sexta-feira, 24 de junho de 2011

Atração

É uma coisa assim, meio que sem explicação. E ao mesmo tempo uma coisa assim, meio querendo explicação.

Do mesmo jeito que ela tenta entender seu olhar, ele tenta entender o seu pensar. No meio disso a única coisa que importa: muita química.

A química que faz com que os últimos momentos que tiveram juntos seja assim, completamente intensos. Bons.

O dia é aquela coisa assim, meio frio, meio chuvoso. A ocasião é meio assim, pode ser uma janta especial, pode ser um encontro em um bar.

Sabem que os beijos que trocaram os conectaram, os abraços foram ainda mais importantes, mas a química foi meio assim, essencial.

Não sabem como foram ficar juntos naquele dia.

Ao fundo tocava "You got the silver", dos Stones.

O quarto grande tinha luzes indiretas. A temperatura era fria e o clima era meio assim, tenso.

A cada slide da guitarra, o corpo dele puxava o dela, com uma vontade descomunal. A cada puxada dele, ela ia descobrindo mais dela mesma.

Ela foi se soltando aos poucos, conforme o olhar dele ia explorando. Cada movimento trazia mais liberdade. Cada movimento trazia mais vontade. Cada movimento trazia mais um universo de outros movimentos, prontos para serem explorados.

Cada movimento a deixava mais mulher, mais linda, sensual, protegida. Cada momento o deixava mais homem, mais forte, mais certo, provedor, acolhedor.

Meio clichê, mas a química entre eles foi fazendo que ele fosse se descobrindo nela, e ela se descobrindo nele. Não havia mais aquela coisa de eu sou eu e você é você. Ele acabava sendo ela e ela acabou sendo ele, até os dois virarem um só.


Um só olhar.

Um só cheiro.

Um só sentimento.

Foi ali, deitados um colado no outro que perceberam que não havia mais frio, não havia mais tensão, não havia mais inverno.

Tampouco havia verão, calor, luz ou escuridão. 

Só havia eles

Ou melhor, havia só uma explicação.

27 comentários:

Anônimo disse...

Um bom amasso com classe!
Ótimo texto, sensual na medida certa! ;)

Peter disse...

amasso com classe é genial!!!!

isso não seria "pegada"?

Beto disse...

Juro que fui lendo e imaginando os movimentos.. muito bom quando o pensamento, de acordo com a leitura, consegue imaginar a velocidade do raciocínio do autor.

Eu iria mais longe, poderia dizer que ambos descobriram uma nova ramificação de si, no outro...

Peter disse...

ou eles descobriram a si mesmo, através do outro...

Anônimo disse...

Tks! E como descreveste, seria sim, Peter, uma boa e bela "pegada"!! Mas como as palavras do texto fluem na medida que os movimentos dos dois vão acontecendo, um amasso com classe achei que ficava mais elegante e condizente com o texto! Mas sim, seria uma pegada em letras maiúsculas! Assim como o Beto aí em cima, também fiquei imaginando quando li.
Ah, e eles descobriram não só a si mesmo, mas mais ainda acho que descobriram o outro! ;)

Peter disse...

Gostei disso... diferentes visões sobre um mesmo texto...

O que será que os personagens do texto pensavam na hora?

e gostei dos termos "elegante" e "sensual"... é isso que faz um relacionamento!

Anônimo disse...

Com tamanha química que tu descreve no texto, não consigo imaginar nada diferente do que os dois com suas mentes vazias, sem pensar em nada, totalmente entregues às emoções, apenas sentindo...

Mas como o texto é teu... conta, o que eles pensavam na hora?

Concordo,"elegante" e "sensual" realmente fazem parte de um bom relacionamento, dentre outras coisas mais...

Anônimo disse...

Mas e essa atração toda é só química ou você encontrou algo mais?

Peter disse...

Eles viviam um confronto interno (sabe aquela coisa de dualidade?): "o que será isso?" "será que vale a pena?"

