terça-feira, 12 de outubro de 2010

When I come around

Esse texto é a continuação do "Como realmente conhecer pessoas", trazendo outro viés, aquele sobre como nos distanciamos de certas pessoas. Ah, vou falar sobre amizades, sonhos, infância, música, paixão, acreditar no futuro e ser feliz.

O início

A história tem três inícios. Making a lifetime story short:

1. 1994 - Minha mãe chega em casa com um CD na mão: Dookie, do Green Day. Falou que seus alunos pediram para colocar uma música na sala de aula, e que ela não podia, blablabla. Os tempos eram outros. A capa do CD tinha uma guerra um tanto quanto diferente:


Fora a capa do disco apresentar gente jogando fezes nos outros, as letras eram recheadas de palavrões. Politicamente incorreto. Não recomendável para a sala de aula. 

Altamente recomendável para um garoto de dez anos. Comecei a escutar o som dos caras. Guitarras furiosas, gritos, uma bateria alucinante e muita, mas muita energia. Comecei a descobrir do que gostava.

Pouco tempo depois chegou a MTV na minha casa. Descobri um tal de Cazé, com seu programa Teleguiado e no mesmo dia eu pude descobrir quem eram os caras do Green Day: alguns malucos que tocavam Basket Case em um hospício!!! Era bom demais para um garoto!! Nesse mesmo dia conheci o Iron Maiden e a música Fear of the Dark. (bons tempos em que a MTV sabia o que era música de verdade...)

É ou não é demais???!!!!

Formei meu gosto musical.

2. Não sei exatamente o ano... mas entre 1994 e 1995 - Mudei de praia e ainda não tinha nenhum amigo. Vi um cara jogando futebol com a irmã (sim, com a irmã... e para quem o conhece, sim, futebol...) pela janela. Fui lá e começamos a jogar juntos. Nasceu uma amizade.

Papo vai e papo vem, descobri que tínhamos muita coisa em comum: éramos colorados e gostávamos de Green Day.

Viramos irmãos e tivemos algumas boas histórias para contar.

A internet era restrita naquela época e baixar MP3 era algo que ainda não tinha sido inventado. Ele me emprestou um CD ao vivo do Green Day que eu levei para um conhecido copiar. Algo impensável para a época.

Trocávamos informações sobre nossos ídolos: 

- "Cara, sabia que o Green Day tem mais um CD???" 
- "Como assim?"
- "Vi numa loja de CDs... um tal de Insomniac..."
- "Tem certeza???"
- "Acho que sim... tava escrito Green Day..."
- "Hmmm... deve ser novo..."

A coisa era precária...

3. 1996 - Música já era minha vida. Conhecia várias bandas: Metallica, Oasis, Red Hot Chilli Peppers, Alanis Morissette, Offspring (vi todos meus ídolos em Porto Alegre, mas nenhum será tão importante) e, claro, o Green Day... 

Enchia a paciência da família pois queria aprender a tocar bateria. Não deixavam pois a bateria é um instrumento grande e barulhento. Então queria tocar guitarra. Também não consegui. Aprendi a tocar violão, e, aqui entra o título do texto, minha primeira música foi When I come Around. Depois veio Basket Case, Fear of the dark, a guitarra...

Os acontecimentos

A música passou a estar presente em todos os momentos da minha vida. Passou a lembrar bons momentos, a inspirar, a aprender e a dar motivos às coisas.

Passei a querer ser como meus ídolos, meus heróis. Tentava me vestir como eles, adotar seus maneirismos, suas falas, seus jeitos. Queria ser músico. Queria viver fazendo aquilo que mais gostava.

Algumas músicas eram como um mantra para mim e meus amigos...


Foi em um show do Creedence que vi minha mãe transformar-se na garota que ela era em sua juventude. Foi ali que quis aprender a tocar bateria de novo, e ali comecei a maior transformação da minha vida.

