meu amor por ela nunca acabou.

Mesmo com outros interesses, ela sempre esteve junto. Ao meu lado. Dentro de mim.

Ela sempre foi uma surpresa. Começou calma e devagar. Foi crescendo, foi preenchendo. Foi tomando conta de um coração. Foi moldando um sentimento. Ah... Foi envolvendo. 

Aos poucos tomou conta de todos os sentimentos. Todos os sonhos.

A amei de todas as maneiras possíveis. Amei-a cantando. Amei-a tocando. Amei-a ouvindo. Amei-a sentindo e vendo.

Também sou homem o suficiente para dizer: ela não é só minha!

Sim, eu sei. É duro afirmar que um amor não só seu. Na verdade meu amor é do mundo. É universal.

Ela é tão perfeita, linda, completa e fantástica que apenas uma pessoa não é capaz de apreciá-la sozinho. Isso faz ela ser quem ela é. Faz com ela ela nutra meus sentimentos, invada meus sonhos e abra um sorriso em meu rosto todo dia quando acordo. E talvez por isso que ela me aceite de volta sempre que a procuro.

Sei que muitos (talvez até todos) a amaram. Talvez todos estes a amem.

E eu sei que ela ama a todos eles.

Meu amor é meu. Meu amor é de todos os outros.

A amei com o que tive. E aprendi com este amor.

Mesmo quando não estava junto com ela, soube a ouvir e com ela soube aprender.

Ouvi tudo que ela tinha a dizer. E depois de um tempo soube aprender que o que ela dizia não eram palavras dela.

Eram palavras dos amores dela. Eram aquilo que ela tinha aprendido com aqueles que a amaram (e que não eram eu). Triste? Não. Triste seria se ela não tivesse todo esse amor para me dar.

Quando acordei hoje estava longe dela. Muito longe.

Havia esquecido do meu amor, e de como ele era importante para mim.

Tive o prazer de reencontrá-la. E, mais uma vez, apaixonei-me por ela.

Ela me abriu, mais uma vez, as portas de um novo universo. Mais uma vez. Mais uma vez. Mais uma.

Por isso declaro meu amor por ela: eu te amo. Com todas as letras. Com todos os acordes. Todas as melodias e cores. Todos os cheiros, sabores. Todas as experiências, as chances, as oportunidades e todos os erros.

Todos os dias.

Música: obrigado por existir. ;)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Coragem

Coragem é admitir não ter motivos para sorrir. Coragem é admitir não conseguir fazer alguém sorrir. Coragem é dar a cara a tapa, fazer alguém sorrir e sorrir por conseguir. Coragem é dar a cara a tapa, fazer alguém sorrir e sorrir sabendo que ao menos tentou. Chorar também é coragem, pelo simples fato de aceitar não poder sorrir o tempo todo. Tentar é coragem! Coragem é uma tentativa, de, quem, sabe, fazer alguém sorrir. Aventurar-se também é coragem, é claro. Não somente pela aventura, mas por aceitar o novo. Coragem é saber que uma aventura, ou um simples sorriso, pode mudar sua vida, ou a dos outros. Adrenalina é coragem, adrenalina é energia. A energia é o combustível da coragem, e um homem corajoso reflete otimismo. Sorrir, encorajar-se, aventurar-se, sentir o gosto da adrenalina, esse é o espírito. Saber que fazer algo pode provocar sensações boas, esse é o sentido da vida. Falando a verdade? O vídeo abaixo expressa uma parcela da coragem e otimismo de alguém. Alguém muito corajoso, diga-se de passagem!!! Pago bem por tamanha coragem! Tu és corajoso?

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Livros que andam

Um projeto


Esse é o primeiro projeto do Pago Bem e, francamente, esperamos que não seja o último.


Uma das propostas do site é ser uma fonte de informação, um espaço cultural. Acreditamos que educação forma uma sociedade sólida, capaz, e perseverante.

Um homem (ou mulher) educado consegue não só sonhar, mas consegue construir seu sonho. É aquele que dá o salto entre uma vida de imaginação para a vida de construção. É aquele que cativa. É aquele responsável pelos outros.

Confesso que essa ideia não é original. Já vimos isso em algum outro lugar e achamos interessante, agora, nunca nos deparamos com a ideia colocada na prática.

Um sonho


Acreditamos que livros são feitos para serem lidos.

O que adianta lermos um livro e deixarmos ele em uma estante, acumulando pó para o resto da vida?

Livros são como pessoas, e devem circular.

Suas ideias e suas palavras devem atingir a todos, sem preconceitos.

Suas histórias e aprendizados devem atingir o maior número de pessoas possíveis. Devem inspirar, mudar vidas, devem fazer seus leitores sonhar.

Feliz é aquele que sonha.

Por isso mesmo vamos começar o projeto: Livros que andam.

O que importa é que a cultura que consta nos livros cheguem àqueles que não teriam acesso ao mesmo.


Como fazer?


Pegue aquele livro que está em sua prateleira. qualquer livro (pode ser até um livro novo que marcou a sua vida).

