segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

"Roupas"

Somos um armário ambulante.

Isso mesmo. Um armário.

Para cada situação de nossa vida, apresentamo-nos com uma roupa diferente.

A pessoa que usa terno e gravata para uma ocasião séria. A pessoa que usa bermudas e chinelo quando vai à praia. A pessoa que usa preto quando está de luto. A pessoa que usa fantasia de Papai Noel em uma festa a fantasia.

Se tirarmos as roupas, como as situações ficariam?

A pessoa séria, focada e organizada na ocasião séria. A pessoa relaxada e descontraída na praia. A pessoa triste e introspectiva no luto. A pessoa alegre e extrovertida na festa a fantasia.

Assim como nossas roupas, apresentamo-nos com diferentes personalidades quando preciso.

As pessoas são feitas por camadas, assim como as roupas que usamos no inverno.

A cada nova camada, uma pessoa nova surge.

A vida nos presenteia com uma infinidade de situações. A cada uma delas precisamos ser uma pessoa diferente. Muitas vezes, a pessoa que é conhecida no ambiente de trabalho não é reconhecida em seu momento de lazer.

Tendemos a conhecer as pessoas que se apresentam para gente. Esquecemo-nos de conhecer as outras pessoas, que não estão na nossa frente.

Penso que conheço meu colega de trabalho, pois conheço aquela pessoa que se apresenta para trabalhar comigo. Penso que conheço um namorado/namorada pela pessoa que convive comigo.

E a vida particular do colega de trabalho? E o namorado/namorada que se apresenta apenas para os seus amigos?

Todos são diferentes, de acordo com as situações.

Por isso mesmo é possível sermos várias pessoas, e, ao mesmo tempo, uma só.

Tá. E daí?

E daí que se levarmos em conta as diferentes pessoas que existem dentro daquelas que nos relacionamos, poderemos conhecer melhor a realidade em que vivemos.

E se aquela pessoa que está se apresentando para gente como um vizinho está trazendo uma angústia daquela pessoa que está para ser demitida do emprego?

Se conhecermos cada pessoa que habita o corpo de alguém (o namorado-trabalhador-esportista-filho-professor-motorista-assador de churrasco dos amigos-baladeiro-aluno-vizinho) poderemos dizer que realmente conhecemos aquela pessoa, e poderemos ter a certeza de que saberemos compreender a nossa realidade em sua plenitude.

Relações superficiais com quer que seja acabam por nos deixar cegos. Não compreendemos o mundo com os detalhes que ele se apresenta.

E se alguma coisa boa e nova ficar de fora?

Tire a roupa de quem está perto de você.

5 comentários:

Teuso disse...

Tudo uma questão de perspectiva e impermanência.
Prefiro não mencionar as tuas vestimentas pra correr...

Beto disse...

e as pessoas que abusam de uma vestimenta para pronunciar seu poder?

Particularmente, adoro analisar como elas ficam sem roupa.. tudo em prol do estudo do ser humano, como humano!

Peter disse...

Eu sabia que os comentários não iriam decepcionar...

Anônimo disse...

Algumas pessoas chamaria estas camadas de máscaras. Será mesmo que podemos andar despidos? Se pudéssemos mesmo tirar a roupa de quem está por perto, muitos conflitos estariam resolvidos. Porém não podemos. Não somos um superhomem com visão de raio X. Não podemos tirar a roupa, mas podemos abrir janelas. Uma mente aberta e tolerante é capaz de romper barreira e criar seu próprio efeito de raio X. Despir-se dos preconceitos, dos prejulgamentos e das fórmulas unilaterais de se viver a vida é uma boa prática para começarmos a tirar nossas próprias roupas. Pelos menos vamos deixar todo mundo viver mais à vontade.
Mário

Peter disse...

Mas isso nada mais é do que o desapego (mais uma vez, portões da prática budista).

Já falei sobre esse atitude de despir-se, de outra forma (abordando a importância de uma conscientização e uma nova visualização sobre as diferenças), no texto "Pessoas em série" (http://www.pagobem.com/2010/02/pessoas-em-serie.html)

Abraço!

 
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