terça-feira, 12 de agosto de 2014

Te cuida!

Cena 1:

- Alguém está dando uma carona para outra pessoa. Ao chegar na frente do local de destino, o caroneiro abre a porta e agradece. O motorista - ou até mesmo o caroneiro - olha para a outra pessoa e fala: "Te cuida!"

Cena 2:

- Ei, vou viajar!
- Sério! Que ótimo! Para onde vais?
- Ainda não tenho nada decidido, mas quero desbravar o mundo!
- Que ideia legal! Te cuida!


O motivo

São duas cenas bastante simples, quiçá corriqueiras, que ilustram uma faceta da frase "Te cuida!"

Gramaticalmente inapropriada, a expressão "Te cuida!" revela mais que um simples aviso, sinal de carinho ou um pequeno gesto de gratidão.

"Te cuida!" é o maior aprendizado que alguém pode ter.

Talvez não tão simplória quanto essa frase, "Te cuida!" torna-se um imperativo em tempos como os de hoje. "Te cuida!" é um mar de ensinamentos em duas palavras, um desafio para qualquer um e a redenção para problemas que limitam a evolução do homem. Como? Assim...


O significado

"Te cuida!", por mais simples, generalista e subjetivo que possa parecer, é um convite para que nós, seres humanos - e, portanto, propensos a erros - façamos a conexão com nosso interior. Ou, melhor dizendo, uma reconexão.

Quando crianças somos puros, sinceros e livres de quaisquer preconceitos. Não julgamos e a vida nos conduz pelos caminhos que devemos trilhar. Quando amadurecemos o resultado é outro, diferente. O oposto.

O medo que adquirimos de perder aquilo que nos é caro, os fracassos e as pedras no caminho fazem com que a pureza e liberdade infantil (e verdadeira) seja tolhida.

Carregamos estigmas que nos fazem desconfiar dos outros, de nós mesmos e que nos prendem a um estado de torpor, limitador e enganoso.

Enganamo-nos acerca do que nos faz bem, tornamo-nos cegos e não percebemos o que verdadeiramente nos limita, cedemos a pressões externas, deixando de viver no que acreditamos (e queremos) e tentamos conduzir aquilo que, naturalmente, nos conduz. O quê?

Nós mesmos.

Nós somos nossa prisão, nosso algoz e nosso limite. Culpamos outros por erros que nós mesmos cometemos ou, em alguns casos, permitimos que aconteça. Esquecemos que somos livres para ser e viver plenamente, e que somos o chefe de nossas decisões.

Não é fácil, por óbvio, abrir os olhos sobre a realidade (que é dura e nos amedronta). A vida, muitas vezes, se transforma em uma fuga inexplicável, um medo incontrolável e um limitador ao processo evolutivo. Epícuro já ensinou que o grande navegador deve sua ótima reputação aos temporais e às tempestades, o que serve de aprendizado e motivação para esta descoberta.

Menos fácil ainda é aprender a domar nosso eu sabotador e limitante. Evoluir e crescer é uma arte, fruto da determinação, força de vontade e disciplina.

A boa notícia é que nunca é tarde para que o despertar aconteça.

Nunca é tarde para reconectarmos às nossas raízes e cuidarmos de nós mesmos. 


O desafio

"Te cuida!" é um convite. Uma proposta da vida para que cada um de nós perceba a realidade e assuma o papel de responsável pela nossa própria felicidade e bonança.


Um chamado para que cada um de nós cuide de si e, por conseguinte, cuide do próximo.

Uma ordem para que despertemos em busca de nosso verdadeiro amadurecimento espiritual, emocional e, também, racional.

Fugir é fácil, projetar é cômodo, culpar e fechar os olhos para a realidade é automático.

Agora, o desafio é olhar para si mesmo, aprender e crescer. Arrisque-se a sair da zona de conforto. Seja gentil consigo mesmo. A estrada é longa e, certamente, trilhá-la recompensa.


A proposta é que a cada dia e a cada vez que um "Te cuida!" cruze nosso caminho, cada um de nós olhe para si mesmo, agradeça pelas oportunidades que a vida oferece, questione nossa conduta e assuma o controle de nossa felicidade. E, ao assim fazer e conquistar a paz consigo mesmo, cuidar dos outros.

A proposta é construir, individualmente, um coletivo harmônico, livre e feliz, afinal, como diria Sulco, ninguém dá o que não tem.

1 comentários:

Anônimo disse...

Um dos mais belos textos que já li.
Inspirador.

 
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