quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Entre o medo e o nada...

Entre o medo e o nada, o que você prefere? 

Foi com um eco desses que percebi que prefiro a dor. A dor, que ao mesmo tempo "dói", ensina, empurra para frente, traz algo, sobretudo, de bom. 

Seria muito confortável sentir nada, mas e aí? Onde me sinto desafiado? Posso dizer que vivo esse momento sem desafios... Me sinto um "nada". O dia, com 50 horas, passa a ser meu maior desafio, o de vencer o tédio. Mas o que isso tem a ver? Tudo! Há algum tempo não sinto o medo, o frio na barriga... aquela sensação de tentar segurar em alguém antes de dar o próximo passo.

Falando bem a verdade? Aquela velha sensação da conquista.

Embora haja duas vertentes para esse medo, o de ser repelido e o de ser aceito, é uma sensação desafiadora.

O medo

De quê? De sentir medo? Não faz sentido. 

Nascemos prontos para o crescimento, e não há crescimento sem dor. Anéis se vão, amores vem, e o que resta? O medo de tudo ocorrer de novo. Entender o medo, educar o receio é a melhor arma de estar preparado para esse jogo onde todo mundo perde, cedo ou tarde. Uns mais, outros menos, mas perdem.

O nada
 
Eu poderia desenvolver um parágrafo escrevendo nada. Nada melhor traduziria o sentimento do "nada". 


Um xingamento, um comparativo baixo... nada adiantaria se é "nada". E isso traduz-se ao substantivo. Sentir nada é passar batido pela vida, sem amores, sem anéis. Não amar alguém sobrepõe-se a amar o nada, pois quem ama um dia terá ou tem o medo. Amar o nada ou ninguém, nada se tem, nada se sente, é um jogo de ilusão, o vácuo literal. 

É o abismo humano em sua falta de perspectiva de crescimento. 

E quem não espera crescer? Como pessoa? Como homem/mulher? Parar no tempo não dói, muito pelo contrário... é confortável demais. Tão confortável quanto teu sofá. E pasme (embora tu saibas disso), ficar sentado nele não te agrega em nada. 

O projeto
 
Faça algo de novo, pule de asa delta/de base jump/da sacada até a piscina. 

Sinta o frio na barriga/conheça uma nova montanha russa/faça uma declaração de amor ao vivo. 

Recomece algo do zero com os olhos vendados/desvie o trajeto/conquiste algo novo. 

Escreva uma poesia e declame para alguém/mude de emprego/comece um curso mais difícil mas sinta medo, medo suficiente para poder olhar para trás e ver que foi muito melhor que ter feito simplesmente "nada". 

Essa foi uma singela reflexão acerca de uma das centenas frases de Carlos Drummond de Andrade, no dia do aniversário de sua perda. 

E você, vai fazer nada? Tenha medo de comentar, mas comente esse post!

2 comentários:

Peter disse...

Teu masterpiece.

É o abismo humano em sua falta de perspectiva de crescimento.

Gênio. Ainda ontem conversei sobre isso.

Vamos escalar um paredão semana que vem?

Vivi B. disse...

Adorei, acho que vou escrever um poema, entre outros desafios...

 
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