quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sorrindo

Ah se ele todos soubessem como conhecer esta cidade valia a pena!

O tempo gelava todo seu corpo. Sentia o peso das suas roupas limitar seus movimentos. A cada passo que dava sentia todos os músculos de seu corpo pedirem por uma pausa.

Olhou para o lado: um chocolate quente. Era o que precisava.

Entrou naquele salão, olhou para os lados e conferiu o ambiente. Muitas pessoas, ninguém conhecido. Claro, era outra cidade.

Sentou-se no balcão do café e pediu uma taça de chocolate quente. Alheio ao mundo.

Aquele lugar lembrava-o de quem o apresentara àquela cidade. Um flamenco cadenciado e cheio de malícia embalava alguns casais que dançavam. Era a música? Eram os casais? Era o doce do chocolate? Era a cidade?

Aos poucos foi sentindo seu corpo envolver-se completamente. Era este sentimento que esta cidade despertava.

Muito ouvira falar sobre as belezas daquele local. Era uma cidade imensa, bastante conhecida, muito reconhecida. Muitos haviam escrito sobre ela. Muitos a haviam fotografado. Muitos a cantavam.

Vivia em outro local, muito distante e diferente daquela cidade.
Ele estava conhecendo. E não mais queria sair.


Ela o havia apresentado. E aquele café lembrava ela.


O chocolate quente que esquentou um corpo cansado do frio lembrava o doce beijo dela.


A música envolvente lembrava seus abraços. Seu carinho.


Os casais apaixonados que davam show dançando lembravam o brilho do olhar sedutor.


As sensações que aquele café lhe despertaram levaram-no a sonhar pela cidade.


E como era bom!


Cada rua uma história. Cada lugar um sentimento. Cada pessoa um aprendizado.



Aliás, era isso que o fizera decidir-se em ficar na cidade que ela o apresentou. A beleza dela e o aprendizado.


As ruas da cidade iam e viam. Em algum momento se cruzavam. Mas levavam a todos os lugares que eles quisessem ir.


Para a cidade ele era estrangeiro. Estrangeiro com ares de cidadão. Ele estava aprendendo os costumes daquele local. Aquela cidade já estava no corpo dele. Aquele estrangeiro estava virando cidadão local.


Foi conhecendo as construções e as pessoas. Foi aprendendo com elas. Foi aprendendo com ela.


Foi conhecendo os caminhos. Aos poucos foi se familiarizando. Foi aprendendo aonde ir, como ir, como chegar onde ele e ela queriam.


Sabia que pela grandeza da cidade que tinha muito que aprender. E estava disposto. Passou a amar o infinito de oportunidades que aquela bela cidade oferecia.


A cidade era viva. Era como ela.


Em constante evolução, sempre haveria algum lugar novo, um novo caminho, uma nova história.

Ele sempre teria o que aprender.


Despertou do sonho.


Era alguém perguntando se ele queria mais chocolate quente.


Educadamente agradeceu. Estava quente e pronto para mais uma belíssima sessão de caminhada.


Colocou o casaco. Cumprimentou os desconhecidos que lhe olhavam com um sorriso.


Saiu a caminhar pela cidade. Estava indo ao encontro dela.

4 comentários:

Beto disse...

AH! A lembrança movida por cheiros, sensações e pessoas... uma música pode nos levar longe! A história do personagem me inspirou, quem nunca passou por isso?

Abs

Peter disse...

Texto antigo Beto. Estou escrevendo outro sobre as sensações. Abs!

i am... disse...

É incrível tua sensibilidade. Lindo texto! É bom lembrar.. Bjs!

Peter disse...

Que bom!

 
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