quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Ação e reação

Trilha sonora para uma crônica sobre como há mais para o menos:

Cleaning my gun - Chris Cornell

Assim como há dia para a noite, sol para a lua e calor para o frio. Velho para o novo.

Assim como há doce para o salgado, comida para a fome e água para a sede.

Carinho para a tristeza. Guerra para a paz. Sorriso para a lágrima e inverno para o verão.

Alto para baixo. Homem para mulher.

Música para o silêncio.

Liberdade para a prisão. Resposta para a dúvida.

Tempo para o tempo.

Assim como há curvas nas estradas, há obstáculos no caminho.

Foi em um destes obstáculos que o contraponto da confiança, da calma, da admiração e do carinho passou de uma posição passiva para uma posição ativa.

Algo como apagar a luz: um coração iluminado viu-se no escuro.

E, seres complexos que são, eles não conseguiam mais dialogar. Aquele diálogo que era feito com palavras, com olhares, com gestos e com energia passou a ficar desorientado.

Ficou perdido.

Ficou sem referências.

Um mundo onde as coisas eram certas e calmas deu lugar a outro mundo onde o incerto reinava e a tensão transbordava.

E foi assim, transbordando, que eles tentavam se encontrar.

Como dois corpos que dependem da correnteza, eram duas pessoas em meio a uma guerra. As palavras que antes eram de carinho, causavam dor. O brilho no olhar ficou opaco. O respeito ficou como a energia, perdido.

As construções sólidas que fizeram foram substituídas por experiências vazias.

E o que antes curava, agora machucava.

E como toda ação tem uma reação, todo tempo tem um tempo, e aí a conclusão é lógica:

Um tempo ruim tem um tempo bom. E um tempo bom deixa a poeira baixar. A poeira baixa deixa o sol entrar. O sol entrando deixa a visão mais clara. A visão mais clara deixa o horizonte definido.

Assim como o certo para o incerto e o aberto para o fechado, o mundo ideal, verdadeiro e reconfortante sempre esteve ali. Era justamente a escuridão que impedia que eles enxergassem. Os gritos que impediam que ouvissem. A tensão que impedia que sentissem.

E o tempo deixa a luz, aos poucos, mostrar que aquela estrada para a evolução sempre esteve ali.



E que caminhar por esta estrada é só uma questão de opção.

E de tempo.

sábado, 15 de outubro de 2011

Da simbiose, do infinito ou do ciclo interminável

Redonda, como a lua que insiste em penetrar pela janela, que clama por uma persiana. A persiana seria ideal para tapar aqueles raios de um sol, que vem aos poucos, desbravando as fronteiras de um quarto vazio, iluminando os resquícios de uma noite cheia (de sentimentos). Sol Redondo, que insiste em dizer para eles que mais uma dia os espera.

Redondamente circular, como aquela sensação clichê: aquilo que não tem explicações, explicado está.

A lua - imponente, impotente e redonda - é testemunha dos crimes que ele comete. Mais comparsa ainda, também é testemunha dos crimes que ela comete. É onipresente nos devaneios de cada um dos dois, sem que ele saiba o que se passa com ela, e ela com ele. A lua, redondamente impotente, tampouco.

Crime. Violação de alguma regra. Mas qual?

A lei natural, que diz que nascemos sozinhos, vivemos sozinhos, morremos sozinhos. Que somos únicos e que nossa natureza é lutar pela independência. Que aprendemos com nossas experiências.

Sós por vários momentos, mas juntos quando juntos. A perfeita expressão do "eu mais você é igual a nós". Não aquele ele 'nós' da primeira pessoa do plural, mas o o 'nós' que é o plural de nó, de enlaçamento, que entrosamento. De simbiose. Assim como dois círculos que, lado a lado, formam um infinito.

Dilaçeram, destroçam, usurpam e violam as leis naturais da solidão e da independência.

Quando juntos criam tratados capazes de ganhar o Prêmio Nobel: explicam o inexplicável, que explicado estava, de uma maneira simples, com nós. 

Aquele da primeira pessoal do plural. Aquele que, quando juntos, significa um infinito de questionamentos, experimentos, sensações e paradoxos. Os minutos que viram horas, as luas que viram sóis, as músicas que viram silêncio, o vazio que vira cheio e o desequilíbrio equilibrado.

Milhares de nós, aqueles do entrosamento, resultantes de uma simbiose especial.

Quem disse que ele não aprende com as experiências dela? Quem disse que ela está sozinha quando ele está longe? Quem disse que existe algo chamado solidão?

A energia que flui em cada toque, a maneira como os corpos se encaixam e a sensação de que em um abraço cabe um universo.

São extremamente felizes quando estão cometendo o crime de desafiar as leis naturais que dizem: deixem a coisa acontecer. Eles deixam a coisa acontecer. Eles fazem a coisa acontecer. E a lua, redonda, vira aquela lua crescente, que mais parece um sorriso.

E o raio do sol, redondo, dança, imponente, impotente, para iluminar aquele dia que está para começar.


E aquele dia iluminado pelo sol virará noite. E o ciclo de aprendizado, evolução e iluminação começará novamente.

Infinitamente.
 
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