domingo, 11 de julho de 2010

A arte de ter razão?

Mais uma pra série: "Filosofia na música". Leia ouvindo a música abaixo:


Fito Paez - Mariposa Technicolor (letra e tradução aqui)

A música nos faz lembrar algo corriqueiro: cores, sensações e memórias que temos, que nos remetem àquilo que vivemos. Algo como na crônica "Sorrindo".

Agora, uma frase faz toda a importância:

"la melancolia de morir en este mundo
y de vivir sin una estúpida razón"

A vida é feita de memórias. Fora as sensações e lembranças da música, uma reflexão se destaca: qual a razão de existirmos?

A reflexão.

Não estou falando da razão coletiva, do nós (leia-se: da sociedade), e sim da razão individual, do eu.

Agora parto para uma reflexão pessoal que tem marcado meu presente: qual o meu papel? qual a minha razão?

O que as pessoas vão falar de mim no dia em que eu morrer? O que eu vou deixar aos meus filhos e à minha família? Qual será o meu legado?

Quero construir algo que eu possa me orgulhar, que possa fazer bem aos outros. Que seja a diferença na vida de alguém.

Simples ou complexo, temporário ou permanente. Não sei. Desde que seja a memória na vida de alguém: "quando eu precisava de alguém, ele me estendeu a mão."

Quero ter a certeza que criei um carma positivo, com base nas minhas atitudes, fazendo um mundo melhor. Quero que essa seja a minha razão, sem melancolia e vivendo para um bem maior.


A diferença.


Clichê ou piegas, pouco importa: o importante é que há uma diferença entre viver e simplesmente existir.


Todos existimos, muito embora poucos de nós vive.

Na verdade vivemos e existimos durante a nossa trajetória. Existimos naqueles dias que vamos dormir e pensamos: "mais um dia passou". Vivemos quando vamos dormir e pensamos: "sempre lembrarei esse dia".

Aquele dia em que fizeste uma criança sorrir, aquele dia que ajudaste seu avô doente, aquele dia em que lutaste contra ti mesmo, vencendo um medo, aquele dia em que foste tolerante, aquele dia em que serviste de bom exemplo, aquele dia em que ensinaste ao próximo e aquele dia em que deste sentido à tua vida. Aquele dia em que viveste em sua plenitude.

Aquele dia que acordaste e não deste um bom dia ao vizinho no elevador, aquele dia em que passaste no piloto automático, aquele dia em que brigaste com alguém que gosta. Aquele dia em que simplesmente exististe, e que não agregaste nada.

Há uma diferença: existir é simplesmente nascer. Viver é fazer a diferença, é ter uma razão.


A arte de ter razão?

Tenha razão na sua razão. Estranho? Sim.

Tenha a sua razão de existir, e tenha convicção nela. Não aja pensando na sua razão em certos momentos, mas aja sendo a sua razão.

Incorpore o seu objetivo, o seu sonhos, a sua meta de vida.

Faça com que a sua razão entre na sua vida, e motive todas as suas atitudes.

Acredite na sua razão e no seu sonho, e terás uma orientação para perseguir teu caminho.

Quando vivemos com um propósito, todas as nossas atitudes são inconscientemente levadas para que o nosso sonho se realize. Em outras palavras: só conseguimos aquilo que realmente queremos.

Se a nossa razão de ser é ser feliz e levar a felicidade para os outros, internalize isso. Feche seus olhos e visualize como seria sua vida com felicidade. Como seria a sua reação, como seu corpo reagiria. Experimente todas as coisas boas que ser feliz te propicia. Imagine que aquele "eu" que você está vendo está aos poucos indo ao seu encontro.  Imagine aquele "eu" entrando em você. Imagine que você está experimentando toda a felicidade que aquele "eu" esteve experimentando, e que isso está dentro de você.
 
Ser um artista em ter uma razão é uma simples questão de ponto de vista (obrigado por explicar Alberto): assim como a palavra "chorar" pode trazer lembranças ruins, ela pode significar uma coisa boa: "chorei de tanto rir".
 
Seja o artista de sua razão.


Pronto. Agora você sabe que basta querer para que algo aconteça. E como isso é simples.

A troca.

Não estamos sozinhos. Cada um, em sua individualidade, vive em conjunto com todos os outros ao seu lado, e por isso trocar experiências é tão importante.

Qual a sua razão?

Pago bem pela sua experiência!

12 comentários:

Anônimo disse...

Post no melhor estilo " eu vejo a vida melhor no futuro", acho q a melhor maneira de encontrar a felicidade é não procurar para si mesmo, a felicidade (como já diz o meu imã de geladeira) é encontrada ao ajudar os outros.
Um desafio, não sei se posso chamar de meu, já que não sei se tenho coragem para tanto é o já falado desapego do eu, cada vez mais, para mim, parece ser o meio de ser feliz, esquecer dos seus desejos, de sua imagem, das coisas e entender o eu como um todo universal! Talvez seja essa a minha razão!
cruzes vou dormir que peguei pesado já...
Fui feliz lendo esse post! Abs!

Teuso

Peter disse...

O desapego do eu permite que eu seja feliz através da felicidade dos outros. É complexo de entender, em um primeiro momento.

Agora, depois de compreender o processo parece simples: não sou eu, sou a soma de tudo que se-me apresenta, e se algo é feliz, sou feliz.

Difícil é colocar em prática

Já ouviste falar da parábola do vestido azul? e da corrente do bem?

