sábado, 5 de fevereiro de 2011

O cheio mais vazio

É possível o cheio ser vazio?

Logicamente, aquilo que não está vazio está cheio. É uma relação lógica em que algo pode apenas ter duas variáveis, completamente antagônicas: ou cheio ou vazio.

Em algum momento isso já foi mencionado por aqui, mas estamos vivendo em um ambiente paradoxal.

Vivemos uma época em que o cheio pode ser vazio.

O passado

Faça um experimento. Tente viver algum período como nossos antepassados.

Busque ouvir as músicas que eles ouviam, ler o que eles liam, comer o que eles comiam. Busque viver como eles viviam, e, especialmente, busque buscar o que eles buscavam.

Comece desconstruindo seu presente. Imagine como era o mundo sem internet e sem celular. Deixe os bens materiais e concentre-se nas pessoas.

Imagine a vida que teus pais tiveram. Partindo dos teus pais passe aos teus avós, e imagine viver a vida que eles viveram.

Procure analisar tudo sem o menor apego às coisas presentes. Imagine as roupas, as comidas, a estrutura social e os sentimentos.

Estude ideias de uma geração passada. Estude o que o passado representava para aqueles que o viveram. Sinta os sentimentos que nossos antepassados sentiam.

Vá longe, sem amarras.

Regrida aos mais remotos tempos, onde não haviam carros, o mundo era baseado em crenças que hoje já foram superadas e ousar significava conseguir matar um animal para alimentar sua família inteira.

Se a experiência foi bem sucedida, chegarás a conclusão que amor movia o mundo (vou escrever sobre isso in a few days).

Por amar a pátria algumas guerras foram travadas. Por amar uma ideologia milhares de paradigmas foram quebrados. Por amar uma moral algumas famílias foram mobilizadas.

Tirando o cotidiano inerente ao viver, as pessoas corriam atrás de alguma coisa. Liberdade. Igualdade. Fraternidade.

Homens e mulheres tinham sonhos, ideais e propósitos, e viviam suas vidas em um constante processo de busca pela realização.

O presente, sem presente

Depois de conhecer o passado, permita-se experimentar o presente.

Vá até um lugar onde as coisas acontecem. Onde homens e mulheres transitem, 'vivendo as suas vidas'. Sente-se em um lugar mais afastado, e permita-se observar os outros (como um Big Brother com algum propósito).

Observe o que move as pessoas. Explore o ambiente. Busque enxergar o que as pessoas enxergam, ouvir o que as pessoas ouvem e sentir o que elas sentem. Pratique sua empatia.

Aprenda a ser aquele que você está observando.

Repita esta experiência em diferentes lugares. Em diferentes dias. Em diferentes momentos.

Agora deixe de observar as pessoas e passe a observar suas produções. Veja o que as pessoas estão fazendo. Leia o que elas escrevem, escute o que elas dizem e sinta o ambiente que elas estão criando.

Afaste-se um pouco mais e tente observar os grupos formados por algumas pessoas. Não terás nenhuma surpresa.

 Quem conhece o Underground londrino sabe. Milhares de pessoas concentradas em uma única coisa: sua individualidade.

O presente, em um presente

Nosso presente é o paradoxo.

Vivemos um momento em que pessoas pensam estar evoluídas. Vivemos um presente em que o mundo pensa estar livre das mazelas que assolavam nossos antepassados.

Vivemos um presente em que as pessoas buscam um ideal: 'quero ser algo na vida'.

O paradoxo reside em um coletivo que busca um ideal que não é ideal.

A experiência de analisar o presente nos presenteia com a conclusão de que vivemos um momento em que o cheio está vazio.

O coletivo está cheio de ideias, cheio de vontades e cheio de... vazio.

Vivemos um mundo de aparência, onde o físico é evoluído em detrimento do espiritual. Corpos cheios de uma coisa qualquer que não aquilo que realmente importa: um ideal.

Por ideal leia ideal ideal. O coletivo possui um ideal, que está longe de ser ideal.

É um ideal individual, um ideal que não conhece coletivo, que não conhece sociedade, que não conhece o próximo.

Vivemos um momento cheio de expectativas vazias, onde a sociedade pode ser considerada enlatada, um produto ao melhor estilo Aldous Huxley: não se sabe o que é família, subterfúgios são utilizados para mascarar insegurança e as pessoas são divididas por castas.

 Qualquer semelhança com um rebanho não é mera coincidência... 

Em resumo, é o paradoxo de um coletivo que se diz evoluído. Estamos cheios e vazios.


O futuro

Futuro é o resultado das nossas atitudes passadas.

Nossos antepassados criaram o seu futuro, lutando pelos seus ideais (ideais ideais).

Qual é o futuro que o presente está criando?

Estamos caminhando rumo a uma evolução ou estamos retrocedendo enquanto seres humanos?

Estamos presenteando o futuro com pacotes lindos. Embalagens fantásticas. Conteúdo inexistente.

Um mundo paradoxal, hipócrita, que arrogantemente brada ser evoluído, quando sequer tem conhecimento do que é necessário para fazer alguém feliz.

Um mundo muito bonito por fora, sem qualquer beleza interior. Um futuro que pode ser encontrado em uma prateleira de supermercado ou exposto no menu de algum restaurante fast-food.

Um futuro fútil, mambembe, putrefato, natimorto, involuído.

A proposta



Caminhe para frente.

Aprenda com o passado. Crie ideais ideais. Seja a evolução que você deseja ser.

Aprenda a aprender e procure dar-se conta da realidade. A realidade real.

Como alguém já disse: "Há uma realidade mas você não a conhece. Quando compreendê-la, verá que você não é nada, e sendo nada você é tudo. Isso é tudo." 

Vamos aprender que somos crus, e conscientes de nossa total ausência de compreensão, buscar a educação. Buscar a evolução. Buscar a construção social (um ideal ideal).

Vamos encher nossos vazios, tornando-nos seres cheios cheios, completos.

Para isso proponho: faça alguém sorrir verdadeiramente, todos os dias de sua vida. 

Pago bem pela verdadeira felicidade alheia.

4 comentários:

bruna disse...

just perfect. bjs

Peter disse...

obrigado pelo tópico!

Beto disse...

o mundo está carente de pessoas dispostas a preencher lacunas... o que mais se vê são exemplos de egos cheios

o exercício de humildade deve ser constante, e náo oportuno!

Peter disse...

repito... o exercício de humildade deve ser constante, e náo oportuno!

 
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