Escreva a seguintes palavras na primeira folha:

“Livros que andam.



Parabéns! Você acaba de ganhar um livro!

Se gostou leia, se não gostou deixe para outra pessoa ler, ou dê de presente.

Livros são feitos para serem lidos, e para mudar as vidas das pessoas.

Depois que ler, deixe em um lugar onde muitas pessoas circulam, para que cada vez mais pessoas leiam.

O mundo é feito de sonhos, e livros nos dão motivos para sonhar.

Leia sempre, e espalhe seus livros (com estas palavras)!

Se quiser mandar a história de onde achou este livro, ficaremos felizes em saber:


Vai ficar mais ou menos assim:



É importante colocar o e-mail, para tentarmos fazer um mapa de onde os livros estão indo. Vamos tentar fazer com os livros cheguem ao maior número de pessoas.


Se conseguirmos fazer uma pessoa apenas realizar um sonho, ou sonhar pela primeira vez, o projeto já será um sucesso.


Este é o primeiro exemplar (o título é sugestivo):




Deixe o livro em um local de grande circulação, para que alguém o ache. O nosso vamos deixar em uma parada de ônibus:




Esperamos que ele seja útil para alguém.


Tirem fotos dos livros que deixarem e divulgaremos aqui! Qualquer foto já vale!

Pago bem pela sua ajuda. Divulgue!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Educação

Assunto tão batido, porém nunca esgotado.

Por vezes, me deparo com pessoas sem o mínimo senso de colaboração cidadã. Ontem, mais uma vez, tive a prova de que a classe social não pode ser atrelada ao nível de educação de um homem.

Era o retorno à cidade, ainda estava no interior quando me deparei com a cena motivadora dessa “ira”. Entendo qualquer necessidade, qualquer motivo que leve a fatos adversos, porém jogar lixo pela janela é algo que não tolero.

Poderia classificar a atitude como impensada, porém me atrevo a dizer que lastimável não descreveria 100% a cena.

Uma garrafa pet jogada ao meio da rodovia? Seria isso justo?

Seria justo para com todos nós, tal atitude desencadeadora de processos que degradam o meio ambiente?

Não consegui registrar o momento que me levou a tudo isso, porém deixo uma foto que retrata o “jegue”, digo, autor dessa façanha.

Tudo bem, tudo bem, poderia, mais ainda, descrever sobre o ato de transportar duas ovelhas na caçamba do veículo, poderia citar o cuidado com animais, mas não vem ao caso. Deixo isso para outro momento de fúria.

Acredito que desculpas não cabem, tampouco explicações. A falta de consciência, atrelada ao baixo nível sócio-cultural/intelectual de muitos cidadãos desperta em mim um sentimento de que não basta a minha parte, tudo é posto fora com atitudes como essa.

De qualquer forma, ele seria um belo alvo para o novo projeto do Pago bem.

Fiquem atentos.

Pagobem pela tua fúria, guardá-la não faz bem

Grrrrrr...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

When I come around

Esse texto é a continuação do "Como realmente conhecer pessoas", trazendo outro viés, aquele sobre como nos distanciamos de certas pessoas. Ah, vou falar sobre amizades, sonhos, infância, música, paixão, acreditar no futuro e ser feliz.

O início

A história tem três inícios. Making a lifetime story short:

1. 1994 - Minha mãe chega em casa com um CD na mão: Dookie, do Green Day. Falou que seus alunos pediram para colocar uma música na sala de aula, e que ela não podia, blablabla. Os tempos eram outros. A capa do CD tinha uma guerra um tanto quanto diferente:


Fora a capa do disco apresentar gente jogando fezes nos outros, as letras eram recheadas de palavrões. Politicamente incorreto. Não recomendável para a sala de aula. 

Altamente recomendável para um garoto de dez anos. Comecei a escutar o som dos caras. Guitarras furiosas, gritos, uma bateria alucinante e muita, mas muita energia. Comecei a descobrir do que gostava.

Pouco tempo depois chegou a MTV na minha casa. Descobri um tal de Cazé, com seu programa Teleguiado e no mesmo dia eu pude descobrir quem eram os caras do Green Day: alguns malucos que tocavam Basket Case em um hospício!!! Era bom demais para um garoto!! Nesse mesmo dia conheci o Iron Maiden e a música Fear of the Dark. (bons tempos em que a MTV sabia o que era música de verdade...)

É ou não é demais???!!!!

Formei meu gosto musical.

2. Não sei exatamente o ano... mas entre 1994 e 1995 - Mudei de praia e ainda não tinha nenhum amigo. Vi um cara jogando futebol com a irmã (sim, com a irmã... e para quem o conhece, sim, futebol...) pela janela. Fui lá e começamos a jogar juntos. Nasceu uma amizade.

Papo vai e papo vem, descobri que tínhamos muita coisa em comum: éramos colorados e gostávamos de Green Day.

Viramos irmãos e tivemos algumas boas histórias para contar.