Aprendi que posso correr atrás dos sonhos, por mais antigos que eles sejam. Aprendi a tocar bateria sozinho, sem ter uma bateria. Aos dezoito anos arranjei uma lata velha e trouxe para casa. Peguei um CD dos Beatles e tentei acompanhar... e, um belo dia, meu pai me acordou com uma barulheira infernal: era uma bateria nova, linda, que ele estava me dando de presente.

Foi tocando violão (Time of your life, também do Green Day) para minha avó que eu aprendi que um violão de aço é bem mais legal do que uma guitarra. Foi assim que deixei de querer ser meus ídolos, e passei a construir a minha identidade.

Foi com a minha identidade que eu dei um presente ao meu pai, tocando Guri, do César Passarinho. Ele, por sua vez, me deu o melhor presente do mundo:

Obrigado...

A amizade 

A música me uniu aos meus amigos quando tocávamos Blink 182 e Green Day na beira da praia ou ouvíamos Bob Marley antes de ir surfar (eu tentei...). Foi com ajuda deles e da internet que conheci novas bandas. Excelentes tempos. Excelentes histórias. Excelentes memórias.

Como aqueles que comentaram no "Como realmente conhecer pessoas", alguns amigos - daqueles que dizemos que serão amigos para sempre - são deixados de lado.

Não há como explicar.

As pessoas, assim como o tempo, mudam. Novas prioridades, novos rumos, novos sonhos. Billie Joe já disse: "a vida te pega pelo pulso e te direciona para onde ir..."

O contato vai se perdendo aos poucos, até o ponto de se extinguir.

Vemos aquele amigo na fila do supermercado, na mesa ao lado em um restaurante, atravessando a rua. Tentamos conversar, mas não é a mesma coisa.

A amizade some?

Sonhar?

O que sonhar tem a ver com isso?

Simples. Sonhar não deixa a amizade sumir. Aliás, não só amizade, mas tudo que mais queremos em nossa vida.

As amizades são marcantes pois geram sensações no nosso corpo. É como reagimos com uma pessoa que diz se ela será nossa amiga ou não, ou seja, depende só de nossa reação.

Se perdeste o contato com o amigo, a memória dos momentos marcantes não foi perdida.

Sonhe com tudo de bom que aconteceu. Experimente tudo novamente: todas as histórias, as conversas, as risadas, as brigas, as trocas... tudo está dentro de nós. Basta sonhar e aquele amigo estará do teu lado, mesmo sem estar presente.

A amizade não some, basta manter as memórias vivas, e sonhar é o melhor remédio.

A proposta

Amanhã o Green Day fará show em Porto Alegre. Um dia eu sonhei que isso fosse acontecer.

Já tinha desistido de assistir eles, mas um sonho não morre.

Dezesseis anos depois eu vou poder cantar junto com aqueles que foram meus ídolos as músicas que mudaram minha vida.

Amanhã vou sonhar de novo. Vou sonhar com todos os momentos bons que passei em minha vida. Vou sonhar todas as experiências que me foram marcantes... amigos, família, escola, faculdade, trabalho... afinal a vida é feita de voltar àqueles momentos que nos marcam.

Vou manter a energia que me move mais forte do que nunca. Vou ter mais um melhor momento da minha vida.

Pago bem para que você tenha o melhor momento da sua vida.

9 comentários:

GO STUDY AUSTRALIA disse...

Meu irmao.

Parabens, me arrepiei lendo seu texto. Abraço

Beto disse...

Isso aí Peter, desistir jamais... afinal por mais difícil que tal sonho seja, a esperança ainda deverá ser maior!

Bom Show!

Peter disse...

Falou tudo...

Anônimo disse...

pedroooo meuu amigo!!! ameii!!!!
amizades nunca morrem!!!!
saudades
beijos Bruna

Anônimo disse...

Se tu gosta tanto da tua bateria busca ela lá em casa!!!

Peter disse...

no dia 27/11 eu busco

Anônimo disse...

Excelente! CK.

Peter disse...

Esse post já serve para falar sobre ser feliz x estar feliz...

Peter disse...

Thanks, by the way. PF

 
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