quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Paixão

Paixão?


Paixão é um raio de sol. Uma música. Uma sensação.

Uma experiência. Um livro. Uma piada.

Paixão é sangue, suor e fogo. É exemplo.

Paixão é forte e fraca. É consumo e é estratégia.

Paixão te move e te bloqueia.

Paixão explode com tua cabeça.

Paixão era uma dessas "coisas", que poucos conseguem decifrar. Aliás, decifrá-la era o que todos queriam. Homens e mulheres. Jovens e velhos.

Paixão era um fenômeno.

Por onde passava arrebatava olhares.

Seu corpo era normal. Seu cabelo, normal. Seus olhos, normais. Sua boca, normal. Era ordinária. Agora, tinha uma energia que arrombava àqueles que estivessem perto, mesmo longe, perto.

Bastava que Paixão entrasse em um ambiente que até aqueles que não a viram entrar viravam para saber de onde vinha aquela sensação.

A única coisa anormal em Paixão era seu olhar. Este olhar sim era o enigma que todos queriam decifrar:

O que movia esta mulher? Qual a origem de tanta paixão em Paixão?

Paixão era um Big Bang sensorial. Explodia e irradiava paixão.

Há quem diga que Paixão curava câncer e outras doenças crônicas e fatais, apenas com um piscar de seus olhos fascinantes.


Paixão sempre residia no coração daqueles que acreditavam nela, porém às vezes ía embora e presenteava a todos com seu amor.

Era um arranha-céu em um lindo dia de sol. Um sol nascendo e se pondo em um dia limpo e irradiante. Uma criança gargalhando. Um sorriso natural. Era capaz de criar um universo inteiro. Era capaz de acabar com uma guerra. Era capaz de ser o motivo de uma guerra. Era a compilação de todos os sonhos de todas as pessoas do mundo. Um exagero na medida perfeita.

E o que Paixão tinha de diferente? Paixão.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Gerações

Música: Walk On
Artista: U2

Da última vez que sentei para conversar com meu avô, fiquei abismada pela quantidade de nomes, fatos, datas e histórias que ele lembrava. Com informações precisas e detalhadas.

Histórias de família.

Ele sabia coisas como quem foi seu bisavô e onde morava.

A árvore que estava plantada nos fundos do pátio de casa quando era criança.

O nome do entregador de leite e quantos litros comprava por semana.

As características do seu primeiro carro.

A data e detalhes de como conheceu minha avó. Como ela estava vestida e o que ela gostava de comer.

Também lembrava os trabalhos de marcenaria que seu pai fazia, o que anos depois também virou um de seus hobbies.

Voltei pra casa dirigindo rápido pois já estava atrasada para alguma coisa. Comi o que estava mais à mão na geladeira e saí correndo para mais um dia de trabalho.

Ao final do dia comecei a lembrar da conversa e tentei também lembrar das coisas que havia feito durante o dia. Não lembrava o que havia comido, ou o que meus colegas estavam vestindo. Mas ao mesmo tempo tive a sensação de que havia feito tantas coisas...

Difícil conclusão que não vivi meu dia.

Que estava e sempre estou no piloto automático.

Que não sei quantos litros de leite se gastam por semana na minha casa. Até porque as opções de marcas, tamanhos, cores, vitaminas são tantas que nem sei mais se aquilo é leite.

Outra coisa que me impressiona.

Meu avô, e as pessoas mais velhas em geral tem uma consciência histórica e política imensa. Eles narram fatos com referencial histórico.

Fulano nasceu logo depois que Jango assumiu a presidência.

Às vezes penso se essa é uma consciência que temos depois que os anos passam.

A pergunta que não quer calar... Do que eu vou me lembrar quando tiver a idade dele?

Será que vou saber as datas tão precisamente? Será que vou lembrar da árvore que havia no meu pátio? Será que estamos fadados a viver num mundo onde tudo acontece tão rápido que pagaremos por isso ao não ter o que contar aos nossos netos? Qual minha consciência política e histórica?

O famoso “Generation gap” tem um significado maior para mim.

Não é só um choque de crenças e comportamento, mas sim um espaço. Um espaço em branco. Que só cabe a mim escrever.

Por que não deixar de lado o choque de gerações e aproveitar a experiência, o conhecimento, a calma e a percepção de quem já passou pelos mesmos conflitos, mas com muito mais consciência do que se passava ao redor. Olhar ao redor. Lembrar. Como diz a música, tudo que não se pode deixar para trás...

Pago bem pela sua história...
 
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