Beto disse...

O correto seria ficarmos feliz com o momento e não com o que propiciou o momento. Ex.: Ficar feliz por poder ver um filme e não por ter o dinheiro para ir ao cinema.
Se conseguirmos olhar a felicidade por essa ótica, com certeza poderemos enxergar a felicidade nas pequenas coisas. Aí entraremos no assunto de fazer tudo com vontade, desde estudar até trabalhar. Meio simples... só meio! Abs

Peter disse...

Beto: e se a felicidade vier em todas as coisas, pequenas e grandes?

Exemplo: em ter o dinheiro para ir ao cinema, o tempo, e ainda ver o filme. Seriam três coisas que te fariam feliz.

Pessoalmente não gosto da idéia do que é "correto" ou não, pois ela é limitante (apenas uma coisa permite felicidade???).

Acredito que podemos ser felizes com o momento e com o que propiciou o momento. Isso sim é plenitude.

Agora, não é meio difícil, e sim EXTREMAMENTE difícil. Desafio, eu diria. O que acha?

Beto disse...

Extremamente difícil, sim! O que quero dizer é que se o contentamento ocorrer por motivos náo concretos, a chance de obtermos a felicidade com mais facilidade será substancialmente maior. Concordo que, se ditarmos correto ou incorreto poderá soar muito vago, visto que o correto para mim não é o mesmo para ti, porém se focarmos, como meta, a felicidade como soberana e não vinculada ao material, certamente o resultado será mais duradouro e possível de ser alcançado. Plenitude é ser feliz!

Peter disse...

Entendi Beto. Acho que é um pouco do que o Teuso falou, do desapego. Desapego das coisas concretas, do materialismo.

Plenitude é plenitude, é viver tudo aquilo que podemos viver, é viver o presente.

Não sei se é apenas ser feliz, visto que podemos ser infelizes (e certamente o seremos/fomos) em alguns momentos. É a vida. É a dualidade das coisas.

Essa tua frase me fez pensar na frase do Teuso: "eu vejo a vida melhor no futuro". Será que é para ser vista melhor no futuro?

Se eu ver ela melhor no futuro significa que estarei perdendo a plenitude do presente. O que acham?

Thaís disse...

Não necessariamente. Ver a vida melhor no futuro começa nas ações do presente. É muita acomodação utilizar essa frase como pretexto para reclamar do que acontece hoje.

Quero falar mais sobre a TROCA. É impossível viver sem troca. E uma frase que eu li essa semana... se a vida é feita de pequenos momentos, então não há pequenos momentos e somente GRANDES momentos.

A vida que eu verei melhor no futuro, dependerá das trocas que eu fizer hoje. Daí a importância de escolhermos bem com quem nos relacionamos. Trocas tem de ser positivas. Mesmo as negativas, tem que gerar um resultado positivo no final.

Aproveitando o dia do amigo... Cultive as boas amizades. Aquelas que são de alma. E troque. Troque muito!

Peter disse...

Já tinha ouvido essa frase, não lembro aonde. Acho que ela faz muito sentido, indo ao encontro daquilo que eu disse sobre o ponto de vista.

O pequeno momento e o grande momento só são diferentes por uma atitude do observador: seu ponto de vista.

Também acho que o futuro começa hoje, e é reflexo do que eu faço hoje (viva o carma). Agora, acho primordial o foco no presente, e não no futuro. Pra mim é meio lógico, quem foca sempre no futuro na verdade não foca em nada, já que o que hoje é futuro, amanhã será presente, e amanhã eu estarei de olho no futuro.

Fica claro?

Perfeita a tua relação de troca: "Trocas tem de ser positivas. Mesmo as negativas, tem que gerar um resultado positivo no final."

Queria poder ter essa percepção na maior parte do tempo...

Beto disse...

Focar o futuro tb eh legal, porém o importante eh nao sofrer por antecipação..aih não há foco que resolva!

COLORADO!

Peter disse...

Beto: importantíssima essa colocação.

Vamos construir um pensamento aqui?

Sou da opinião de que focar e pensar são coisas diferentes. Creio que devemos ter foco naquilo que fazemos (senão fazemos malfeito).

Por isso acho que o foco deve estar no presente (senão não o vivo com plenitude), E com pensamento no futuro (que é importantíssimo).

O que acha?

Sofrer por antecipação é a mais pura perda de tempo e de energia!!!

Thaís disse...

Concordo com o conceito de foco. Devemos ser sempre 100%. Quando estamos trabalhando, quando estamos estudando, quando estamos nos divertindo.

Qual a moral em estar estudando e pensando no que se deixou pra trás no trabalho. Ou estar estudando querendo estar comendo aquele XIS com os amigos que decidiram se encontrar. Ou ainda estar com os amigos pensando que devia estar lendo aquele texto pra próxima aula. Ser 100% em tudo. O momento é aqui. E a hora é agora.

Sofrer por antecipação... maior perda de tempo... devo concordar! A questão é... como se livrar disso? Difíííííííícil...

Peter disse...

Foste perfeita na tua colocação sobre o foco. Sem acrescentar mais nada.

Acho que só sofre por antecipação aquele que é apegado e que está com o foco no futuro.

Acho que já falei isso aqui nos comentários. O apego complica as coisas... e o foco no futuro traz o sofrimento por antecipação.

Um desapegado diria: "se der deu, se não der não deu. Beleza."

complicadíssimo...

 
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