quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Algo novo

Silêncio.
 
Escuridão.
 
Solidão.
 
E um pouco de apreensão.
 
A apreensão em deixar o sol iluminar o ambiente, a música que tocava desapercebida virar trilha sonora e a solidão dar lugar à sensação.
 
Sensação de que dois são mais do que um, podendo construir. Construir.
 
Construir passado, construir presente e construir futuro.
 
A apreensão que foi cedendo ao jeito, ao primeiro passo, a aquela condução de quem sabia pegar pela mão e levar de um lugar inseguro para o local mais protegido do mundo: dentro de nós mesmos.
 
 
A apreensão que já não mais tinha razões de existir, que foi cedendo para cada acorde, cada toque, cada olhar.
 
E um novo mundo surgiu.
 
A caverna de Platão, o caminho astrológico percorrido e os lugares já explorados. Tudo novo, passível de ser compreendido e experimentado, pela primeira vez ou novamente.
 
Música.
 
Luz.
 
Companheirismo.
 
E muita certeza.
 
Certeza de que quem tem medo tem coragem, e quem tem coragem vive.
 
Quem vive lida melhor com anseios e medos. Supera desafios. Segue o caminho da iluminação.
 
Quem vive cativa, descobre novas sensações e descobre o prazer de caminhar, de construir. De abraçar, beijar e cuidar.
 
Quem vive constrói, reconstrói e experimenta.
 
Quem vive se liberta das amarras que nos prendem a nossos medos e anseios, e livre é plenamente feliz.
 
(trilha: Clocks - Coldplay)

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Nossas estradas

 "Eram pés. Simplesmente pés.

Já haviam caminhado muito, mas muito mesmo.
 
Já haviam dançado. Já tinham estado sujos e limpos.
 
Já haviam sido pisoteados e já mudaram por causa de alguns tropeços.
 
E continuavam naquele lugar. Continuavam sendo simplesmente pés."

 
A estória
 
Há quem diga que os olhos são a janela da alma. Há os defensores da emoção e da razão.
 
A verdade é que nossa coragem e nosso medo, nossa energia ou nossa apatia, nossa vontade ou nosso receio são mais influenciadas pelos nossos pés.
 
Nossos pés não são simplesmente pés.
 
Pés com medo ficam parados. Pés corajosos dão o primeiro passo.
 
Pés receosos deixam sempre um pé atrás e pés ousados pulam para o próximo passo.
 
Nossos pés nos movem na direção dos nossos sonhos, mas também nos deixam parados pensando no que fazer.
 
São pés que abrem portas e pés que nos impedem de perceber o que poderíamos estar vivenciando...
 
Pés agem, e da ação há sempre uma reação.

 
A proposta é uma estrada
 
Pare e escolha um momento importante de sua vida. Uma estrada que tiveste que caminhar.
 
Feche seus olhos e visualize a cena com todos os detalhes possíveis: quem estava junto, quais eram os perfumes, as músicas, as sensações.
 
O que este momento significava para você? Como este momento completava o seu ser, único, especial?
 
Explore este momento como se ainda estivesse nele. Quando estiveres no ápice da experiência tente parar o momento. Congele esta imagem mental e tente perceber o que seus pés queriam dizer...
 
Seguramente nossos pés acompanham nossas emoções, servindo de termômetro ou como algum sinal de nossos anseios e desejos.
 
Certamente nossas maiores vitórias começaram com um pé que dava uma passada segura e persistente. Certamente nossas decepções e derrotas tinham pés tremulantes. Nossos pés falam mais do que somos capazes de verbalizar...
 
É como uma dança.
 
O parceiro tenta explorar o infinito de possibilidades que tem de conduzir sua parceira, mas ela, receosa, deixa seus pés não serem guiados.
 
São pés que parados impedem com que o casal explore a energia da dança, que construam um momento pleno.
 
Quando, por algum motivo único e especial, ela deixa seus pés serem guiados, eles se conectam, o parceiro a tira do chão e a conduz para um movimento inesperado e envolvente. A dança flui.
 
Os pés agradecem a doação.
 
A alma é presenteada.

 
O desafio
 
Esqueça seus pés.
 
Deixe eles andarem naturalmente.
 
Deixe eles serem levantados do chão.
 
alguns dos melhores momentos são aqueles que nossos pés não estão sendo controlados por nós
 
Pés que voam podem chegar em lugares que nem nossa mente e nosso coração conseguem imaginar.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Que presente dou de Dia dos Namorados?

"- Ai meu Deus..."

"- O que que foi?"

"- Não sei o que dar de presente para minha namorada!"

"- Hmmm..."

"- Cara, certo que ela vai me dar uma camisa do meu time, estilo retrô! É bacana e assim posso sair com o símbolo no peito sem ela reclamar!

"- Hmmm..."

"- Acho que vou comer uma coisinha e depois um motelzinho bacana!"

"- Isso cara! Baita ideia!"

"- Ela vai curtir!"



"- Ai guria!"

"- O que que foi?"

"- Não sei o que dar de presente para meu namorado!"

"- Hmmm..."

"- Ai, certo que ele vai me levar ela para jantar em um restaurante bom, luz de velas e todo o teatrinho. Dar alguma jóia ou sapato da moda e bebermos um bom vinho!"

"- Hmmm..."

"- Acho que vou dar uma dessas camisas xadrez que estão tão na moda!"

"- Sensacional, guria!"