A internet era restrita naquela época e baixar MP3 era algo que ainda não tinha sido inventado. Ele me emprestou um CD ao vivo do Green Day que eu levei para um conhecido copiar. Algo impensável para a época.

Trocávamos informações sobre nossos ídolos: 

- "Cara, sabia que o Green Day tem mais um CD???" 
- "Como assim?"
- "Vi numa loja de CDs... um tal de Insomniac..."
- "Tem certeza???"
- "Acho que sim... tava escrito Green Day..."
- "Hmmm... deve ser novo..."

A coisa era precária...

3. 1996 - Música já era minha vida. Conhecia várias bandas: Metallica, Oasis, Red Hot Chilli Peppers, Alanis Morissette, Offspring (vi todos meus ídolos em Porto Alegre, mas nenhum será tão importante) e, claro, o Green Day... 

Enchia a paciência da família pois queria aprender a tocar bateria. Não deixavam pois a bateria é um instrumento grande e barulhento. Então queria tocar guitarra. Também não consegui. Aprendi a tocar violão, e, aqui entra o título do texto, minha primeira música foi When I come Around. Depois veio Basket Case, Fear of the dark, a guitarra...

Os acontecimentos

A música passou a estar presente em todos os momentos da minha vida. Passou a lembrar bons momentos, a inspirar, a aprender e a dar motivos às coisas.

Passei a querer ser como meus ídolos, meus heróis. Tentava me vestir como eles, adotar seus maneirismos, suas falas, seus jeitos. Queria ser músico. Queria viver fazendo aquilo que mais gostava.

Algumas músicas eram como um mantra para mim e meus amigos...


Foi em um show do Creedence que vi minha mãe transformar-se na garota que ela era em sua juventude. Foi ali que quis aprender a tocar bateria de novo, e ali comecei a maior transformação da minha vida.

Aprendi que posso correr atrás dos sonhos, por mais antigos que eles sejam. Aprendi a tocar bateria sozinho, sem ter uma bateria. Aos dezoito anos arranjei uma lata velha e trouxe para casa. Peguei um CD dos Beatles e tentei acompanhar... e, um belo dia, meu pai me acordou com uma barulheira infernal: era uma bateria nova, linda, que ele estava me dando de presente.

Foi tocando violão (Time of your life, também do Green Day) para minha avó que eu aprendi que um violão de aço é bem mais legal do que uma guitarra. Foi assim que deixei de querer ser meus ídolos, e passei a construir a minha identidade.

Foi com a minha identidade que eu dei um presente ao meu pai, tocando Guri, do César Passarinho. Ele, por sua vez, me deu o melhor presente do mundo:

Obrigado...

A amizade 

A música me uniu aos meus amigos quando tocávamos Blink 182 e Green Day na beira da praia ou ouvíamos Bob Marley antes de ir surfar (eu tentei...). Foi com ajuda deles e da internet que conheci novas bandas. Excelentes tempos. Excelentes histórias. Excelentes memórias.

Como aqueles que comentaram no "Como realmente conhecer pessoas", alguns amigos - daqueles que dizemos que serão amigos para sempre - são deixados de lado.

Não há como explicar.

As pessoas, assim como o tempo, mudam. Novas prioridades, novos rumos, novos sonhos. Billie Joe já disse: "a vida te pega pelo pulso e te direciona para onde ir..."

O contato vai se perdendo aos poucos, até o ponto de se extinguir.

Vemos aquele amigo na fila do supermercado, na mesa ao lado em um restaurante, atravessando a rua. Tentamos conversar, mas não é a mesma coisa.

A amizade some?

Sonhar?

O que sonhar tem a ver com isso?

Simples. Sonhar não deixa a amizade sumir. Aliás, não só amizade, mas tudo que mais queremos em nossa vida.

As amizades são marcantes pois geram sensações no nosso corpo. É como reagimos com uma pessoa que diz se ela será nossa amiga ou não, ou seja, depende só de nossa reação.

Se perdeste o contato com o amigo, a memória dos momentos marcantes não foi perdida.

Sonhe com tudo de bom que aconteceu. Experimente tudo novamente: todas as histórias, as conversas, as risadas, as brigas, as trocas... tudo está dentro de nós. Basta sonhar e aquele amigo estará do teu lado, mesmo sem estar presente.

A amizade não some, basta manter as memórias vivas, e sonhar é o melhor remédio.

A proposta

Amanhã o Green Day fará show em Porto Alegre. Um dia eu sonhei que isso fosse acontecer.

Já tinha desistido de assistir eles, mas um sonho não morre.

Dezesseis anos depois eu vou poder cantar junto com aqueles que foram meus ídolos as músicas que mudaram minha vida.

Amanhã vou sonhar de novo. Vou sonhar com todos os momentos bons que passei em minha vida. Vou sonhar todas as experiências que me foram marcantes... amigos, família, escola, faculdade, trabalho... afinal a vida é feita de voltar àqueles momentos que nos marcam.

Vou manter a energia que me move mais forte do que nunca. Vou ter mais um melhor momento da minha vida.

Pago bem para que você tenha o melhor momento da sua vida.
 
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