sábado, 15 de outubro de 2011

Da simbiose, do infinito ou do ciclo interminável

Redonda, como a lua que insiste em penetrar pela janela, que clama por uma persiana. A persiana seria ideal para tapar aqueles raios de um sol, que vem aos poucos, desbravando as fronteiras de um quarto vazio, iluminando os resquícios de uma noite cheia (de sentimentos). Sol Redondo, que insiste em dizer para eles que mais uma dia os espera.

Redondamente circular, como aquela sensação clichê: aquilo que não tem explicações, explicado está.

A lua - imponente, impotente e redonda - é testemunha dos crimes que ele comete. Mais comparsa ainda, também é testemunha dos crimes que ela comete. É onipresente nos devaneios de cada um dos dois, sem que ele saiba o que se passa com ela, e ela com ele. A lua, redondamente impotente, tampouco.

Crime. Violação de alguma regra. Mas qual?

A lei natural, que diz que nascemos sozinhos, vivemos sozinhos, morremos sozinhos. Que somos únicos e que nossa natureza é lutar pela independência. Que aprendemos com nossas experiências.

Sós por vários momentos, mas juntos quando juntos. A perfeita expressão do "eu mais você é igual a nós". Não aquele ele 'nós' da primeira pessoa do plural, mas o o 'nós' que é o plural de nó, de enlaçamento, que entrosamento. De simbiose. Assim como dois círculos que, lado a lado, formam um infinito.

Dilaçeram, destroçam, usurpam e violam as leis naturais da solidão e da independência.

Quando juntos criam tratados capazes de ganhar o Prêmio Nobel: explicam o inexplicável, que explicado estava, de uma maneira simples, com nós. 

Aquele da primeira pessoal do plural. Aquele que, quando juntos, significa um infinito de questionamentos, experimentos, sensações e paradoxos. Os minutos que viram horas, as luas que viram sóis, as músicas que viram silêncio, o vazio que vira cheio e o desequilíbrio equilibrado.

Milhares de nós, aqueles do entrosamento, resultantes de uma simbiose especial.

Quem disse que ele não aprende com as experiências dela? Quem disse que ela está sozinha quando ele está longe? Quem disse que existe algo chamado solidão?

A energia que flui em cada toque, a maneira como os corpos se encaixam e a sensação de que em um abraço cabe um universo.

São extremamente felizes quando estão cometendo o crime de desafiar as leis naturais que dizem: deixem a coisa acontecer. Eles deixam a coisa acontecer. Eles fazem a coisa acontecer. E a lua, redonda, vira aquela lua crescente, que mais parece um sorriso.

E o raio do sol, redondo, dança, imponente, impotente, para iluminar aquele dia que está para começar.


E aquele dia iluminado pelo sol virará noite. E o ciclo de aprendizado, evolução e iluminação começará novamente.

Infinitamente.

2 comentários:

Beto disse...

Parafraseando a vida. A melhor maneira de traduzir sinceros sentimentos.

Parabéns pelo jogo de palavras.

Peter disse...

Obrigado Beto!

Acredito que sentimentos sinceros não precisam ser traduzidos: eles são universais.

Um olhar de saudade é o mesmo em qualquer lugar do mundo, independente de cultura, religião ou língua.

Um beijo com amor é o mesmo beijo com amor que qualquer pessoa entenderia ao dar/receber, sem precisar de traduções.

Sentimentos sinceros são, por sua essência, sinceros.

Assim como a vida.

;)

 
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