segunda-feira, 22 de março de 2010

Regimes Totalitários

Estava vendo o filme argentino O Segredo dos seus Olhos (El Secreto de Sus Ojos, 2009), ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010, e me chamou a atenção, além da excelente atuação de Ricardo Darin, dois assuntos muito bem abordados por essa produção. Um deles foi o autoritarismo de pessoas que detém o poder, e o outro o ciúme no relacionamento entre homem e mulher. O filme conta uma história que se passou no período da ditadura militar na Argentina, e conta um crime causado pelo ciúme. A ditadura, assim como o ciúme, tira completamente a liberdade, o que limita o desenvolvimento e a personalidade das pessoas. Presenciei durante os últimos meses diversos atos e atitudes autoritárias que acabaram resultando em conseqüências inimagináveis, como é típico de regimes totalitários, como o nazismo (um bom filme para se entender como são instalados estes regimes é A Onda (Die Wielle), um filme alemão excelente). Por sorte, existem pessoas, que não aceitam atitudes injustas e mentiras descabidas, fazendo com que alguns desses poderosos tiranos e maquiavélicos sejam desmascarados (infelizmente nem sempre...). O ciúme leva ao autoritarismo, por insegurança e possessão, um ser enciumado “proíbe”, que o marido(a) ou namorado(a) faça algumas coisas, fale com alguém ou vista alguma roupa. Já diria a música dos Paralamas do Sucesso: “Todas as formas de se controlar alguém, só trazem um amor vazio...”. Uma vez estava com um amigo, quando ele recebeu o telefonema da namorada, trocaram algumas palavras, ela queria saber onde ele estava e se estava bem, mas ele, assim que desligou o telefone notou que aquela ligação não era uma ligação de preocupação, pra saber se o seu amado estava bem, se divertindo, com saúde. Mas sim uma ligação fiscalizadora, ou seja, uma atitude possessiva. Assim como líderes totalitários, que são muito apegados ao seu ego e ao seu poder, pessoas ciumentas também são extremamente apegadas a si. Vivem com medo de perder o que tem, o que causa muita angústia e problemas às pessoas envolvidas. Muitas coisas perdemos por medo de perder, não me sinto muito à vontade de dar conselho, e acho que apesar de a ditadura e o ciúme terem a mesma causa, cada um deve ser manejado de maneira diferente. Autoritarismo deve ser combatido com luta por liberdade, verdade, mobilização da sociedade envolvida. Já o ciúme deve ser abolido do relacionamento com diálogo, com respeito e confiança. Sem dúvida a cura para pessoas ciumentas e ditadores é o auto-desapego, mas para pessoas envolvidas qual é a melhor saída? Diálogo, golpe de estado, fim de relacionamento? Isso da muito pano pra manga, convido aos queridos e inúmeros leitores que deixem a sua opinião!

12 comentários:

Beto disse...

Link bem feito. O ciúme nada mais é que o controle exercido sobre o outro. Porém quem somos nós diante desse egoísmo de não admitir que o outro haja com liberdade? Vale lembrar que por vezes o ciúme ocorre devido a fatos que deixam motivos para desconfiar ou preocupar-se.
Não defendo o ciúme e, até mesmo, o repulso.
De qualquer forma sigo com um ditado que diz: "Aonde ha fumaça, há fogo!"

ESTAMOS DE OLHO!

Beto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Peter disse...

Faltava só um "Mister M, seu canalha..." no comentário do Beto.

A cura do ciúme passa apenas por confiança.

Tenho aversão ao ciúme, pois mina o relacionamento.

Esse papo de que um pouco de ciúme é bom, para atiçar o relacionamento, é pura balela. Exitem mil formas de manter um relacionamento pegando fogo, sem ciúme.

Ciúme é insegurança.

Como sempre, o diálogo é a melhor saída.

Se um diálogo não resolve, é pq o casal já não está mais conectado, e aí meu amigo, o relacionamento já se foi pras cucuias...

Maria Antonieta (cabra da peste) disse...

Pra mim, namorado meu é soh meu! Se conversar com outra eu capo "as bola" fora. Aliás, um carreteirinho não cai mal.

Maria Antonieta (cabra da peste) disse...

Pra mim, namorado meu é soh meu. Se conversar com outra eu capo "as bola" fora. Aliás, um carreteirinho não cai mal.

Ém uma próxima oportunidade passarei a receita de bola gratinada também.

Anônimo disse...

Regimes totalitarios um bom nome, parabens!

Mas quem não quer o total no que se dedica?! assim como na politica como no amor ... o poder deixa as pessoas cegas ou melhor a ganancia pelo poder, de um outrem ou de tudo que esteja ao seu alcance.
Tudo o que e de mais e preocupante mas o que e de menos tambem, quando o verbo que age e o relacionar pessoas.

Peter disse...

Anônimo, agradeço em nome do site o comentário.

Agora, sinto algo estranho ao comparar política com amor. (permito-me abrir um espaço, apenas para informar que a própria política deve ser feita com amor)

Acho que o poder da política não deve existir no relacionamento (no amor). Como ter poder sobre o outro?

Minha parceira não é "minha". Assim como espero que ela não pense que é dona de mim.

Quero o total de sua dedicação, não para mim, mas para o casal, para o bem E a felicidade de ambos.

Querer a outra pessoa é apego, excessivo, o que, acho que já ficou claro nos pensamentos exposto aqui no blog, não leva a lugar algum, e sim apenas ao martírio de uma alma.

Peter disse...

Claro, esta é a minha opinião.

Maíra disse...

Também assisti a esse filme e concordo que tuas comparações são cabíveis e oportunas, mas quero ressaltar que ninguém perde aquilo que não tem.
Penso que pessoas são conquistadas e não presas umas às outras.
Acredito que o assassino do filme fosse realmente doente e não apenas ciumento, possessivo - não que o ciúme deixe de ser uma doença, mas isso renderia mais um ou dois textos...

Peter disse...

Maíra! Benvinda (reforma ortográfica ON)!

Não assisti ao filme (infelizmente), portanto não posso falar sobre o mesmo. Agora, gostei do link da frase: só se perde aquilo que se tem.

Sempre digo: quem não foi à Paris não sente falta.

As pessoas só reclamam quando perdem uma coisa que conhecem, que um dia tiveram.

Fiquei pensando se o totalitarismo pode ser de todo ruim. Iamgine um regime totalitário em uma sociedade desde o início de seus tempos. As pessoas não conheceriam o que é liberdade, e não sentiriam falta dela. Não seriam tolhidas, portanto.

É uma coisa cultural, acho.

Agora, sobre o ciúme, acho que é um pouco doentio.

Abraço e esperamos mais comentários! ;)

Beto disse...

Há controvérsias... Acredito que há o ciúme saudável e também o doentio, saber dosar é que é o ponto certo. Um relacionamento sem ciúme gera desconfiança. Uma posse (material) sem ciúme, gera desleixo.

Me fiz entender?

Peter disse...

Pois é... tu acha que o ciúme saudável é bom por qual motivo?

 
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