Nenhum dos dois sabia o que estava acontecendo, ficavam no início receosos, mas a natureza exploratória do ser humano fazia com que eles mesmo preocupados, liberassem e esvaziassem suas mentes, aproveitando o momento em sua plenitude ("totalmente entregues às emoções").

O lado racional viria só depois... "meu Deus, o que foi isso?"

Um relacionamento é feito de um infinito de coisas... particular a cada casal. Não?

Peter disse...

A atração é química E psicológica. O algo a mais é o que mantem a atração por muito mais tempo (mas muito mais mesmo) do que apenas em um "amasso com classe". ;)

Anônimo disse...

Sim, o lado racional vem depois. Só não disse pq imaginei que a pergunta se referia só ao momento em questão. Gostei dos pensamentos que tu imaginaste.

E sim, é feito de muitas e variadas coisas... lealdade, companheirismo, criatividade, sensualidade e sexualidade, respeito, amor, amizade etc etc. Depende de cada casal e do que cada um acha importante e essencial.

Comentando ao teu comentário sobre o que o "Anônimo 2" escreveu (Eu sou o 1, não sei se tu achaste que eu era o 2 também, mas juro que não hehehehe)... atração é de pele e de mente, psicológica. Não adianta ter uma, e não ter outra. Sem elas juntas, o "amasso com classe" pode não ser tão "químico" assim. E não adianta nada (a longo prazo) ter as duas sem o fator "algo a mais" ;)

Peter disse...

concordo plenamente!
agora, acho que a mente é incosciente: acontece sem sequer entendermos o que está acontecendo...

também concordo com os detalhes de cada casal: para vocês, o que é importante?

Anônimo disse...

acontece sem entendermos e sem sequer sabermos que está acontecendo.

na minha opinião: admiração, companheirismo,sensualidade/sexualidade e lealdade. Mas nenhum deles é detalhe, eu acho.

Peter disse...

como assim nenhum é detalhe?

Anônimo disse...

hm, tu acha que companheirismo, admiração, sexo, e lealdade são detalhes? pra mim detalhe é, por exemplo, a criatividade.

Peter disse...

sabe o que é, fiquei pensando se isso tudo não seriam detalhes, se o que importa mesmo não é a comunicação (verbal ou não verbal) do casal... só assim companheirismo, admiração, sexo e lealdade seriam comunicados de um para o outro...

mas também fiquei pensando se a comunicação não é apenas um meio... enquanto os "detalhes" são o fim...

Qual é o fim de um relacionamento?

Anônimo disse...

hm, entendi teu ponto de vista. Acho que faz sentido também. Sou mais do pensamento que a comunicação é um meio para os fins, mas é legal tb essa outra visão. Eu não tinha me lembrado da comunicação... bah, comunicação realmente é tudo! Boa, Pedro! ;)

Respondendo a tua pergunta, acredito que quando a admiração acaba, é fatal. Digo aquela admiração que tu sente pela pessoa como ser humano, pelo caráter, e como homem (ou mulher para os homens). Até pq quando ela acaba, o amor geralmente já se foi, e outras coisas também. Não?

Peter disse...

o relacionamento em si não seria um fim, uma forma de comunicação do homem e da mulher, de suas angústias e suas alegrias?

relacionamento não seria nada mais, nada menos, do que comunicação?

acho que se a admiração acaba o amor é substituído por pena...

Peter disse...

(comentário do autor: queria que todos os textos deste site gerassem este tipo de discussão, de troca de informação... é para isso que pagamos bem!)

Anônimo disse...

;) Aee, vamos dar ibope ao pagobem! Não é pra isso que vocês pagam bem? Mas quanto??

É, pensando desse jeito, seria um fim sim!

E variados tipos de relacionamento (homem-mulher, pais-filhos, irmãos, amigos etc etc) realmente não deixam de ser comunicações... tens razão.

Mas não acho que é necessariamente substituído por pena. Pode ser por pena sim, mas também ou por indiferença, ou raiva, ou desilusão...