"- Ele vai amar!"


A crônica

Todo Dia dos Namorados é assim. Assim como nos aniversários de casamento, aniversários dos parceiros ou outras datas comemorativas dos casais. Assim como no cotidiano da vida a dois.

Casais desencontrados (preste atenção nessa definição) acabam por desencontrar-se ainda mais e consolidar uma relação já batida (ou em vias de ficar batida).

Relacionamentos cheios de vazio.


O motivo

Relacionamentos sem propósito ou com atores despropositados.

A estória fictícia do início (nem tão fictícia assim) acontece por um motivo simples: as pessoas não sabem quais são os seus propósitos.

Pessoas que não sabem o seu papel, que não sabem os motivos pelos quais se relacionam e que não sabem viver. Pessoas desconectadas de suas realidades, que vagam pelo mundo assim como vagam pelos seus relacionamentos: namoro sim, conexão não.

Pessoas que não sabem de onde vem, aonde estão e muito menos para onde vão


A sugestão de presente


Conecte-se em você mesmo. Saiba quem você é, o que você tem e o que você pode oferecer.

O melhor presente está logo depois do auto-conhecimento. Ao conhecermos as nossas virtudes e limites, abrimos espaço para explorar as mais diversas formas de crescimento: sei aonde posso ir, e posso trabalhar e construir meios de ir mais longe ainda...

É um processo de constante doação.

Dou todas as minhas energias para construir um eu melhor, mais capaz, mais preparado, mais consciente.

É quando somos mais conscientes de nós mesmos que estamos mais aptos a oferecer o mundo àquela pessoa que está do nosso lado.


É quando conhecemos nossas virtudes que somos verdadeiramente capazes de conectar ao próximo.


A proposta

Dê valores, planos, sonhos e dedicação. Dê capacidade, medos e vontade de superá-los. Dê energia, criatividade e alegria. Permita-se e dê aquilo que é mais importante: o infinito.

Dê você.


É um simples desafio que torna o relacionamento bem mais verdadeiro.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Grupos sem massa

Reclamações no facebook e a necessidade de reclamar da vida para parecer cool e ser parte de um grupo.

A popularidade nunca esteve tão em alta... As redes sociais colaboram para que a auto estima de certas pessoas esteja em alta através da quantidade de seguidores, elevado cliques de “curtir”, compartilhamentos e demais artifícios que vem de carona com essa onda “social”.

A passos largos, juntamente a isso, chega a inclusão digital. Movimento que, ao mesmo tempo, integra cidadãos de pouco conhecimento, desintegra recursos de mobilidade e tecnologia recheando a internet com pensamentos vazios.

 
Pode parecer um tanto crítico, mas nada além da realidade tratam essas linhas...

Diante dessa comoção por fazer parte de um grupo seleto, onde tudo “necessita ser compartilhado”, existem grupos que se salientam pela falta de criatividade, lamúria, necessidade de auto-afirmação, inverdades ou futilidades.

Espanta-se quem acha que nada além do óbvio vira assunto.

Pois bem, reclamar de uma situação de desvantagem me parece justo, reivindicar direitos para tornar o mundo mais democrático é natural, identificar alternativas para pessoas com pouco acesso à informação soa solidário...

Mas... reclamar de fatores climáticos para parecer “cool”e tornar-se parte de um grupo criativo onde apenas reclama da vida faz sentido? De antemão reclamar do frio, clamar pelo verão e, todo dia, desabafar online pelo ódio ao calor me parece controverso. E é! Ao mesmo tempo, trata-se de uma ferramenta de popularidade. Pura verdade...

Quem desenvolver uma frase mais criativa ganha mais visibilidade, quem ganha mais visibilidade é mais popular, quem é mais popular ganha... ganha... NADA!

Homens e mulheres utilizam erroneamente as funcionais ferramentas de navegação para incluir em sua vida uma parcela do que não tem. Dinheiro, fama, status, sex appeal, enfim, uma vida dúbia de sentimentos e ações que não os pertencem.


Por trás dessa relação criam-se indivíduos sem personalidade, que gozam da insistência para serem vistos.

Através de discursos vazios, baseiam-se na falsidade para agregar valor à sua imagem. Atitudes de inclusão não são novidades no mundo atual. Os hippies, cujo comportamento adotava um modo de vida comunitário, tendendo a uma espécie de socialismo-libertário ou estilo de vida nômade, arrecadavam jovens com um pensamento em comum onde havia o real entendimento do desapego.

O que espanta é que esse grupo “reclamão” não possui uma identificação em comum, apenas reclamam sem querer reclamar... Reivindicam direitos sentados em uma bela cadeira estofada... Denunciam políticos e praticam os mesmos votos ou votam sem conhecer seus candidatos. Tudo para sobrar mais tempo para navegar, reclamar, postar, náo pensar e tornar-se popular.

Enquanto o governo cria políticas de educação em massa, grupos totalmente criativos e “evoluídos” utilizam da rede online para burlar leis anti consumo de álcool.

Até onde iremos com a fantasia de que realmente fazemos algo para melhorar o local que vivemos?

Até quando pensaremos utilizar corretamente as ferramentas online para agregar valor ou exercitar o raciocínio lógico?

Quem ainda pensa que reclamar muda o mundo?

As respostas? Jovens ranzinzas demais com atitudes de menos!

Pago bem, mas para quem não reclama... apenas faz!
 
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