Peter disse...

pagamos carinho aos nossos leitores ;)

qual seria a diferença entre indiferença, raiva, desilusão ou pena?

Anônimo disse...

ahhh já tava achando que eu ia ganhar uma graninha extra! dammit.

Pergunta difícil de explicar...mas vamos ver se eu consigo por em palavras.

Indiferença é quanto tanto faz quanto tanto fez. Perde a admiração, por algum motixo "x", sem traumas, sem sentimentos passionais, sem sentimentos maiores. Simplesmente morre.

Pena o processo é parecido, mas o outro talvez nos disperte esse sentimento (pena)por alguma razão... Mas geralmente temos carinho pela pessoa, o que talvez nos faça sentir isso. Mas esse tipo de pena geralmente não é pela pessoa, e sim pena pela situação em si (tipo: poxa, pena que não deu certo) A não ser quando é aquela pena "raivosa", quando a pessoa não se porta de uma maneira legal e tu chega a "sentir pena daquela pessoa", entende?

Raiva e mágoas nem preciso dizer... uma é mais passional(raiva), a outra nem tanto (mágoa), podendo ficar latente. A pessoa faz alguma coisa que te magoa muito (ou te provoca raiva) e tu não vê mais o outro com os mesmos olhos... em relação a ser humano. É quando quebra o cristal... e pra mim esse é o pior tipo, o mais fatal.

Consegui explicar bem?

Anônimo disse...

Ah me esqueci da desilusão... essa é parecido com a mágoa. É quando tu pensa que a pessoa é uma coisa, e na verdade é outra. Então tu admiravas uma pessoa que não existia... essa também é cruel.

Peter disse...

Leitores do Pago Bem são esclarecidos. Vide explicações acima.

Compreendo todas as definições, e ico com outro questionamento: será que não sentimos tudo isso por nós, sem incluir o parceiro (tipo em um espelho)?

Anônimo disse...

Mas pq sentiríamos tudo isso por nós mesmos? Não entendi tua pergunta, a tua linha de pensamento...

Peter disse...

Em algum texto aqui do Pago Bem isto já foi dito... as pessoas se apaixonam não pelo parceiro(a), e sim por uma projeção de si.

Exemplo: não me apaixono pela pessoa que me fez um jantar romântico, e sim pela experiência, pela sensação que tive (uma coisa meio individualista).

Agora, se temos todos estes sentimentos (desilusão, raiva, indiferença...) com o parceiro(a), será que não temos, no fundo, estes sentimentos para conosco?

Tipo: "Deixei-me levar", "Passei a não mais gostar", "Consigo ser igual sozinho"...

E não estaria aí a explicação do fato de que quando acabamos um relacionamento acabamos tendo força para fazer tudo aquilo que queríamos e, por algum motivo, não fazíamos?

Anônimo disse...

Entendi. As pessoas se apaixonariam pelo sentimento em si, que a pessoa provoca. Nos apaixonamos pelas sensações, sentimentos. Isso faz sentido com a paixão, mas e com o amor? Será que depois que o auge da paixão passa, e começa a aparecer o amor em si, o relacionamento duraria se fosse assim?

E acho que estes sentimentos (desilusão, raiva etc...) não sei se é pq temos conosco...será que não é pq nos apaixonamos por uma sensação/sentimentos provocados, e quando essa "coisa meio individualista" passa, nos damos conta da realidade? que não estamos amando a pessoa em si, mas sim o sentimento provocado? E que quando realmente gostamos da pessoa, aí sim o relacionamento se torna duradouro?

E quanto a tua última pergunta, como isso acontece né? Tu termina algo e já sai logo inventando coisas novas, mudando o cabelo, fazendo viagens, fazendo aulas de dança de salão etc. Tudo que são coisas ótimas e que na real a gente não devia deixar pra fazer só quando termina um relacionamento né? Devíamos fazer tb enquanto estamos em um, se arrumamos alguém companheiro...e não deixar latente... mas será que isso não é acomodação? ou fuga do sofrimento depois do término de um namoro? Talvez...

 
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